
Debates na 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas destacam impacto econômico e necessidade de políticas de apoio, inovação e infraestrutura.
A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas começou com discussões sobre os principais desafios e as perspectivas da cadeia do arroz no Rio Grande do Sul. Realizado na sede da Embrapa Clima Temperado, o encontro reúne lideranças do setor, produtores e instituições de pesquisa, com foco no painel “Cenário Atual e Perspectivas – Conectando Campo e Mercado”.
Ao longo da abertura, representantes de entidades do agro e da pesquisa chamaram atenção para um cenário de custos elevados, dificuldade de acesso ao crédito, volatilidade de preços e rentabilidade pressionada. A avaliação predominante é de que o setor segue resiliente, mas depende de medidas estruturais para manter competitividade e garantir previsibilidade ao produtor.
Durante a cerimônia, o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, afirmou que a orizicultura gaúcha atravessa uma conjuntura marcada por estoques elevados, preços instáveis e endividamento crescente. Segundo ele, o ambiente é agravado por juros altos e por fraudes no mercado de arroz, o que amplia a sensação de insegurança econômica entre produtores.
Nunes reforçou o papel do arroz como um alimento essencial e como parte da identidade produtiva do Rio Grande do Sul, destacando que a cadeia sustenta atividades como transporte, indústria e comércio. Para ele, é necessário ampliar a disponibilidade de linhas de crédito adequadas, fortalecer o seguro rural e melhorar a infraestrutura logística.
Competitividade e regras iguais: o setor defende que concorrentes cumpram as mesmas exigências trabalhistas, ambientais, tributárias e sanitárias aplicadas aos produtores brasileiros.
O dirigente também ressaltou que a digitalização no campo acelera mudanças no processo produtivo, tornando as decisões mais baseadas em dados e menos dependentes de incertezas. Na prática, isso exige investimento contínuo em gestão, monitoramento e capacitação, além de políticas públicas compatíveis com o novo patamar tecnológico.
Um dos pontos centrais do debate foi a desigualdade entre políticas de apoio ao produtor em diferentes regiões. A comparação apresentada indica que, em países da União Europeia, uma parcela relevante da renda do agricultor tem origem em instrumentos estatais, enquanto nos Estados Unidos esse suporte também aparece em proporção maior do que a observada no Brasil. Para representantes do setor, esse desequilíbrio afeta a capacidade de competir em mercados mais integrados e sensíveis a preço.
| Região/País | Parcela da renda do produtor associada a apoio estatal (referência do debate) |
|---|---|
| União Europeia | 19% |
| Estados Unidos | 11% |
| Brasil | 1% a 5% |
A leitura do setor é de que, sem instrumentos de proteção e previsibilidade, aumentam os riscos para quem produz e investe — especialmente em um sistema pressionado por custos financeiros, variações climáticas e oscilações de mercado.
O diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Clima Temperado, Clênio Pillon, destacou o avanço tecnológico na agricultura ao longo das últimas décadas. Ele relembrou que, no passado, o arroz era plantado de forma manual e que, atualmente, a produção se apoia em um ecossistema de inovação com máquinas, técnicas e soluções de maior precisão.
Pillon também contextualizou o crescimento da capacidade produtiva do país, defendendo que a evolução científica contribuiu para ampliar a produção de grãos e reforçar o papel do Brasil no abastecimento alimentar global. Além disso, ele apontou a importância de buscar maior soberania na produção de insumos estratégicos, reduzindo a dependência de importações — um fator que pode interferir diretamente no custo final e na estabilidade do planejamento agrícola.
A preocupação com a rentabilidade apareceu de forma recorrente. O superintendente do Senar, Eduardo Condorelli, avaliou que o momento é delicado e chamou atenção para o impacto direto sobre o faturamento do produtor. A mensagem foi de alerta: mesmo quando a produção se mantém, o resultado econômico pode não acompanhar — e isso limita investimentos, manutenção de tecnologia e renovação de estruturas.
O secretário da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Edivilson Brum, reforçou esse ponto ao citar que o produtor estaria recebendo menos de R$ 1,25 por quilo de arroz produzido, o que, na avaliação apresentada, desestimula a atividade e pressiona economias locais fortemente ligadas ao agronegócio.
A partir desse cenário, lideranças defenderam que o Rio Grande do Sul receba prioridade em políticas federais, sobretudo em medidas que ampliem competitividade e reduzam gargalos — como crédito, seguro e logística.
O presidente do Irga, Alexandre Velho, destacou o crescimento do evento e o papel do arroz na alimentação, apresentando uma campanha nacional voltada a estimular o consumo e valorizar o perfil nutricional do cereal. A iniciativa busca aproximar a cadeia produtiva do consumidor e reforçar a relevância do alimento na mesa dos brasileiros.
Na visão de representantes do setor, fortalecer a percepção do arroz como item essencial pode ajudar a ampliar o engajamento do público, sustentar políticas de incentivo e criar um ambiente mais favorável para a estabilidade do mercado.
O presidente do Sistema Farsul, Domingos Velho Lopes, lembrou a transformação do Brasil no cenário agrícola e defendeu mais recursos para a Embrapa. Ele também destacou o potencial de diversificação com a produção de etanol a partir do arroz, tema visto como alternativa para agregar valor e ampliar oportunidades à cadeia produtiva.
A combinação de inovação, pesquisa e infraestrutura eficiente foi apresentada como caminho para reduzir custos estruturais e aumentar a capacidade de enfrentar oscilações do mercado. A proposta é integrar, de forma prática, as demandas do campo e as dinâmicas de comercialização, garantindo competitividade com previsibilidade.
Em resumo, as prioridades defendidas no evento incluem:

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