
Estimativas oficiais apontam retração puxada por commodities agrícolas, enquanto a bovinocultura mantém desempenho positivo sustentado pela demanda externa.
O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Brasil alcançou aproximadamente R$ 1,4 trilhão nas estimativas mais recentes divulgadas em maio pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, indicando um cenário de queda de receita em 2026 após um ciclo de sete anos consecutivos de alta. A retração é atribuída, principalmente, à redução dos preços médios de importantes commodities, apesar da expectativa de volumes elevados em diversas cadeias.
Na comparação anual, o Ministério estima que o VBP de 2026 fique em torno de R$ 1,42 trilhão, o que representa 4,6% abaixo do registrado em 2025. A perda de fôlego ocorre tanto nas lavouras quanto na pecuária, com maior intensidade no segmento agrícola.
Destaque: o recuo do VBP não está ligado apenas a produção menor, mas sobretudo ao ajuste de preços e a revisões de expectativa para algumas culturas.
As lavouras seguem como a maior parcela do VBP nacional. O faturamento estimado é de R$ 908,8 bilhões, equivalente a 64% do total. Já a pecuária soma cerca de R$ 510,2 bilhões, representando 36%.
No recorte de 2026, a previsão indica queda mais forte na agricultura, com o valor da produção recuando para cerca de R$ 909 bilhões (aproximadamente -6%), enquanto a pecuária deve cair para perto de R$ 510 bilhões (cerca de -2,2%).
Segmento VBP estimado Participação Variação anual Lavouras R$ 908,8 bilhões (aprox.) 64% -5,9% a -6% Pecuária R$ 510,2 bilhões (aprox.) 36% -2,2% Total R$ 1,4 a R$ 1,42 trilhão 100% -4,6%
O desempenho mais fraco do VBP reflete, sobretudo, a desvalorização de commodities agropecuárias e mudanças nas expectativas de produção. Entre as maiores quedas registradas nas lavouras estão cacau, laranja e arroz, além de culturas como trigo e algodão.
Batata-inglesa: alta de 22,3%
Feijão: alta de 12,6%
Mandioca: alta de 8,1%
Tomate: alta de 5,6%
Banana: alta de 3,0%
Cacau: -56,8%
Laranja: -38,0%
Arroz: -30,0%
Mamona: -20,1%
Trigo: -18,2%
Amendoim: -14,8%
Uva: -11,4%
Algodão: -10,2%
No caso do arroz, análises de mercado indicam que, mesmo com produção menor, os preços voltaram a cair, em parte devido ao ritmo mais fraco de compras do varejo, que enfrenta dificuldades para repassar vendas ao consumidor. Com isso, o VBP do arroz é estimado em R$ 15,1 bilhões, cerca de 30% abaixo do ano anterior.
O café também aparece sob pressão. A maior oferta global e a expectativa de safra elevada no Brasil tendem a reduzir os preços médios, levando o VBP do setor a aproximadamente R$ 110 bilhões, com queda de 8%. Já a cana-de-açúcar, um dos principais pilares de receita, sofre com a maior oferta internacional de açúcar, que afeta os preços e reduz o VBP para perto de R$ 111 bilhões (-9%).
O milho segue com preços baixos desde o ano anterior, com perspectiva de boa segunda safra, o que mantém as cotações pressionadas. A estimativa é de VBP em torno de R$ 162 bilhões, recuo de aproximadamente 6%.
Mesmo com uma safra recorde estimada em 180 milhões de toneladas, a soja continua exposta ao ciclo de preços. Ainda assim, permanece como o produto de maior peso no VBP, com valor estimado em R$ 338,5 bilhões. O Ministério projeta que a cultura tenha perda de cerca de 1% na receita “dentro da porteira”.
Na sequência da soja, aparecem milho (R$ 162,2 bilhões), cana-de-açúcar (R$ 110,8 bilhões), café (R$ 109,6 bilhões) e algodão (R$ 33,2 bilhões). Esses cinco itens concentram cerca de 53,2% de todo o VBP nacional.
Principais produtos (lavouras) VBP estimado Soja R$ 338,5 bilhões Milho R$ 162,2 bilhões Cana-de-açúcar R$ 110,8 bilhões Café R$ 109,6 bilhões Algodão R$ 33,2 bilhões
Embora o segmento pecuário apresente retração no total, a bovinocultura segue como o principal motor de receita. As estimativas indicam crescimento de 8,9%, com VBP em torno de R$ 248,7 bilhões, sustentado pela demanda e pelo mercado externo, que tem ajudado a dar suporte aos preços.
Em sentido contrário, segmentos relevantes registram quedas, como suínos (-20,3%), frango (-10,4%), ovos (-7,9%) e leite (-4,8%).
Em exportações, os embarques acumulados de janeiro a maio mostraram avanço para as principais proteínas, com destaque para a carne bovina, que cresceu 15%. As exportações de frango aumentaram 8,7% e as de carne suína, 5%, ajudando a equilibrar o cenário de preços no campo.
Em perspectiva: a bovinocultura representa cerca de 17,5% do VBP total estimado para o país, reforçando o peso da cadeia no resultado agregado.
Principais atividades (pecuária) VBP estimado Bovinocultura R$ 248,7 bilhões Avicultura de corte R$ 106,7 bilhões Leite R$ 73,6 bilhões Suinocultura R$ 53 bilhões Ovos R$ 28,2 bilhões
No recorte por estados, Mato Grosso aparece na liderança dos valores brutos apurados, com cerca de R$ 213,5 bilhões, o equivalente a 15% do total nacional. Em seguida vêm Minas Gerais (R$ 171,6 bilhões, ou 12,1%) e São Paulo (R$ 159,6 bilhões, ou 11,2%).
1º Mato Grosso: R$ 213,5 bilhões (15%)
2º Minas Gerais: R$ 171,6 bilhões (12,1%)
3º São Paulo: R$ 159,6 bilhões (11,2%)
O VBP acompanha um conjunto de produtos-chave do campo — 17 itens agrícolas e cinco da pecuária — e é calculado a partir do volume produzido e das perspectivas de preços recebidos pelos produtores. Para 2026, o retrato geral é de produção forte em várias cadeias, mas com receita menor diante do ajuste das cotações, especialmente nas lavouras.

