
Santa Catarina segue com desempenho econômico acima da média nacional, mesmo diante de um cenário de desaceleração da economia brasileira e mundial. É o que aponta o Boletim de Indicadores Econômico-Fiscais divulgado em junho pela Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan).
No acumulado de 12 meses encerrados em março, o Produto Interno Bruto (PIB) catarinense cresceu 2,9% em comparação com o mesmo período anterior. No mesmo recorte, a economia brasileira avançou 2%, o que mantém Santa Catarina em posição de destaque entre os estados com maior dinamismo.
O setor de serviços permaneceu como o principal motor do crescimento catarinense, com alta de 4,1% no acumulado de 12 meses. O boletim destaca que os segmentos mais intensivos em conhecimento e tecnologia vêm ampliando participação na estrutura produtiva do estado, reforçando uma economia mais conectada a inovação e serviços especializados.
Entre os destaques:
Serviços técnicos e profissionais: crescimento de 9,6%
Administração pública: alta de 8,3%
Serviços de informação: expansão de 5,3%
Esse movimento sinaliza uma transformação gradual da economia catarinense, com maior relevância de atividades ligadas a tecnologia, informação e prestação de serviços com alto valor agregado.
No comércio, o estado também manteve resultados superiores ao cenário brasileiro. O comércio catarinense cresceu 2,3% no acumulado de 12 meses, enquanto o Brasil teve alta de apenas 0,2% no mesmo período.
Com esse desempenho, Santa Catarina alcançou a 5ª posição nacional em crescimento do varejo entre os maiores estados, refletindo o fortalecimento do consumo e a resiliência da atividade comercial local.
Mesmo com mudanças no ambiente internacional, Santa Catarina mostrou capacidade de adaptação no comércio exterior. O estado manteve participação relevante nas exportações brasileiras de produtos industrializados e agroindustriais.
Em 2026, a China consolidou-se como o principal destino das exportações catarinenses. Além disso, mercados como Japão, México e Países Baixos ampliaram sua participação, sinalizando diversificação de destinos e oportunidades para a indústria e o agronegócio local.
A agropecuária teve papel relevante na sustentação do crescimento econômico. O setor avançou 3,1% no acumulado de 12 meses, impulsionado principalmente pela pecuária, que cresceu 4,4%.
A produção de aves e suínos manteve trajetória positiva, reforçando Santa Catarina como uma das principais potências agroindustriais do país. O boletim aponta que o desempenho das exportações foi novamente um dos principais destaques, especialmente na avicultura e na suinocultura, com recordes históricos de faturamento.
Em foco (economia + saúde): a combinação de emprego elevado, renda em alta e expansão do setor de serviços pode influenciar diretamente o acesso a bens e serviços, inclusive os relacionados ao bem-estar e à organização da vida urbana.
O desempenho da indústria foi descrito como heterogêneo. Segmentos ligados ao agronegócio e alguns produtores de bens de capital e insumos industriais apresentaram resultados positivos, enquanto áreas relacionadas a bens duráveis enfrentaram cenário mais adverso.
Um exemplo foi a indústria de alimentos, que cresceu 4,9%, favorecida pelo bom desempenho da pecuária e pela expansão das exportações. Em contrapartida, a fabricação de veículos registrou retração de 17,0%.
Apesar das diferenças internas, Santa Catarina manteve desempenho industrial mais favorável do que a média nacional no período, sustentada pelo dinamismo do mercado de trabalho, competitividade de setores ligados ao agronegócio e pela diversificação produtiva.
No acumulado de 12 meses, a indústria de transformação ficou estável em Santa Catarina, enquanto no Brasil recuou 0,9%. O boletim associa o cenário nacional a fatores como juros em patamar elevado, crédito mais restritivo e desaceleração gradual da demanda interna.
No ambiente internacional, o documento cita aumento de tensões geopolíticas, volatilidade cambial e avanço de medidas protecionistas, incluindo ampliação de barreiras tarifárias adotadas pelos Estados Unidos, elevando incertezas no comércio global e afetando o ambiente de negócios industrial.
O mercado de trabalho segue como um dos pilares do desempenho catarinense. Santa Catarina manteve a menor taxa de desemprego do país, além de registrar os menores índices de informalidade e subutilização da força de trabalho, segundo o boletim.
No primeiro trimestre de 2026, a força de trabalho foi estimada em 4,632 milhões de pessoas, com 97,3% ocupadas. Na comparação com o trimestre anterior, houve aumento de 15 mil ocupados. Em relação ao mesmo trimestre de 2025, o crescimento foi de 91 mil pessoas.
Dos 4,506 milhões de ocupados:
56,9% estavam no setor privado; desses, 86,7% tinham carteira assinada (o maior percentual do país)
9,4% atuavam no setor público
24,5% trabalhavam por conta própria
5% eram empregadores
3,4% eram trabalhadores domésticos
0,8% eram trabalhadores familiares auxiliares
Setor Participação Indústria geral 23,6% Comércio 17,2% Administração pública, defesa, seguridade, educação, saúde e serviços sociais 14,5% Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas 13,2% Construção 7,1% Agropecuária, florestas e pesca 6,5% Transportes, armazenagem e correio 5,5% Outros serviços 4,7% Alojamento e alimentação 4,3% Serviços domésticos 3,4%
Outro dado de destaque foi a taxa de desocupação: 2,7% em Santa Catarina, a menor do país no trimestre, enquanto a média nacional foi de 6,1%.
Até abril de 2026, o estado registrou a criação de 63 mil vagas formais, o 3º maior saldo de empregos do Brasil, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. Já o rendimento médio do trabalhador catarinense chegou a R$ 4.298, o 4º maior do país, acima da média nacional de R$ 3.722.
PIB de Santa Catarina: +2,9% (12 meses até março)
PIB do Brasil: +2% no mesmo período
Serviços: +4,1%, com foco em tecnologia e atividades especializadas
Comércio: +2,3% (Brasil: +0,2%)
Agropecuária: +3,1%; pecuária: +4,4%
Indústria de alimentos: +4,9%; veículos: -17,0%
Desemprego: 2,7% (menor do Brasil)
Renda média: R$ 4.298 (acima da média nacional)
Com serviços em expansão, exportações relevantes e mercado de trabalho aquecido, Santa Catarina mantém ritmo superior ao do país e consolida um cenário de resiliência econômica em 2026, mesmo sob pressões internas e externas sobre a atividade industrial.
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O aumento da frequência de secas, enchentes, ondas de calor e outros eventos climáticos extremos está transformando a maneira como o segmento de seguro rural avalia os riscos no agronegócio brasileiro.

A Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) informa que as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro encerraram o mês de abril de 2026 com 2,54 milhões de toneladas. Volume significa leve redução de 6% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram entregues 2,70 milhões de toneladas.

Um estudo da ABStartups, em parceria com a USP, com base em 170 agtechs brasileiras, revela um ecossistema ainda enxuto e relativamente jovem, mas em desenvolvimento acelerado. Quase metade das startups já captou investimento, sendo 54,8% desses recursos oriundos do próprio estado de origem. Em termos de maturidade, 39,4% têm até três anos e 32,9% já passaram de cinco; 51,4% passaram por pivotagem, indicando forte capacidade de adaptação para atender demandas do campo.

O azeite Alto da Serra Blend, produzido em Cristina, no Sul de Minas, ganhou a Medalha de Ouro na Evo International Olive Oil Contest (Evo IOOC) 2026, realizada na Itália, no dia 26, em Palmi, Calábria. O azeite, extraído no Campo Experimental da Epamig, em Maria da Fé, ficou entre os cinco melhores da América do Sul e disputou o prêmio Raúl C. Castellani. O olivicultor Alisson Moreira celebrou: foi o primeiro concurso em que participam e o foco é a qualidade, tornando-se muito gratificante. A atividade começou após conhecer a boa adaptação da oliveira à região; o sítio fica em Cristina, próximo a Maria da Fé. O cultivo familiar ocupa 1,5 hectare, com altitude de 1,5 mil metros, e conta com 340 oliveiras. A primeira produção, em 2022, rendeu cerca de 12 litros; em 2024 surgiu a marca Alto da Serra, que vende diretamente na propriedade, em empórios parceiros e pelo Instagram. Em 2026, foram produzidos 304 litros de azeite. Segundo os especialistas, a qualidade do azeite motivou a participação em concursos, e o produtor já cogita fazer um curso de sommelier para aprofundar o conhecimento sobre as características do produto.

A agricultura continuará sendo uma atividade marcada por incertezas. Não existe solução capaz de eliminar completamente os riscos associados ao clima, aos mercados e à dinâmica de custos. Ainda assim, algumas operações conseguem atravessar turbulências com mais estabilidade do que outras.