
China Aumenta Importações de Soja Brasileira com Preços Competitivos e Safra Recorde
A China deve aumentar suas importações de soja do Brasil no primeiro semestre, favorecida por uma produção recorde e preços competitivos. Essa demanda crescente pode impactar as importações dos EUA, que enfrentam tarifas mais altas. A soja brasileira é cotada abaixo dos preços americanos, tornando-se uma alternativa mais barata para os compradores chineses. As estatais chinesas adquiriram cerca de 12 milhões de toneladas dos EUA após compromissos políticos, mas os volumes estão abaixo das expectativas. Com a produção recorde na América do Sul, a oferta brasileira continuará pressionando os preços, prevendo-se maiores exportações do Brasil para a China de março a junho. A Analystas indicam que a diferença de preço pode aumentar, favorecendo ainda mais as importações brasileiras. As reservas chinesas até agosto já somam 42 a 44 milhões de toneladas de soja brasileira.
Aumento das Importações de Soja Brasileira pela China no Primeiro Semestre
A China está incrementando suas importações de soja do Brasil no primeiro semestre do ano, em resposta a uma produção recorde e preços mais competitivos. Isso reforça a posição da América do Sul como líder frente ao maior importador de oleaginosas do mundo.
Processadores privados na China estão firmando acordos para a compra de soja brasileira a partir de fevereiro, à medida que a colheita acelera, trazendo maior oferta e pressionando os preços, de acordo com fontes comerciais. Este movimento pode impactar a demanda por soja dos EUA quando a temporada de exportação americana abrir em setembro.
Recentemente, as empresas estatais Sinograin e COFCO adquiriram cerca de 12 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos. No entanto, os altos preços dos EUA afastaram compradores privados, que optam pela soja brasileira, beneficiada por menores tarifas.
Pequim mesmo pode instruir mais aquisições através de compradores estatais para atender às exigências do acordo comercial com Washington. Contudo, a taxa de importação de 13% da soja norte-americana torna-a menos atraente quando comparada aos suprimentos brasileiros, que sofrem apenas uma tarifa de 3%.
"Os volumes atuais de compra dos EUA são limitados, preservando apenas uma atmosfera política positiva antes da reunião entre os líderes", comentou Dan Wang, diretor do Eurasia Group na China. "Um comprometimento maior poderá ocorrer caso a reunião em abril reduza tarifas e aborde mais a questão de Taiwan", completou.
Entre março e junho, as margens de esmagamento da soja brasileira continuarão favoráveis, dizem os operadores. Prevê-se um aumento nas exportações do Brasil para a China neste período, reforçou um operador de uma empresa global, destacando que os preços brasileiros são mais competitivos.
No mês passado, a soja brasileira para embarque em dezembro estava cotada a US$507,90 por tonelada. Em contrapartida, os suprimentos do Golfo dos EUA atingiram US$516,90 e os do Noroeste do Pacífico chegaram a US$510,50, deixando a soja norte-americana mais cara, mesmo sem considerar tarifas.
Em resposta ao encontro dos líderes em outubro, a China retomou compras dos EUA. A Casa Branca anunciou um acordo onde a China deve adquirir pelo menos 25 milhões de toneladas anuais a partir de 2026.
A safra recorde prevista para 2025/26 no Brasil, de 182,2 milhões de toneladas, junto com uma safra robusta esperada na Argentina, pode pressionar ainda mais os preços americanos. "Nosso grande volume torna nossa soja mais barata", afirmou Adelson Gasparin, corretor brasileiro, referindo-se à competitividade dos grãos brasileiros.
Marcela Marini, analista do Rabobank, prevê que o Brasil exporte cerca de 85 milhões de toneladas para a China entre setembro de 2025 e agosto de 2026. Já foram reservadas entre 42 e 44 milhões de toneladas de soja brasileira para o período, apontam operadores asiáticos.
O robusto rebanho suíno da China deve sustentar a demanda por farelo de soja até o segundo trimestre de 2026, apesar dos esforços governamentais para reduzir a capacidade excedente, observaram analistas.



