
O Ministério da Agricultura avalia novos incentivos para ampliar a contratação do seguro rural e, com isso, reduzir a vulnerabilidade de produtores a eventos climáticos e outras causas de perdas. A proposta em discussão prevê desconto na taxa de juros do financiamento para produtores que contratarem apólices com cobertura adequada ao risco da região e à cultura financiada.
Segundo a ideia apresentada, o benefício seria condicionado a um seguro que inclua proteção contra os principais eventos geradores de prejuízos para cada localidade e cadeia produtiva. Além disso, a apólice precisaria resguardar, no mínimo, o valor do orçamento de custeio do empreendimento financiado, garantindo maior segurança financeira ao produtor e ao sistema de crédito.
Atualmente, já há redução do custo financeiro em condições específicas: produtores com Cadastro Ambiental Rural (CAR) validado podem acessar um desconto de 0,5 ponto percentual sobre as taxas de juros do custeio controlado. No entanto, o alcance da política ainda é considerado restrito, o que tem mantido a discussão aberta sobre novos instrumentos capazes de impulsionar a adesão ao seguro rural.
Além da proposta de desconto direto nos juros, há alternativas defendidas por agentes do setor privado para estimular a contratação de apólices por meio do crédito. Uma das sugestões é a criação de um bônus de adimplência para produtores que mantêm as parcelas em dia e que, simultaneamente, contratem seguro rural.
Fontes do mercado apontam que esse modelo tende a ser mais simples de operacionalizar dentro das instituições financeiras, uma vez que aproveita a estrutura de acompanhamento de pagamentos já existente no crédito rural.
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, defende que o desconto nos juros para quem contrata seguro possa ser implementado já para a próxima safra, embora ainda não tenha apresentado detalhes do desenho final.
Campos enfatiza que o tema precisa ser conduzido de forma realista e com estabilidade, para evitar retração do interesse das seguradoras que atuam no setor. Na avaliação do secretário, previsibilidade é essencial para aumentar a área protegida e reduzir a exposição do produtor a choques de produção.
Em paralelo às discussões no Executivo, tramita no Senado o projeto de lei 2.951/2024, de autoria da senadora Tereza Cristina, que propõe tornar a despesa com seguro rural obrigatória no orçamento. A medida, porém, enfrenta resistência na equipe econômica do governo, que considera que a iniciativa poderia limitar a flexibilidade das contas públicas.
O Ministério da Agricultura, por sua vez, sustenta que o objetivo é evitar que os recursos destinados ao setor sejam interrompidos por mecanismos de restrição fiscal durante o ano. Para Campos, a proposta não estabelece um percentual fixo do orçamento, mas busca garantir que, uma vez definido um montante, ele seja executado sem ficar sujeito a bloqueios, cortes ou cancelamentos.
“O mercado não se desenvolve porque não tem previsibilidade”
— Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola
O Ministério da Agricultura também não descarta a possibilidade de vincular o acesso ao crédito com juros controlados à contratação obrigatória de seguro. No entanto, essa alternativa dependeria de mudanças legislativas e encontra resistência em parte do setor produtivo.
O próprio projeto em tramitação no Senado, apesar de tratar do fortalecimento do seguro rural, não estabelece obrigatoriedade, concentrando-se em incentivos para estimular a contratação de apólices.
Um dos principais entraves apontados pelo setor é a instabilidade dos recursos públicos destinados à subvenção ao prêmio do seguro rural. Em 2026, o orçamento inicial previsto para a política era de R$ 1,01 bilhão. Após cortes no início do ano, a previsão foi reduzida para R$ 998 milhões.
Em seguida, um bloqueio adicional de R$ 461,7 milhões, anunciado no início do mês, derrubou o montante disponível para pouco mais de R$ 530 milhões. Para representantes do governo e do mercado, a sequência de ajustes reforça o argumento de que a falta de previsibilidade limita a expansão do seguro rural e reduz o interesse de seguradoras em ampliar oferta e cobertura.
Incentivo em estudo: desconto nos juros do financiamento para quem contratar seguro rural com cobertura adequada a riscos regionais e culturais.
Regra mínima proposta: apólice precisa cobrir ao menos o valor do orçamento de custeio do empreendimento financiado.
Benefício já existente: desconto de 0,5 ponto percentual no custeio controlado para produtores com CAR validado, mas com alcance restrito.
Alternativa do mercado: bônus de adimplência para quem paga em dia e contrata seguro.
Ponto crítico: falta de previsibilidade do orçamento da subvenção ao seguro rural.
Etapa Valor Observação Orçamento inicial (2026) R$ 1,01 bilhão Previsão original para a subvenção Após cortes no início do ano R$ 998 milhões Redução na dotação Após bloqueio anunciado no mês Pouco mais de R$ 530 milhões Impacto de bloqueio adicional
Com o avanço dessas propostas, o debate sobre seguro rural, crédito com juros controlados e previsibilidade orçamentária deve ganhar força nas próximas semanas, especialmente diante da necessidade de reduzir riscos e melhorar a estabilidade do financiamento da produção.

O aumento da frequência de secas, enchentes, ondas de calor e outros eventos climáticos extremos está transformando a maneira como o segmento de seguro rural avalia os riscos no agronegócio brasileiro.

A Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) informa que as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro encerraram o mês de abril de 2026 com 2,54 milhões de toneladas. Volume significa leve redução de 6% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram entregues 2,70 milhões de toneladas.

Um estudo da ABStartups, em parceria com a USP, com base em 170 agtechs brasileiras, revela um ecossistema ainda enxuto e relativamente jovem, mas em desenvolvimento acelerado. Quase metade das startups já captou investimento, sendo 54,8% desses recursos oriundos do próprio estado de origem. Em termos de maturidade, 39,4% têm até três anos e 32,9% já passaram de cinco; 51,4% passaram por pivotagem, indicando forte capacidade de adaptação para atender demandas do campo.

O azeite Alto da Serra Blend, produzido em Cristina, no Sul de Minas, ganhou a Medalha de Ouro na Evo International Olive Oil Contest (Evo IOOC) 2026, realizada na Itália, no dia 26, em Palmi, Calábria. O azeite, extraído no Campo Experimental da Epamig, em Maria da Fé, ficou entre os cinco melhores da América do Sul e disputou o prêmio Raúl C. Castellani. O olivicultor Alisson Moreira celebrou: foi o primeiro concurso em que participam e o foco é a qualidade, tornando-se muito gratificante. A atividade começou após conhecer a boa adaptação da oliveira à região; o sítio fica em Cristina, próximo a Maria da Fé. O cultivo familiar ocupa 1,5 hectare, com altitude de 1,5 mil metros, e conta com 340 oliveiras. A primeira produção, em 2022, rendeu cerca de 12 litros; em 2024 surgiu a marca Alto da Serra, que vende diretamente na propriedade, em empórios parceiros e pelo Instagram. Em 2026, foram produzidos 304 litros de azeite. Segundo os especialistas, a qualidade do azeite motivou a participação em concursos, e o produtor já cogita fazer um curso de sommelier para aprofundar o conhecimento sobre as características do produto.

A agricultura continuará sendo uma atividade marcada por incertezas. Não existe solução capaz de eliminar completamente os riscos associados ao clima, aos mercados e à dinâmica de custos. Ainda assim, algumas operações conseguem atravessar turbulências com mais estabilidade do que outras.