
Santa Catarina: PIB cresce 2,9% em 12 meses até março de 2026 e supera a média nacional com serviços e agroindústria em destaque
O Boletim de Indicadores Econômico‑Fiscais da Seplan mostra que Santa Catarina continua com desempenho acima da média nacional. No acumulado de 12 meses encerrados em março, o PIB estadual cresceu 2,9% ante 2,0% no Brasil. Os serviços seguem como principal motor, com alta de 4,1%, destacando-se serviços técnicos e profissionais (+9,6%), administração pública (+8,3%) e serviços de informação (+5,3%), evidenciando maior participação de atividades ligadas à inovação e tecnologia.
Santa Catarina cresce acima da média do país e reforça emprego, serviços e força do agro em 2026
Santa Catarina segue com desempenho econômico acima da média nacional, mesmo diante de um cenário de desaceleração da economia brasileira e mundial. É o que aponta o Boletim de Indicadores Econômico-Fiscais divulgado em junho pela Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan).
No acumulado de 12 meses encerrados em março, o Produto Interno Bruto (PIB) catarinense cresceu 2,9% em comparação com o mesmo período anterior. No mesmo recorte, a economia brasileira avançou 2%, o que mantém Santa Catarina em posição de destaque entre os estados com maior dinamismo.
Serviços lideram crescimento e ganham peso com inovação e tecnologia
O setor de serviços permaneceu como o principal motor do crescimento catarinense, com alta de 4,1% no acumulado de 12 meses. O boletim destaca que os segmentos mais intensivos em conhecimento e tecnologia vêm ampliando participação na estrutura produtiva do estado, reforçando uma economia mais conectada a inovação e serviços especializados.
Entre os destaques:
Serviços técnicos e profissionais: crescimento de 9,6%
Administração pública: alta de 8,3%
Serviços de informação: expansão de 5,3%
Esse movimento sinaliza uma transformação gradual da economia catarinense, com maior relevância de atividades ligadas a tecnologia, informação e prestação de serviços com alto valor agregado.
Varejo de Santa Catarina avança e supera desempenho nacional
No comércio, o estado também manteve resultados superiores ao cenário brasileiro. O comércio catarinense cresceu 2,3% no acumulado de 12 meses, enquanto o Brasil teve alta de apenas 0,2% no mesmo período.
Com esse desempenho, Santa Catarina alcançou a 5ª posição nacional em crescimento do varejo entre os maiores estados, refletindo o fortalecimento do consumo e a resiliência da atividade comercial local.
Exportações: adaptação ao cenário global e China como principal destino
Mesmo com mudanças no ambiente internacional, Santa Catarina mostrou capacidade de adaptação no comércio exterior. O estado manteve participação relevante nas exportações brasileiras de produtos industrializados e agroindustriais.
Em 2026, a China consolidou-se como o principal destino das exportações catarinenses. Além disso, mercados como Japão, México e Países Baixos ampliaram sua participação, sinalizando diversificação de destinos e oportunidades para a indústria e o agronegócio local.
Agropecuária sustenta crescimento com pecuária e exportações de proteínas
A agropecuária teve papel relevante na sustentação do crescimento econômico. O setor avançou 3,1% no acumulado de 12 meses, impulsionado principalmente pela pecuária, que cresceu 4,4%.
A produção de aves e suínos manteve trajetória positiva, reforçando Santa Catarina como uma das principais potências agroindustriais do país. O boletim aponta que o desempenho das exportações foi novamente um dos principais destaques, especialmente na avicultura e na suinocultura, com recordes históricos de faturamento.
Em foco (economia + saúde): a combinação de emprego elevado, renda em alta e expansão do setor de serviços pode influenciar diretamente o acesso a bens e serviços, inclusive os relacionados ao bem-estar e à organização da vida urbana.