O aumento da frequência de secas, enchentes, ondas de calor e outros eventos climáticos extremos está transformando a maneira como o segmento de seguro rural avalia os riscos no agronegócio brasileiro.

A Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) informa que as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro encerraram o mês de abril de 2026 com 2,54 milhões de toneladas. Volume significa leve redução de 6% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram entregues 2,70 milhões de toneladas.

Um estudo da ABStartups, em parceria com a USP, com base em 170 agtechs brasileiras, revela um ecossistema ainda enxuto e relativamente jovem, mas em desenvolvimento acelerado. Quase metade das startups já captou investimento, sendo 54,8% desses recursos oriundos do próprio estado de origem. Em termos de maturidade, 39,4% têm até três anos e 32,9% já passaram de cinco; 51,4% passaram por pivotagem, indicando forte capacidade de adaptação para atender demandas do campo.

O azeite Alto da Serra Blend, produzido em Cristina, no Sul de Minas, ganhou a Medalha de Ouro na Evo International Olive Oil Contest (Evo IOOC) 2026, realizada na Itália, no dia 26, em Palmi, Calábria. O azeite, extraído no Campo Experimental da Epamig, em Maria da Fé, ficou entre os cinco melhores da América do Sul e disputou o prêmio Raúl C. Castellani. O olivicultor Alisson Moreira celebrou: foi o primeiro concurso em que participam e o foco é a qualidade, tornando-se muito gratificante. A atividade começou após conhecer a boa adaptação da oliveira à região; o sítio fica em Cristina, próximo a Maria da Fé. O cultivo familiar ocupa 1,5 hectare, com altitude de 1,5 mil metros, e conta com 340 oliveiras. A primeira produção, em 2022, rendeu cerca de 12 litros; em 2024 surgiu a marca Alto da Serra, que vende diretamente na propriedade, em empórios parceiros e pelo Instagram. Em 2026, foram produzidos 304 litros de azeite. Segundo os especialistas, a qualidade do azeite motivou a participação em concursos, e o produtor já cogita fazer um curso de sommelier para aprofundar o conhecimento sobre as características do produto.

A agricultura continuará sendo uma atividade marcada por incertezas. Não existe solução capaz de eliminar completamente os riscos associados ao clima, aos mercados e à dinâmica de custos. Ainda assim, algumas operações conseguem atravessar turbulências com mais estabilidade do que outras.