
Alerta no agronegócio: conflitos globais elevam preços e trazem risco de desabastecimento de fertilizantes
O agronegócio brasileiro enfrenta um cenário de alerta com a alta recente nos preços da ureia e do nitrato de amônio, impulsionada por tensões no Oriente Médio. Além disso, restrições de exportação da China geram projeções de escassez de fertilizantes fosfatados para 2026.
O agronegócio brasileiro mantém uma forte dependência do mercado externo para garantir a nutrição de suas lavouras. Dados recorrentes da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), apontados desde março de 2022, indicam que 85% dos insumos utilizados no país têm origem estrangeira. O balanço do ano de 2025 ilustra esse cenário estrutural em volumes absolutos: enquanto a produção nacional de fertilizantes somou 7,2 milhões de toneladas, o Brasil importou um total de 43,3 milhões de toneladas, segundo a Anda.
Impacto imediato nos preços
Essa exposição ao mercado internacional já reflete impactos financeiros imediatos. Na última semana, levantamentos da StoneX apontaram que os preços da ureia subiram 15% nos portos brasileiros. No mesmo período, o nitrato de amônio registrou um aumento de cerca de 28%. A consultoria atribui essas fortes altas aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio.
Risco de escassez de fosfatados
Além da volatilidade nos preços, há um alerta governamental e do setor produtivo quanto à disponibilidade física de insumos, especificamente os fertilizantes fosfatados. Em 2025, o Brasil importou 1,6 milhão de toneladas desse produto da China.
Contudo, devido a restrições de exportação impostas pelo país asiático, projeta-se um cenário de dificuldade para o ano de 2026. Empresas do setor e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) estimam um déficit de volume entre 1 e 3 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados. O Mapa avalia ainda a possibilidade de que essa escassez de oferta atinja até 20% da demanda nacional projetada para a safra 2026/2027.




