
Indicações Geográficas: Crescimento do Reconhecimento de Produtos Brasileiros e Impacto Econômico no Mercado Global
Nos últimos anos, o Brasil viu um aumento significativo no número de Indicações Geográficas (IGs), com o número de certificações mais que dobrando nos últimos cinco anos, atingindo 151 em janeiro de 2026. Este avanço é impulsionado pelo trabalho do Sebrae na identificação e promoção de territórios potenciais para IGs. A certificação de IGs, que pode ser de Denominação de Origem ou Indicação de Procedência, é crucial para produtos como o mel de melato de Bracatinga, reconhecido internacionalmente. Os cafés brasileiros também lideram em registros de IGs, com 20 certificações destacando-se pela qualidade e inovação. Além disso, o artesanato, especialmente do Nordeste, é uma área com significativo número de IGs, refletindo a diversidade cultural e a riqueza dos produtos regionais.
Produtos regionais: Crescimento das Indicações Geográficas no Brasil
Os produtos que incorporam o sabor regional e a tradição local têm ganhado destaque no Brasil, impulsionando o crescimento das Indicações Geográficas (IGs). Nos últimos cinco anos, o país viu mais do que dobrar o número de registros de IGs, refletindo a combinação entre inovação, tradição e estímulo econômico. Em 2020, havia 73 certificações emitidas pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), número que chegou a 150 no ano passado, e atingiu 151 em janeiro de 2026, com a inclusão das tortas de Carambeí (PR).
Desde 2003, o Sebrae tem desempenhado um papel crucial no apoio a pequenos produtores para obter registros junto ao INPI. Em 2025, o Sebrae identificou 69 territórios promissores para reconhecimento como IG após realizar 95 diagnósticos. Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, acredita que o crescimento das IGs continuará a uma taxa estável de 20% ao ano, considerando que o processo de estruturação de uma IG pode durar até 30 meses.
No ano passado, o Sebrae avançou significativamente em áreas como governança e estratégias de mercado, promovendo rodadas de negócios e mentorias internacionais em colaboração com o programa AL Invest da União Europeia.
Potencial da apicultura brasileira
A certificação de Indicação Geográfica, que compreende a Denominação de Origem (DO) e a Indicação de Procedência (IP), assegura que um produto ou serviço tenha qualidades associadas a sua região de origem. Um exemplo disso é o mel de melato de Bracatinga, com certificado de DO, produzido no Planalto Sul brasileiro. Reconhecido como “ouro negro” pelo seu valor nutricional, o mel de melato de Bracatinga é amplamente exportado, principalmente para a Alemanha e os Estados Unidos.
A Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina conquistou a certificação em 2021, com o apoio contínuo do Sebrae. Apesar dos desafios de distribuição, o mel já está presente em diversas regiões, como o Nordeste, Espírito Santo e Amapá.
Qualidade em destaque no setor cafeeiro
O café, produto com o maior número de IGs, reúne 20 registros entre as atuais 151 IGs do país. Majoritariamente categorizadas como Indicação de Procedência, estas certificações estão concentradas nos estados de Minas Gerais e São Paulo.
No Sudoeste de Minas, a Associação dos Cafeicultores do Sudoeste de Minas lidera a produção de café sob a IG Sudoeste de Minas, com 100 sacas anuais vendidas em microlotes. Edivaldo de Oliveira, pequeno produtor do Café Frutuoso, relata que o destaque em competições de qualidade da bebida tem aberto mercado, inclusive para exportação indireta ao Canadá.
Desde 2024, a plataforma Origem Controlada Café auxílio no monitoramento técnico de IGs, compreendendo cerca de 3.500 produtores e 4 mil propriedades, com registro de 120 mil selos de certificação.
Diversificação das IGs no artesanato
Além do café, o artesanato brasileiro também se sobressai em termos de Indicações Geográficas, com 18 registros, 12 deles concentrados na região Nordeste, como a cerâmica de Alegria e a renda de bilros de Aquiraz, no Ceará.



