
O agronegócio brasileiro iniciou o ano enfrentando desafios climáticos significativos, resultado das características típicas do verão. O clima quente e úmido trouxe tempestades frequentes em várias regiões do país, impactando diretamente o setor agrícola. Este quadro climático foi impulsionado pelo segundo episódio da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), gerando instabilidade sobre o Centro-Oeste, Sudeste e parte do Norte.
Apesar da diminuição da força da ZCAS, outra formação climática, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), avança, prometendo concentrar chuvas no Nordeste. Enquanto isso, o calor combinado com umidade continua a provocar pancadas de chuva isoladas por quase todo o país. As temperaturas aumentaram em regiões específicas, especialmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o que impõe dificuldades adicionais no campo, desde a colheita até o manejo de lavouras e rebanhos.
A dependência do agronegócio brasileiro em relação ao clima é evidente, funcionado como uma indústria a céu aberto. Os fenômenos globais El Niño e La Niña desempenham papéis críticos no desempenho das safras, influenciando o planejamento de cultivos e preços dos alimentos.
Conforme o CPTEC/INPE, El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, enquanto La Niña caracteriza-se pelo resfriamento dessas águas. Essas alterações térmicas afetam a distribuição das chuvas ao redor do mundo, e no Brasil, seus efeitos são irregulares entre as regiões, podendo durar até dois anos segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Para mitigar esses fatores climáticos, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) tornou-se essencial. Ele orienta os produtores sobre os períodos ideais para plantio, considerando os efeitos do El Niño e La Niña.
Além disso, há um aumento no uso de previsões meteorológicas precisas, desenvolvimento de cultivares adaptadas a estresses climáticos pela Embrapa e a prática do Sistema Plantio Direto, que conjuntamente ajudam na redução de perdas.
O agronegócio fechou 2025 em crescimento, com o PIB do setor aumentando 8% e representando 29% da economia brasileira, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A safra 2024/25, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), alcançou 354,75 milhões de toneladas, destacando-se a soja com 177,6 milhões de toneladas.
Apesar dos resultados positivos, a eficiência nas lavouras ainda é limitada por problemas operacionais, especialmente nos sistemas hidráulicos das máquinas agrícolas. Contaminações em mangueiras hidráulicas comprometem a operação de máquinas, como tratores e colheitadeiras, aumentando os custos de manutenção e o tempo de inatividade das máquinas.
Bruno Ract, executivo da Ultra Clean Brasil, destaca que a contaminação afeta componentes críticos, levando a custos mais elevados e paradas não programadas durante a safra. Uma solução prática é a limpeza a seco das mangueiras antes da instalação, que pode melhorar a produtividade agrícola em até 20%.
Segundo as projeções, o avanço tecnológico não depende apenas de máquinas novas, mas também de práticas operacionais que garantam a eficiência dos equipamentos existentes.

A preferência chinesa pela soja brasileira é sustentada por uma relação de preços favoráveis, apesar das pressões no mercado interno devido ao câmbio valorizado e avanço da colheita. Segundo Anderson Nacaxe, CEO da Oken.Finance, os preços voltaram a mínimas, aumentando a dependência da demanda externa para o escoamento da produção nacional. O acesso a esse conteúdo é exclusivo para usuários cadastrados no Agrolink.

O IPCA-15 subiu 0,20% em janeiro, ligeiramente inferior à alta de 0,25% em dezembro. Em 12 meses, o índice acumula aumento de 4,50%. Habitação e Transportes caíram, enquanto Saúde e cuidados pessoais lideraram o aumento com alta de 0,81%. Alimentação e bebidas aceleraram, com alta influenciada por tomates e batata-inglesa. Embora passagens aéreas e transporte urbano tenham caído em Transportes, combustíveis subiram 1,25%.

O setor de lácteos da Argentina, em 2025, alcançou seu melhor desempenho externo em 12 anos, graças à modernização da cadeia produtiva e condições de mercado favoráveis. O país exportou 425.042 toneladas de produtos lácteos, gerando US$ 1,69 bilhão, um aumento de 11% em volume e 20% em valor em relação ao ano anterior. O volume exportado representou 27% da produção nacional, que atingiu 11,618 bilhões de litros, o maior da década. O leite em pó integral liderou as exportações, com o Brasil como principal parceiro. A expansão do setor leiteiro integra um crescimento mais amplo do agronegócio argentino.

A soja teve queda nos preços no Paraná e em Paranaguá, com desvalorizações de 1,12% e 2,18%, respectivamente. No interior do Paraná, a saca é cotada a R$ 119,83, enquanto no litoral chega a R$ 124,76. Em contraste, o trigo presenta reajustes para cima, com aumentos de 0,13% no Paraná (R$ 1.176,36 por tonelada) e 0,31% no Rio Grande do Sul (R$ 1.057,34 por tonelada). A padronização da saca em 60 kg facilita a comercialização e monitoramento de preços.

As importações brasileiras de fertilizantes atingiram um recorde histórico de 45,5 milhões de toneladas em 2025, superando o total de 44,28 milhões de toneladas em 2024, conforme o Boletim Logístico divulgado pela Conab. Esse aumento de 2,68% destaca a confiança do setor agrícola no Brasil, com Mato Grosso, Paraná e São Paulo liderando o consumo. O crescimento nas importações apoia o planejamento para expansão da área plantada e melhorias na produtividade, reforçando a robustez da cadeia de suprimentos agrícolas no país.