
AgRural projeta aumento na colheita de soja e milho
A produção brasileira de soja para a safra 2025/26 foi revisada para cima, alcançando um novo recorde de 181 milhões de toneladas, segundo a consultoria AgRural. Este aumento de aproximadamente 600 mil toneladas em relação à previsão anterior é resultado de condições climáticas favoráveis e um ritmo acelerado de colheita nas principais regiões do país.
Avanço nas regiões produtoras
No Mato Grosso, principal estado produtor, a colheita avança de forma consistente. Já no Paraná, o ritmo de trabalho vem se acelerando nas últimas semanas, com expectativas de um pico nas próximas semanas.
Até a última quinta-feira (22), 4,9% da área plantada com soja já havia sido colhida, um aumento significativo em comparação aos 2% da semana anterior e 3,9% do mesmo período no ano passado.
Milho também apresenta crescimento nas projeções
Além da soja, a produção de milho no Brasil também teve suas estimativas revisadas para cima. A nova previsão da AgRural indica que o país deverá colher 136,6 milhões de toneladas nas três safras (verão, segunda e terceira) para 2025/26, comparando-se a 136 milhões de toneladas projetados anteriormente.
Este ajuste reflete uma melhoria nas condições das lavouras, especialmente nas áreas do Centro-Oeste, favorecidas pelo avanço da colheita de soja e pela janela de plantio do milho safrinha.
Clima e logística sustentam o ritmo de colheita
Condições climáticas mais estáveis após um período de instabilidade estão contribuindo para o avanço firme da colheita, principalmente no Mato Grosso, onde o cronograma está mais adiantado que a média histórica, permitindo o plantio do milho segunda safra dentro do período ideal.
A mesma tendência de avanço rápido é observada no Paraná e Mato Grosso do Sul, com as expectativas de que o pico de colheita ocorra em breve.
Oportunidades para o agronegócio brasileiro
Com essas revisões, o Brasil se mantém como líder mundial na produção e exportação de soja e consolida sua posição entre os maiores produtores de milho do mundo. Estas projeções positivas sinalizam uma recuperação das lavouras ante adversidades climáticas enfrentadas no início do ciclo, reforçando perspectivas otimistas para o desempenho do agronegócio brasileiro em 2026.

Sumário: O PIB do setor agropecuário brasileiro cresceu 29,1% desde 2020, com 2025 registrando alta de 11,7% impulsionada por safras recordes na agricultura e pela recuperação da pecuária. Em 2024/25 houve safra de soja de 166 milhões de toneladas e milho de 142 milhões em 2025; para 2026, a projeção aponta queda do milho para 134 milhões e do arroz para 11,5 milhões (-2,2%), comrecados esperados para algodão, trigo e sorgo, enquanto a soja pode alcançar recorde de 173 milhões. A laranja atingiu 15,7 milhões de toneladas (+28,4%), o arroz 12,7 milhões (+19,4%) e o algodão 9,9 milhões (+11,4%). A cana-de-açúcar permanece estável. A produção de carne totalizou 33 milhões de toneladas em 2025, com a bovina dominando as exportações mundiais; no entanto, 2026 tende a trazer maior volatilidade e possível redução de oferta, influenciada pela demanda chinesa e por riscos geopolíticos, como a guerra no Irã. Café (+6%), cacau e batata também devem sustentar o PIB do setor.
Sumário: Em 2026, a safra brasileira permanece robusta, com Mato Grosso já tendo 78,34% da área de soja plantada e milho de segunda safra em 81,93%, enquanto a colheita nacional de soja opera entre os ritmos mais lentos dos últimos anos; a Conab aponta 353,4 milhões de toneladas de grãos. O cenário externo traz tarifas dos EUA (10%), volatilidade cambial e riscos geopolíticos que elevam incertezas e custos logísticos. O Brasil amplia mercados (Mercosul–UE e China) e avança na abertura de frigoríficos para exportação (42 plantas). Na ciência, GCCRC destaca portos seguros genômicos para inserção sítio-específica de transgenes em milho, prometendo maior velocidade e previsibilidade para milho tolerante à seca. No front de preços, o mercado interno da soja permanece estável, com oscilações em Chicago e revisão de safra para 178 Mt devido à estiagem no RS.

As ondas de calor no Brasil estão mais frequentes, mais longas e mais intensas — e os impactos já são mensuráveis sobre a agricultura, especialmente nas regiões que concentram grande parte da produção nacional. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que o número médio de dias com ocorrência de ondas de calor no país saltou de 7 dias (entre 1961 e 1990) para 52 dias (entre 2011 e 2020).

Resumo: A média histórica (1986-2025) é de 126,4 mm, 28,64% acima do normal para o mês. Embora fevereiro tenha sido mais chuvoso, março inicia com previsão de chuva abaixo do padrão climatológico e predomínio de calor. O Inmet aponta chuvas irregulares e volumes inferiores à média, com indicativo de nova onda de calor e madrugadas mais amenas, dias quentes. Em Alegrete, máximas próximas de 30°C e mínimas em torno de 17°C, com acumulado de chuva na primeira quinzena possivelmente abaixo de 20 mm. Ainda há possibilidade de temporais isolados e mal distribuídos; na Fronteira Oeste, a redução de chuvas preocupa lavouras de fim de ciclo e culturas de segunda safra (milho e feijão) que dependem de umidade. O cenário reforça a necessidade de atenção aos produtores rurais em março diante do calor persistente e da menor precipitação.

A Usina Cucaú, localizada na Mata Sul de Pernambuco, iniciou em fevereiro testes de colheita mecanizada com a colhedora chinesa 4GD1 (FM World Agriculture). O equipamento pode operar em declives de 20° a 25° (aprox. 36% a 46%), muito acima das 11% de inclinação desejadas pelas colhedoras convencionais, o que pode ampliar a mecanização na Zona da Mata. O diretor Agrícola do Grupo EQM, Heleno Barros, afirma que não existe solução única e que cada usina deverá combinar diferentes equipamentos, além de preparar o solo, entradas/saídas de canaviais e nivelamento. O projeto piloto prevê duas máquinas; a primeira chegou ao fim da safra anterior e a segunda está a caminho. A máquina também realiza despontamento e acondicionamento da cana, com ajustes previstos para a próxima safra, como melhorias no desponte, no motor de corte e em sensores de flutuação. Atualmente, o Grupo EQM utiliza a CASE A4010 (até 15°) e a CASE A4000, e desenvolveu soluções próprias como a máquina Atrevida (2009–2010). O grupo possui 40 colhedoras, sendo 8 aptas a operar em terrenos mais inclinados. A Usina Cucaú tem 135 anos, emprega cerca de 5 mil na safra e 2,2 mil na entressafra, processando em média 1,4 milhão de toneladas de cana por moagem (815 mil toneladas próprias). Além da Cucaú, o EQM opera as usinas Utinga Leão (Rio Largo, AL) e Estivas (Arês, RN), abrangendo sete municípios.