
"Desafios do Banco do Brasil: Impacto da Resolução CMN 4.966 e Estratégias do Fundo Inter Dividendos"
O balanço do Banco do Brasil no primeiro trimestre de 2025 revelou uma queda substancial no lucro líquido, devido à Resolução nº 4.966 do Conselho Monetário Nacional que impacta as provisões por perdas. Ao longo de 2025, as ações do BB sofreram desvalorização, culminando em perdas de mercado significativas. Apesar disso, o fundo Inter Dividendos FIA comprou mais ações para manter sua posição no banco, refletindo a visão de que essa é uma questão conjuntural. O fundo também destaca a Itaúsa e seguradoras como opções estratégicas, ressaltando suas características de bons fundamentos e histórico de distribuição de dividendos, com foco na valorização a longo prazo, independente do ambiente econômico.
Queda dos Lucros Afeta Banco do Brasil e Pressiona Carteira de Investimentos
Os resultados financeiros do Banco do Brasil (BB) no primeiro trimestre de 2025 surpreenderam negativamente o mercado, mudando a percepção sobre a estatal. Durante esse período, o banco registrou uma queda de 20,7% nos lucros em comparação ao ano anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) também teve uma redução significativa, caindo 4,98 pontos percentuais para 16,7%.
Essa queda nos resultados foi atribuída, em parte, à implementação da Resolução nº 4.966 do Conselho Monetário Nacional (CMN) em 2025, que exige que instituições financeiras façam provisões antecipadas para perdas esperadas. A situação persistiu nos trimestres seguintes, culminando em uma redução ainda mais acentuada de 60,2% nos lucros do BB no terceiro trimestre de 2025.
Devido às incertezas na recuperação da carteira de crédito agrícola do Banco do Brasil, os investidores mantêm um ceticismo cauteloso em relação aos papéis da instituição. Dados do TradeMap revelam que as ações do banco caíram 4,96% em 2025, resultando numa perda de R$ 12,8 bilhões em valor de mercado.
Essa desvalorização, no entanto, levou o fundo Inter Dividendos FIA a aumentar sua participação no banco para manter uma exposição de 10%. Rafael Cota, gestor de renda variável da Inter Asset, afirmou que a estratégia de compra foi uma resposta à queda dos preços, que consideram conjuntural.
“À medida que os preços caíram em 2025, adquirimos mais ações para retornar à posição inicial desejada no Banco do Brasil”, disse Cota.
Segundo Cota, a queda dos preços das commodities após a pandemia de Covid-19 e o aumento da taxa Selic para 15% ao ano pressionaram os agricultores endividados. Contudo, ele observa que outras verticais de crédito do BB permanecem saudáveis, sugerindo que a crise é específica do agronegócio e não afeta os fundamentos ou o modelo de negócios do banco.
Outras Preferências no Setor Financeiro
Além do Banco do Brasil, o Inter Dividendos FIA também investe em ações do setor financeiro, como a Itaúsa (ITSA4), que detém expressiva participação no banco Itaú (ITUB4). De acordo com Cota, investir na Itaúsa é uma estratégia para se beneficiar dos resultados financeiros do maior banco privado do país, que recentemente registrou um lucro de quase R$ 12 bilhões.
“A Itaúsa está com um desconto considerável, o que nos permite comprar ações do banco Itaú com desconto”, explicou Cota.
Outros ativos preferidos pelo fundo incluem ações da BB Seguridade (BBSE3) e da Caixa Seguridade (CXSE3), assim como a Allos (ALOS3). No último balanço, a rede de shoppings Allos comunicou planos de distribuir dividendos significativamente maiores em 2026.
Estratégia do Inter Dividendos
O fundo Inter Dividendos FIA adota uma abordagem de busca por ações negociadas com desconto e que apresentem bons fundamentos econômicos, forte geração de caixa e histórico consistente de pagamento de dividendos. Este conjunto de características torna o portfólio menos suscetível a volatilidades de curto prazo.
De acordo com Cota, movimentos de taxas de juros e períodos eleitorais não influenciam fortemente a decisão de investimento do fundo. O objetivo principal é gerar valor de forma independente de cenários voláteis.
Os dividendos gerados pelos investimentos são reinvestidos no próprio portfólio para impulsionar a rentabilidade através dos juros compostos. Esta estratégia, conforme ressaltado na análise, pode multiplicar o retorno final dos investimentos.



