
A China está incrementando suas importações de soja do Brasil no primeiro semestre do ano, em resposta a uma produção recorde e preços mais competitivos. Isso reforça a posição da América do Sul como líder frente ao maior importador de oleaginosas do mundo.
Processadores privados na China estão firmando acordos para a compra de soja brasileira a partir de fevereiro, à medida que a colheita acelera, trazendo maior oferta e pressionando os preços, de acordo com fontes comerciais. Este movimento pode impactar a demanda por soja dos EUA quando a temporada de exportação americana abrir em setembro.
Recentemente, as empresas estatais Sinograin e COFCO adquiriram cerca de 12 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos. No entanto, os altos preços dos EUA afastaram compradores privados, que optam pela soja brasileira, beneficiada por menores tarifas.
Pequim mesmo pode instruir mais aquisições através de compradores estatais para atender às exigências do acordo comercial com Washington. Contudo, a taxa de importação de 13% da soja norte-americana torna-a menos atraente quando comparada aos suprimentos brasileiros, que sofrem apenas uma tarifa de 3%.
"Os volumes atuais de compra dos EUA são limitados, preservando apenas uma atmosfera política positiva antes da reunião entre os líderes", comentou Dan Wang, diretor do Eurasia Group na China. "Um comprometimento maior poderá ocorrer caso a reunião em abril reduza tarifas e aborde mais a questão de Taiwan", completou.
Entre março e junho, as margens de esmagamento da soja brasileira continuarão favoráveis, dizem os operadores. Prevê-se um aumento nas exportações do Brasil para a China neste período, reforçou um operador de uma empresa global, destacando que os preços brasileiros são mais competitivos.
No mês passado, a soja brasileira para embarque em dezembro estava cotada a US$507,90 por tonelada. Em contrapartida, os suprimentos do Golfo dos EUA atingiram US$516,90 e os do Noroeste do Pacífico chegaram a US$510,50, deixando a soja norte-americana mais cara, mesmo sem considerar tarifas.
Em resposta ao encontro dos líderes em outubro, a China retomou compras dos EUA. A Casa Branca anunciou um acordo onde a China deve adquirir pelo menos 25 milhões de toneladas anuais a partir de 2026.
A safra recorde prevista para 2025/26 no Brasil, de 182,2 milhões de toneladas, junto com uma safra robusta esperada na Argentina, pode pressionar ainda mais os preços americanos. "Nosso grande volume torna nossa soja mais barata", afirmou Adelson Gasparin, corretor brasileiro, referindo-se à competitividade dos grãos brasileiros.
Marcela Marini, analista do Rabobank, prevê que o Brasil exporte cerca de 85 milhões de toneladas para a China entre setembro de 2025 e agosto de 2026. Já foram reservadas entre 42 e 44 milhões de toneladas de soja brasileira para o período, apontam operadores asiáticos.
O robusto rebanho suíno da China deve sustentar a demanda por farelo de soja até o segundo trimestre de 2026, apesar dos esforços governamentais para reduzir a capacidade excedente, observaram analistas.

A preferência chinesa pela soja brasileira é sustentada por uma relação de preços favoráveis, apesar das pressões no mercado interno devido ao câmbio valorizado e avanço da colheita. Segundo Anderson Nacaxe, CEO da Oken.Finance, os preços voltaram a mínimas, aumentando a dependência da demanda externa para o escoamento da produção nacional. O acesso a esse conteúdo é exclusivo para usuários cadastrados no Agrolink.

O IPCA-15 subiu 0,20% em janeiro, ligeiramente inferior à alta de 0,25% em dezembro. Em 12 meses, o índice acumula aumento de 4,50%. Habitação e Transportes caíram, enquanto Saúde e cuidados pessoais lideraram o aumento com alta de 0,81%. Alimentação e bebidas aceleraram, com alta influenciada por tomates e batata-inglesa. Embora passagens aéreas e transporte urbano tenham caído em Transportes, combustíveis subiram 1,25%.

O setor de lácteos da Argentina, em 2025, alcançou seu melhor desempenho externo em 12 anos, graças à modernização da cadeia produtiva e condições de mercado favoráveis. O país exportou 425.042 toneladas de produtos lácteos, gerando US$ 1,69 bilhão, um aumento de 11% em volume e 20% em valor em relação ao ano anterior. O volume exportado representou 27% da produção nacional, que atingiu 11,618 bilhões de litros, o maior da década. O leite em pó integral liderou as exportações, com o Brasil como principal parceiro. A expansão do setor leiteiro integra um crescimento mais amplo do agronegócio argentino.

A soja teve queda nos preços no Paraná e em Paranaguá, com desvalorizações de 1,12% e 2,18%, respectivamente. No interior do Paraná, a saca é cotada a R$ 119,83, enquanto no litoral chega a R$ 124,76. Em contraste, o trigo presenta reajustes para cima, com aumentos de 0,13% no Paraná (R$ 1.176,36 por tonelada) e 0,31% no Rio Grande do Sul (R$ 1.057,34 por tonelada). A padronização da saca em 60 kg facilita a comercialização e monitoramento de preços.

As importações brasileiras de fertilizantes atingiram um recorde histórico de 45,5 milhões de toneladas em 2025, superando o total de 44,28 milhões de toneladas em 2024, conforme o Boletim Logístico divulgado pela Conab. Esse aumento de 2,68% destaca a confiança do setor agrícola no Brasil, com Mato Grosso, Paraná e São Paulo liderando o consumo. O crescimento nas importações apoia o planejamento para expansão da área plantada e melhorias na produtividade, reforçando a robustez da cadeia de suprimentos agrícolas no país.