
Reunião da Comissão Nacional de Fruticultura discutiu ações de prevenção, monitoramento e controle de doenças que impactam a produção de frutas no Brasil e alinhou contribuições para consulta pública do novo programa voltado à videira.
A defesa fitossanitária da fruticultura brasileira foi o tema central de uma reunião da Comissão Nacional de Fruticultura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que reuniu representantes do setor produtivo e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para tratar de estratégias de prevenção, vigilância e controle de pragas e doenças que afetam a produção nacional de frutas.
No encontro, realizado na sexta-feira (19), técnicos do Mapa apresentaram um panorama das principais ações em andamento no país, com ênfase na atuação integrada para reduzir riscos sanitários, preservar a produtividade e dar suporte à comercialização em diferentes regiões. A iniciativa também buscou atualizar federações de agricultura sobre a execução de programas nacionais e reforçar a coordenação entre o Sistema CNA/Senar, os estados e o ministério.
Entre os assuntos discutidos, ganharam destaque as frentes de combate a ameaças fitossanitárias em diferentes polos de produção. A reunião abordou, por exemplo, o controle da mosca-da-carambola e o enfrentamento da monilíase na região Norte, além de medidas voltadas à proteção de áreas produtivas e ao fortalecimento do monitoramento.
Outro ponto de atenção foi o greening dos citros, doença que vem afetando pomares no Sudeste, com registros em Minas Gerais e impacto mais amplo em São Paulo. O tema foi tratado como prioridade por seu potencial de comprometer a sanidade dos citros, a capacidade produtiva e a estabilidade das cadeias de abastecimento.
Também entrou na pauta o controle do moko da bananeira e outras iniciativas conduzidas em conjunto com secretarias estaduais de defesa agropecuária. As ações, segundo o alinhamento apresentado, buscam ampliar a efetividade dos programas por meio de cooperação técnica e atuação coordenada entre entes públicos e o setor produtivo.
Por que isso importa? A defesa fitossanitária é um dos pilares para reduzir perdas no campo, manter padrões sanitários e sustentar a competitividade da fruticultura, especialmente em cadeias com grande circulação de mudas, frutos e insumos.
Um dos destaques do encontro foi a análise da proposta do Programa Nacional de Prevenção e Controle do Cancro Bacteriano da Videira, submetida à consulta pública por meio da Portaria SDA nº 1.620, de 8 de maio de 2026. Representantes do Mapa detalharam o histórico da regulamentação, os principais pontos do texto e aspectos considerados sensíveis para o setor.
A minuta em discussão propõe estratégias diferentes de prevenção e controle conforme o status fitossanitário de cada unidade da federação. O objetivo é adaptar as medidas à realidade regional e tornar mais eficiente o direcionamento de ações como monitoramento, vigilância e controle.
De acordo com a apresentação, as unidades da federação podem ser classificadas conforme o cenário local, o que influencia diretamente a forma de atuação:
Categoria Direcionamento geral das ações Áreas com ocorrência da doença Ênfase em controle, medidas para reduzir disseminação e reforço do acompanhamento. Áreas sem ocorrência Foco em prevenção, vigilância e ações para evitar introdução do patógeno. Áreas livres Regras e rotinas de proteção do status, com monitoramento e protocolos de manutenção. Áreas sob SMR (Sistema de Mitigação de Risco) Adoção de medidas estruturadas para reduzir risco e permitir controle orientado por critérios técnicos.
Segundo a lógica apresentada, a segmentação por status fitossanitário busca evitar medidas uniformes em realidades distintas, permitindo que a vigilância e o controle sejam proporcionais ao risco e às condições de cada região produtora.
Durante a discussão, integrantes da comissão avaliaram os possíveis impactos da proposta na rotina do campo e na cadeia de comercialização, levantando sugestões, dúvidas e preocupações relacionadas à implementação do programa. O debate envolveu questões práticas de execução das medidas e a necessidade de compatibilizar exigências sanitárias com o funcionamento do setor.
Viabilidade operacional das ações de controle e monitoramento em diferentes estados;
Padronização e clareza de procedimentos para reduzir incertezas na aplicação;
Integração entre órgãos estaduais e instâncias federais para evitar lacunas na vigilância;
Efeito sobre a produção e a comercialização, com foco em segurança fitossanitária e continuidade de mercado.
As contribuições debatidas servirão como base para a construção de um posicionamento consolidado do Sistema CNA/Senar a ser encaminhado ao Mapa. A intenção é colaborar com a consulta pública para que o programa fortaleça a segurança fitossanitária sem desconsiderar as condições reais do setor produtivo, incluindo logística, fiscalização e capacidade de adoção das medidas previstas.
Ao final, a reunião reforçou a importância de uma atuação coordenada entre governo federal, estados e cadeia produtiva para enfrentar pragas e doenças que afetam a fruticultura. O alinhamento também buscou ampliar a efetividade das ações, com monitoramento contínuo e respostas mais rápidas frente a ameaças sanitárias, especialmente em regiões onde a pressão de pragas e patógenos tem sido crescente.
Com a consulta pública sobre o cancro bacteriano da videira em discussão, o setor sinaliza que o próximo passo será consolidar recomendações técnicas que contribuam para um programa aplicável, com capacidade de proteção sanitária e adaptação às diferenças regionais do país.
Palavras-chave: defesa fitossanitária, fruticultura brasileira, greening dos citros, mosca-da-carambola, monilíase, moko da bananeira, cancro bacteriano da videira, Mapa, CNA.

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