
Em um momento em que o crédito rural ainda enfrenta restrições e custos elevados, a Basf reforça sua estratégia de ampliar a oferta de operações financeiras estruturadas como alternativa para sustentar o financiamento do agronegócio e, ao mesmo tempo, aproximar o setor de investidores do mercado de capitais. A companhia avalia que a expectativa de queda dos juros pode favorecer esses instrumentos, que buscam reduzir riscos e aumentar a previsibilidade de retorno para quem aplica recursos.
Em entrevista à CNN Brasil Agro, Marcelo Batistela, vice-presidente da Basf Brasil Agro, afirmou que a empresa pretende expandir sua atuação nesse modelo. Segundo ele, a prioridade é manter o fluxo de capital para produtores e distribuidores, criando caminhos para que o investimento chegue ao campo com menor volatilidade.
“Nossa intenção é continuar ofertando crédito com oportunidade de investir e mitigar o risco da atividade. É uma oportunidade que já exploramos e não vamos parar. Temos hoje a expectativa de avançar conforme a demanda cresce no mercado”, disse Batistela.
De acordo com Batistela, o acesso a financiamento em condições adequadas é um componente essencial para a sustentabilidade econômica da produção agrícola. Ele ressalta que, sem capital disponível, a cadeia perde capacidade de investir, o que afeta diretamente a produtividade e compromete o planejamento de safras.
Na avaliação do executivo, as operações estruturadas ganham força por ajudarem a reduzir o custo associado ao risco de inadimplência e por criarem mecanismos de remuneração mais atraentes para investidores. Esse formato tende a fortalecer o ecossistema de crédito ao combinar governança, garantias e estruturação financeira com maior previsibilidade.
“O setor precisa ter acesso a um nível de crédito que consiga remunerar a atividade e garantir o retorno necessário para a continuidade dos investimentos. As operações estruturadas diminuem o custo de risco e geram retorno ao mercado. Sem investimento, não há produtividade e segurança para as captações”, explicou.
O fortalecimento do financiamento ao agro também passa, segundo a Basf, por elevar o padrão de governança dessas operações. Eduardo Gradiz, head de operações financeiras da empresa, destaca que o ambiente econômico atual exige estruturas mais robustas para manter a circulação de recursos na cadeia produtiva.
Em um cenário marcado por margens mais estreitas, juros altos e alongamento de dívidas, a necessidade de organizar melhor o risco e oferecer transparência aumenta. Para Gradiz, o objetivo é dar conforto ao investidor e transformar o crédito ao agro em uma alternativa com maior clareza de retorno.
“Em um cenário de margens estreitas, ambiente de taxas de juros elevadas e dívidas prolongadas, as operações precisam de fortalecimento e governança para atrair novos investidores e gerar retorno da operação do agro em caixa”, afirmou.
O executivo acrescenta que a companhia considera ter obtido bons resultados com esse tipo de iniciativa e indica a intenção de ampliar a oferta ao longo do próximo ano, mesmo com desafios persistentes no ambiente macroeconômico.
“Tivemos sucesso em 2025 e planejamos continuar ofertando estruturas de crédito em 2026. Estamos em um cenário desafiador, mas mais positivo do que no ano passado. Nosso papel vai além de oferecer crédito: queremos construir um mercado cada vez mais sólido para atrair investidores qualificados”, concluiu.
Como parte da estratégia de diversificação das fontes de financiamento, a Basf realizou, em janeiro, uma captação de R$ 1,4 bilhão por meio de um Fiagro-FIDC, voltado a financiar clientes da companhia na aquisição de insumos agrícolas.
O fundo, denominado Opea Agro Insumos e gerido pela Opea, tem foco no financiamento de compras de insumos e foi estruturado com coordenação líder do Itaú BBA e assessoria jurídica do escritório Pinheiro Neto Advogados. Em 2025, o fundo registrou crescimento de 30%, sinalizando expansão do interesse do mercado por instrumentos que conectem capital privado ao agronegócio.
Os recursos foram captados por meio da cessão de recebíveis provenientes das vendas de insumos da Basf para distribuidores, cooperativas e produtores rurais. O formato tem ganhado relevância diante da necessidade de novas alternativas de crédito, especialmente em períodos de maior seletividade bancária e custo elevado do dinheiro.
Mitigação de risco: mecanismos estruturados ajudam a reduzir a percepção de risco e o custo associado às operações.
Atração de investidores: maior governança e previsibilidade ampliam o apetite do mercado financeiro por ativos ligados ao agro.
Continuidade de investimento: crédito mais organizado sustenta compras de insumos, tecnologia e melhorias de produtividade.
Alternativas ao crédito tradicional: soluções como Fiagro-FIDC ampliam as fontes de capital para produtores e cadeia de distribuição.
Tema Destaque Estratégia Ampliação de operações estruturadas para financiar o agro e atrair capital do mercado. Contexto econômico Juros elevados, margens estreitas e alongamento de dívidas aumentam a demanda por estruturas robustas. Instrumento em evidência Fiagro-FIDC com captação de R$ 1,4 bilhão para financiar compra de insumos agrícolas. Tendência Crescimento do interesse por alternativas de financiamento e por ativos do agro com governança.
Com a sinalização de juros potencialmente mais baixos adiante, a Basf avalia que o ambiente pode se tornar mais favorável à expansão de operações estruturadas. A lógica, segundo a empresa, é combinar financiamento ao produtor com mecanismos de mercado que deem mais segurança a investidores, mantendo a roda do crédito girando em uma das cadeias mais relevantes da economia.

Resumo: O Ministério da Agricultura está negociando com a Fazenda um aumento de 10% nos recursos do Plano Safra 2026/27 em relação ao ciclo anterior, o que pode elevar o volume destinado à agricultura empresarial para próximo de R$ 570 bilhões. A agricultura familiar fica sob a condução de outro ministério. O objetivo é manter a taxa de juros “teto” em um dígito, e o novo Plano Safra deve ser anunciado em 1º de julho.

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