
A primeira semana de março, entre 02 e 06/03, terminou com um cenário bem distinto para as duas principais variedades de mamão comercializadas no País: enquanto o mamão havaí registrou queda acentuada nas cotações, o mamão formosa manteve o movimento de valorização. O comportamento dos preços reflete, sobretudo, a diferença de demanda no varejo e no atacado, além do impacto do clima no desenvolvimento das lavouras.
Mesmo com uma oferta menor de havaí no período — condição que, em geral, favorece preços mais altos — o mercado não respondeu com valorização. A explicação apontada por agentes do setor é a preferência do consumidor pelo formosa, que segue com maior atratividade por estar, em média, mais barato que o havaí. Na prática, a demanda mais firme pelo formosa sustentou novas altas, enquanto o havaí ficou pressionado.
No Norte do Espírito Santo, o mamão havaí 12-18 foi negociado a R$ 2,78 por kg, representando recuo de 34% em comparação com a semana anterior. O resultado reforça a tendência de enfraquecimento das cotações da variedade, apesar das indicações de menor disponibilidade no início do mês.
No Sul da Bahia, o destaque foi o mamão formosa, que avançou pela segunda semana consecutiva. A variedade foi comercializada a R$ 1,35 por kg, o que representa alta de 25% no mesmo comparativo. O movimento reforça um cenário de demanda mais consistente, especialmente diante da relação de preço mais favorável ao consumidor.
Ponto-chave do mercado: apesar da menor oferta de havaí, a procura pelo formosa segue maior devido à melhor competitividade de preço no consumo final.
Além do comportamento da demanda, o clima tem influenciado a formação e a qualidade das frutas. Com chuvas elevadas no Sul da Bahia, produtores relatam que os pés de mamão vêm apresentando frutas de menor calibre. Essa condição tende a restringir reações mais expressivas nas cotações, principalmente no caso do mamão havaí, que é mais sensível às exigências de tamanho e padrão de qualidade.
Para o mercado, calibre menor pode significar maior dificuldade de escoamento em determinados canais, pressionando negociações e reduzindo a disposição de compra por parte de atacadistas que priorizam padronização. O resultado é um ambiente em que qualidade e regularidade de abastecimento ganham ainda mais peso na formação do preço.
No atacado paulista, os relatos apontam para um abastecimento menor de frutas com boa qualidade ao longo da semana. Com volume reduzido nos boxes, os preços se ajustaram de forma diferente entre as variedades.
O mamão havaí 15-18 foi cotado a R$ 61,00 por caixa de 8 kg, registrando estabilidade frente à semana anterior. Já o mamão formosa foi negociado a R$ 51,00 por caixa de 13 kg, com alta de 11%.
Região / Mercado Variedade / Padrão Preço Variação semanal Unidade Norte do Espírito Santo Havaí 12-18 R$ 2,78 -34% por kg Sul da Bahia Formosa R$ 1,35 +25% por kg Atacado em São Paulo Havaí 15-18 R$ 61,00 0% caixa (8 kg) Atacado em São Paulo Formosa R$ 51,00 +11% caixa (13 kg)
A diferença de desempenho entre as variedades está diretamente ligada à atratividade ao consumidor. Com preço mais baixo em relação ao havaí, o formosa tende a ser visto como alternativa com melhor custo-benefício, mantendo a demanda mais aquecida. Esse comportamento, por sua vez, sustenta o avanço das cotações, mesmo em períodos de oscilação de oferta e qualidade.
Competitividade de preço: formosa permanece abaixo do havaí em diversos mercados.
Demanda mais firme: consumo segue favorecendo a variedade mais acessível.
Qualidade e calibre: chuvas e padrão de fruta podem limitar reações, especialmente no havaí.
Com o formosa ainda sendo negociado a valores inferiores aos do havaí, a expectativa do mercado é de que o cenário observado nesta primeira semana de março se repita no curto prazo. A leitura predominante é de nova pressão baixista para o mamão havaí e continuidade de alta para o formosa, sustentada pela demanda mais intensa e pela preferência do consumidor.
Em um ambiente de consumo sensível a preços e com variação de qualidade no campo e no atacado, a disputa entre as variedades segue ditando o ritmo do mercado do mamão no Brasil.
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