
Produtos regionais: Crescimento das Indicações Geográficas no Brasil
Os produtos que incorporam o sabor regional e a tradição local têm ganhado destaque no Brasil, impulsionando o crescimento das Indicações Geográficas (IGs). Nos últimos cinco anos, o país viu mais do que dobrar o número de registros de IGs, refletindo a combinação entre inovação, tradição e estímulo econômico. Em 2020, havia 73 certificações emitidas pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), número que chegou a 150 no ano passado, e atingiu 151 em janeiro de 2026, com a inclusão das tortas de Carambeí (PR).
Desde 2003, o Sebrae tem desempenhado um papel crucial no apoio a pequenos produtores para obter registros junto ao INPI. Em 2025, o Sebrae identificou 69 territórios promissores para reconhecimento como IG após realizar 95 diagnósticos. Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, acredita que o crescimento das IGs continuará a uma taxa estável de 20% ao ano, considerando que o processo de estruturação de uma IG pode durar até 30 meses.
No ano passado, o Sebrae avançou significativamente em áreas como governança e estratégias de mercado, promovendo rodadas de negócios e mentorias internacionais em colaboração com o programa AL Invest da União Europeia.
Potencial da apicultura brasileira
A certificação de Indicação Geográfica, que compreende a Denominação de Origem (DO) e a Indicação de Procedência (IP), assegura que um produto ou serviço tenha qualidades associadas a sua região de origem. Um exemplo disso é o mel de melato de Bracatinga, com certificado de DO, produzido no Planalto Sul brasileiro. Reconhecido como “ouro negro” pelo seu valor nutricional, o mel de melato de Bracatinga é amplamente exportado, principalmente para a Alemanha e os Estados Unidos.
A Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina conquistou a certificação em 2021, com o apoio contínuo do Sebrae. Apesar dos desafios de distribuição, o mel já está presente em diversas regiões, como o Nordeste, Espírito Santo e Amapá.
Qualidade em destaque no setor cafeeiro
O café, produto com o maior número de IGs, reúne 20 registros entre as atuais 151 IGs do país. Majoritariamente categorizadas como Indicação de Procedência, estas certificações estão concentradas nos estados de Minas Gerais e São Paulo.
No Sudoeste de Minas, a Associação dos Cafeicultores do Sudoeste de Minas lidera a produção de café sob a IG Sudoeste de Minas, com 100 sacas anuais vendidas em microlotes. Edivaldo de Oliveira, pequeno produtor do Café Frutuoso, relata que o destaque em competições de qualidade da bebida tem aberto mercado, inclusive para exportação indireta ao Canadá.
Desde 2024, a plataforma Origem Controlada Café auxílio no monitoramento técnico de IGs, compreendendo cerca de 3.500 produtores e 4 mil propriedades, com registro de 120 mil selos de certificação.
Diversificação das IGs no artesanato
Além do café, o artesanato brasileiro também se sobressai em termos de Indicações Geográficas, com 18 registros, 12 deles concentrados na região Nordeste, como a cerâmica de Alegria e a renda de bilros de Aquiraz, no Ceará.

O Banco Central divulgou a prévia do PIB, mostrando um crescimento robusto da agropecuária em 12 meses até dezembro, com alta de 13,05%, contribuindo significativamente para um avanço geral da economia de 2,45%. O IBC-Br indica que a agropecuária cresceu mais que a média da economia brasileira, enquanto a indústria e os serviços registraram aumentos de 1,45% e 2,06%, respectivamente. Em dezembro, a agropecuária também teve desempenho superior na comparação mensal, com crescimento de 6,35%, acima dos serviços (2,88%) e da indústria (2,31%).

Em 2025, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que antecipa o PIB, cresceu 2,45% em relação a 2024, conforme divulgado pelo Banco Central. O setor agropecuário foi o principal motor desse crescimento, com alta de 13,05%, enquanto indústria e serviços também cresceram, mas em ritmo mais moderado. Em dezembro, o índice recuou 0,18% em relação a novembro, abaixo das projeções do mercado. Apesar disso, o trimestre móvel até dezembro registrou alta de 0,4%. Analistas preveem que a atividade moderada pode influenciar a política de juros, com potencial para cortes, enquanto o ambiente global desafia a indústria, impactando empresas e o Ibovespa. O crescimento geral é positivo, mas desaceleração é esperada em 2026.

O tabaco consolidou sua posição como principal produto exportado pelo Rio Grande do Sul no início de 2026, com vendas de US$ 206,5 milhões e 33,4 mil toneladas em janeiro. Isso destaca a importância histórica e econômica da cadeia produtiva de tabaco para o comércio exterior gaúcho, superando produtos como tortas de soja, trigo e óleo de soja. O Vale do Rio Pardo e arredores são regiões chave para a produção, que continua impulsionada pela demanda internacional. O perfil das exportações gaúchas inclui forte predominância do agronegócio, com destaque também para produtos semi-industrializados e segmentos industriais, como polímeros, autopeças e máquinas agrícolas.

O mercado de soja no Brasil enfrenta desafios climáticos e logísticos significativos, com impacto nas cotações e na rentabilidade dos produtores em diversas regiões. No Rio Grande do Sul, chuvas recentes aliviaram parcialmente as lavouras, mas ainda há cortes na produtividade. Santa Catarina é impulsionada pela demanda da indústria de carnes, e o Paraná tem avanço na colheita, com pressão logística no Porto de Paranaguá. Os estados do Centro-Oeste enfrentam desafios de armazenagem, afetando preços e competitividade. Internacionalmente, o mercado está cauteloso devido às perspectivas do USDA nos EUA. No Brasil, a taxa Selic alta influencia o crédito agrícola, enquanto a inflação controlada traz estabilidade ao câmbio, mas limita investimentos necessários para escoamento da safra.

A preferência chinesa pela soja brasileira é sustentada por uma relação de preços favoráveis, apesar das pressões no mercado interno devido ao câmbio valorizado e avanço da colheita. Segundo Anderson Nacaxe, CEO da Oken.Finance, os preços voltaram a mínimas, aumentando a dependência da demanda externa para o escoamento da produção nacional. O acesso a esse conteúdo é exclusivo para usuários cadastrados no Agrolink.