
Soja Brasileira: Pressões Econômicas e Safra Recorde Impactando Preços
A recente desvalorização do dólar frente ao Real provocou uma queda acentuada nas cotações internas da soja no Brasil. Essa variação cambial reduziu significativamente a competitividade da oleaginosa brasileira no cenário internacional, segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Além do fator cambial, a perspectiva de uma safra recorde tem levado importadores a adotar uma postura mais cautelosa. Muitos compradores estão adiando novas aquisições, aguardando os resultados do avanço da colheita. Este comportamento impacta diretamente na desvalorização dos prêmios de exportação da soja.
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que, até 17 de janeiro, aproximadamente 3,2% da área nacional de soja foi colhida. Este percentual é significativamente superior ao 1,2% registrado no mesmo período do ano anterior. A rápida colheita inicial reforça a percepção de uma oferta maior no curto prazo, intensificando ainda mais a pressão sobre os preços no mercado interno.
Conforme essas dinâmicas evoluem, o mercado continuará atento aos movimentos cambiais e ao avanço da safra, já que ambos são essenciais para a estrutura de preços futuros e para a competitividade dos grãos brasileiros.

A colheita da soja da safra 2025/26 em Mato Grosso chegou a 65,75% da área prevista, segundo levantamento divulgado na segunda-feira (23) pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). O avanço representa um salto de 14,74 pontos percentuais em relação à semana anterior, reforçando um cenário de perspectiva positiva para o andamento das operações no estado.

Resumo: Em Mato Grosso, o agronegócio enfrenta atraso de colheita devido às chuvas intensas, elevando custos, dificultando o acesso às lavouras e pressionando o fluxo de caixa. O quadro é agravado pela elevação do custo e da seletividade do crédito, com garantias maiores, prazos menores e negativas de financiamento em momentos críticos.

Em janeiro, o algodão teve uma alta moderada em Nova York, mas em fevereiro enfrentou queda de preços devido a estoques elevados e demanda internacional fraca. No Brasil, os preços internos também recuaram em razão do excesso de oferta. O caroço de algodão, influenciado pela safra abundante e concorrência com a soja, também registrou queda no início de 2026. Internacionalmente, a produção chinesa aumentada pressiona os preços. Em Mato Grosso, a redução na área plantada indica menor produção para 2026. Perspectivas para o segundo semestre de 2026 apontam para uma recuperação gradual nos preços do algodão. No milho, a colheita avança lentamente no sul do Brasil devido ao clima instável e pouca liquidez no mercado. A estabilidade persiste nos mercados futuros de Chicago e B3, apoiada por exportações e demandas por biocombustíveis. Analistas esperam manutenção da estabilidade nos preços do milho a curto prazo.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou estimativas para a área plantada de grãos na safra 2026/27, totalizando 90,65 milhões de hectares, abaixo dos 91,18 milhões da temporada anterior. As estimativas para soja, milho e trigo mostram uma leve redução na área total, com aumento na área de soja devido à maior rentabilidade. A área plantada de milho e trigo está prevista para diminuir, refletindo mudanças de cultivo e participação no Programa de Reserva de Conservação.

O USDA revelou sua previsão para a safra 2026/27 nos EUA, destacando uma diminuição na área plantada com milho e um aumento na área de soja. A previsão é de 34,4 milhões de hectares para a soja, superando os 32,86 milhões da safra anterior, enquanto o milho deve cair para 38,04 milhões de hectares, em comparação com 39,98 milhões anteriores. O trigo mostrou mínima variação, passando de 18,33 para 18,24 milhões de hectares. No total, as três principais culturas ocuparão 90,65 milhões de hectares, um decréscimo em relação aos 91,18 milhões da temporada passada.