
O Brasil iniciou o ano de 2026 com um saldo positivo na balança comercial, impulsionado pelo robusto desempenho das exportações, especialmente do setor agropecuário. Este superávit ocorre em um cenário global desafiador, caracterizado por elevado déficit em transações correntes e a dependência crescente do comércio exterior para equilibrar as contas nacionais.
Na quarta semana de janeiro, o superávit comercial brasileiro alcançou R$ 1,36 bilhão, com exportações somando R$ 28,09 bilhões e importações em R$ 26,73 bilhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Com esse desempenho, o saldo positivo do mês de janeiro totaliza R$ 20,71 bilhões.
As projeções para 2026 indicam um superávit entre R$ 378 bilhões e R$ 486 bilhões, com exportações esperadas entre R$ 1,84 trilhão e R$ 2,05 trilhões e importações variando de R$ 1,46 trilhão a R$ 1,57 trilhão. O amplo intervalo reflete tanto a força do setor exportador quanto as incertezas do atual ambiente global.
Por outro lado, as importações apresentaram retração. Até a quarta semana de janeiro, as compras externas caíram 3,6%, resultando em R$ 87,37 bilhões no total. A agropecuária reduziu suas importações em 24,6%, totalizando R$ 1,84 bilhão; a indústria extrativa teve um recuo de 12,1% com R$ 3,83 bilhões; e a indústria de transformação, apesar de responder pela maior parte das compras, caiu 2,6% com R$ 81,05 bilhões.
Apesar do desempenho positivo no comércio de bens, o Brasil ainda enfrenta um quadro amplo de desafios nas contas externas. Em 2025, o déficit em transações correntes atingiu R$ 371,47 bilhões, o maior desde 2014, indicativo de uma redução no superávit comercial e problemas estruturais com o déficit em serviços e renda primária.
Os dados históricos demonstram a persistência do desequilíbrio externo como um desafio expressivo. Em 2024, o déficit foi de R$ 357,26 bilhões, demonstrando um aumento significativo em 2025. O aumento do déficit no último ano esteve atrelado à diminuição de R$ 31,86 bilhões no superávit da balança comercial. Contudo, melhorias no déficit de serviços e um aumento no superávit em renda secundária ajudaram a compensar parcialmente essa redução.
Em 2025, o superávit da balança comercial somou R$ 324 bilhões, um decréscimo de 8,9% em relação a 2024. Mesmo assim, tanto exportações quanto importações alcançaram níveis históricos: as vendas externas atingiram R$ 1,89 trilhão, enquanto as compras externas chegaram a R$ 1,57 trilhão.
O déficit em serviços foi de R$ 285,66 bilhões, uma redução de 4,1% comparado ao ano anterior. O déficit em renda primária permaneceu em R$ 439,02 bilhões. Entretanto, os investimentos diretos no país alcançaram R$ 419,58 bilhões, correspondendo a 3,41% do PIB, um sinal de que o Brasil continua a ser um destino atrativo para capital produtivo mesmo em um cenário externo mais complexo.
Em dezembro de 2025, as transações correntes registraram um déficit de R$ 18,36 bilhões, substancialmente inferior ao mesmo mês em 2024. A balança comercial no mês exerceu um papel positivo com um superávit de R$ 47,52 bilhões, apoiado por exportações de R$ 168,48 bilhões e importações totalizando R$ 120,96 bilhões. O déficit em serviços caiu para R$ 20,52 bilhões, enquanto as despesas líquidas com viagens internacionais foram de R$ 6,48 bilhões.
As reservas internacionais encerraram dezembro de 2025 em R$ 1,93 trilhão, apresentando uma leve redução mensal, mas ainda se mantendo em um patamar confortável. Em comparação com dezembro de 2024, houve um incremento expressivo de R$ 153,9 bilhões, sustentado por variações cambiais, receitas de juros e valorização de ativos.
Em síntese, o início de 2026 mostra o setor agropecuário desempenhando um papel crucial ao fomentar as exportações e apoiar o superávit comercial. Entretanto, o cenário global adverso exige que o setor continue a inovar e se adaptar para assegurar que a competitividade e a robustez do Brasil no mercado internacional sejam mantidas.

A preferência chinesa pela soja brasileira é sustentada por uma relação de preços favoráveis, apesar das pressões no mercado interno devido ao câmbio valorizado e avanço da colheita. Segundo Anderson Nacaxe, CEO da Oken.Finance, os preços voltaram a mínimas, aumentando a dependência da demanda externa para o escoamento da produção nacional. O acesso a esse conteúdo é exclusivo para usuários cadastrados no Agrolink.

O IPCA-15 subiu 0,20% em janeiro, ligeiramente inferior à alta de 0,25% em dezembro. Em 12 meses, o índice acumula aumento de 4,50%. Habitação e Transportes caíram, enquanto Saúde e cuidados pessoais lideraram o aumento com alta de 0,81%. Alimentação e bebidas aceleraram, com alta influenciada por tomates e batata-inglesa. Embora passagens aéreas e transporte urbano tenham caído em Transportes, combustíveis subiram 1,25%.

O setor de lácteos da Argentina, em 2025, alcançou seu melhor desempenho externo em 12 anos, graças à modernização da cadeia produtiva e condições de mercado favoráveis. O país exportou 425.042 toneladas de produtos lácteos, gerando US$ 1,69 bilhão, um aumento de 11% em volume e 20% em valor em relação ao ano anterior. O volume exportado representou 27% da produção nacional, que atingiu 11,618 bilhões de litros, o maior da década. O leite em pó integral liderou as exportações, com o Brasil como principal parceiro. A expansão do setor leiteiro integra um crescimento mais amplo do agronegócio argentino.

A soja teve queda nos preços no Paraná e em Paranaguá, com desvalorizações de 1,12% e 2,18%, respectivamente. No interior do Paraná, a saca é cotada a R$ 119,83, enquanto no litoral chega a R$ 124,76. Em contraste, o trigo presenta reajustes para cima, com aumentos de 0,13% no Paraná (R$ 1.176,36 por tonelada) e 0,31% no Rio Grande do Sul (R$ 1.057,34 por tonelada). A padronização da saca em 60 kg facilita a comercialização e monitoramento de preços.

As importações brasileiras de fertilizantes atingiram um recorde histórico de 45,5 milhões de toneladas em 2025, superando o total de 44,28 milhões de toneladas em 2024, conforme o Boletim Logístico divulgado pela Conab. Esse aumento de 2,68% destaca a confiança do setor agrícola no Brasil, com Mato Grosso, Paraná e São Paulo liderando o consumo. O crescimento nas importações apoia o planejamento para expansão da área plantada e melhorias na produtividade, reforçando a robustez da cadeia de suprimentos agrícolas no país.