Indústria tem comportamento desigual; alimentos crescem e veículos recuam
O desempenho da indústria foi descrito como heterogêneo. Segmentos ligados ao agronegócio e alguns produtores de bens de capital e insumos industriais apresentaram resultados positivos, enquanto áreas relacionadas a bens duráveis enfrentaram cenário mais adverso.
Um exemplo foi a indústria de alimentos, que cresceu 4,9%, favorecida pelo bom desempenho da pecuária e pela expansão das exportações. Em contrapartida, a fabricação de veículos registrou retração de 17,0%.
Apesar das diferenças internas, Santa Catarina manteve desempenho industrial mais favorável do que a média nacional no período, sustentada pelo dinamismo do mercado de trabalho, competitividade de setores ligados ao agronegócio e pela diversificação produtiva.
No acumulado de 12 meses, a indústria de transformação ficou estável em Santa Catarina, enquanto no Brasil recuou 0,9%. O boletim associa o cenário nacional a fatores como juros em patamar elevado, crédito mais restritivo e desaceleração gradual da demanda interna.
No ambiente internacional, o documento cita aumento de tensões geopolíticas, volatilidade cambial e avanço de medidas protecionistas, incluindo ampliação de barreiras tarifárias adotadas pelos Estados Unidos, elevando incertezas no comércio global e afetando o ambiente de negócios industrial.
Mercado de trabalho: menor desemprego do Brasil, mais vagas e renda acima da média
O mercado de trabalho segue como um dos pilares do desempenho catarinense. Santa Catarina manteve a menor taxa de desemprego do país, além de registrar os menores índices de informalidade e subutilização da força de trabalho, segundo o boletim.
No primeiro trimestre de 2026, a força de trabalho foi estimada em 4,632 milhões de pessoas, com 97,3% ocupadas. Na comparação com o trimestre anterior, houve aumento de 15 mil ocupados. Em relação ao mesmo trimestre de 2025, o crescimento foi de 91 mil pessoas.
Perfil do emprego em Santa Catarina
Dos 4,506 milhões de ocupados:
56,9% estavam no setor privado; desses, 86,7% tinham carteira assinada (o maior percentual do país)
9,4% atuavam no setor público
24,5% trabalhavam por conta própria
5% eram empregadores
3,4% eram trabalhadores domésticos
0,8% eram trabalhadores familiares auxiliares
Onde os catarinenses trabalham: distribuição por setor
Setor Participação Indústria geral 23,6% Comércio 17,2% Administração pública, defesa, seguridade, educação, saúde e serviços sociais 14,5% Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas 13,2% Construção 7,1% Agropecuária, florestas e pesca 6,5% Transportes, armazenagem e correio 5,5% Outros serviços 4,7% Alojamento e alimentação 4,3% Serviços domésticos 3,4%
Outro dado de destaque foi a taxa de desocupação: 2,7% em Santa Catarina, a menor do país no trimestre, enquanto a média nacional foi de 6,1%.
Até abril de 2026, o estado registrou a criação de 63 mil vagas formais, o 3º maior saldo de empregos do Brasil, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. Já o rendimento médio do trabalhador catarinense chegou a R$ 4.298, o 4º maior do país, acima da média nacional de R$ 3.722.
Resumo dos principais indicadores
PIB de Santa Catarina: +2,9% (12 meses até março)
PIB do Brasil: +2% no mesmo período
Serviços: +4,1%, com foco em tecnologia e atividades especializadas
Comércio: +2,3% (Brasil: +0,2%)
Agropecuária: +3,1%; pecuária: +4,4%
Indústria de alimentos: +4,9%; veículos: -17,0%
Desemprego: 2,7% (menor do Brasil)
Renda média: R$ 4.298 (acima da média nacional)
Com serviços em expansão, exportações relevantes e mercado de trabalho aquecido, Santa Catarina mantém ritmo superior ao do país e consolida um cenário de resiliência econômica em 2026, mesmo sob pressões internas e externas sobre a atividade industrial.
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