
Agro brasileiro pode gerar até 314,3 milhões de créditos de carbono até 2035
Levantamento da Carbonn Nature, do Instituto Equilíbrio e do IEAg/ABAG estima que o agronegócio brasileiro pode gerar até 314,3 milhões de tCO2e em créditos de carbono até 2035 no cenário integral. No recorte conservador, o potencial recua para 25,6 milhões de tCO2e; simulações de venda de 5% do volume apontam receitas diferentes no CORSIA e em ITMOs.
Um estudo da Carbonn Nature, do Instituto Equilíbrio e do IEAg/ABAG estima que o agronegócio brasileiro tem potencial para gerar até 314,3 milhões de créditos de carbono (tCO2e) até 2035. O recorte, chamado de cenário integral, cobre o intervalo de 2024 a 2035 e inclui projetos no pipeline — em desenvolvimento, em validação e já registrados. A geração está associada a manejo aprimorado de terras agrícolas e à redução de metano dos dejetos animais.
O mesmo levantamento apresenta outros dois recortes para o período. No cenário conservador, o potencial cai para 25,6 milhões de tCO2e até 2035, considerando apenas a recuperação de metano e o projeto de manejo agrícola já registrado. Quando entram projetos de manejo da terra em estágio avançado de registro, o volume projetado chega a 230 milhões de tCO2e.
Metodologias e estágio dos projetos
Do teto de 314,3 milhões de tCO2e, 312,1 milhões referem-se à metodologia VM0042 e 2,2 milhões à metodologia AMS-III.D.
No Brasil, o estudo identificou 17 projetos da metodologia VM0042. Desse conjunto, oito estão em desenvolvimento, sete em validação, um está registrado e apto para verificação e um foi rejeitado. Nas duas metodologias analisadas, o total de créditos já emitidos e disponíveis para comercialização imediata é de 2.033 unidades.
Simulações de receita em mercados distintos
Em simulação para o mercado do CORSIA, a venda internacional de 5% do potencial total — 15,7 milhões de tCO2e — poderia movimentar R$ 3,54 bilhões. O exercício usa preço de referência de US$ 45 por tonelada e taxa de câmbio de R$ 5,01 por dólar.
Em outro recorte, a venda de 5% do potencial em ITMOs com mercados bilaterais poderia movimentar R$ 2,36 bilhões, com preço de referência de US$ 30 por tonelada e a mesma taxa de câmbio.
Marco legal e proposta de limite para transferências
A Lei nº 15.042/2024 instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) e excluiu a produção primária agropecuária de obrigações reguladas.
Consulta pública encerrada em 6 de agosto de 2026 propôs limite global inicial de 50 milhões de tCO2e para transferências internacionais de mitigação entre 2031 e 2035. A medida figura como proposta regulatória do governo brasileiro para o Artigo 6, e não como resolução definitiva.
Nematoides nas áreas agrícolas
Em dados citados à parte, a Sociedade Brasileira de Nematologia estima perdas anuais de R$ 65 bilhões causadas por nematoides nas áreas agrícolas brasileiras.
Levantamentos nacionais citados por Angélica Calandrelli e Lucas Pereira da Silva apontam a presença desses patógenos em 94% das áreas agrícolas no país. O gênero Pratylenchus spp. foi detectado em cerca de 76% das áreas. No Mato Grosso, o projeto Caçadores de Nematoides constatou Pratylenchus spp. em 100% das áreas avaliadas no estado.




