
Competitividade e Desafios Logísticos do Etanol no Brasil: Impactos Tributários e Sustentabilidade
Sumário: O estudo Esalq-Log sobre a cadeia logística do etanol no Brasil destaca a evolução dos modais e eficiência, mas aponta entraves tributários que comprometem a competitividade frente à gasolina. A intermodalidade se mostra essencial, com aumento do uso de dutovias e ferrovias, embora a dependência de investimentos em infraestrutura persista. O regime tributário atual afeta custos logísticos, penalizando modais sustentáveis, e ajustes fiscais são necessários para reforçar a competitividade do etanol na transição energética. A exportação de carne de frango do Brasil em janeiro de 2026 mostra dinamismo, com crescimento no ritmo diário de embarques, embora o volume total tenha diminuído. A produção segue em expansão enquanto a carne suína também mantém um forte ritmo de exportações, sustentada por receitas e preços estáveis no mercado internacional. Perspectivas para 2026 são positivas, com expectativas de crescimento contínuo nas exportações.
Desafios e Avanços na Logística do Etanol e Exportações de Carne no Brasil
Um estudo realizado pelo Esalq-Log revela que a cadeia logística do etanol combustível no Brasil vem evoluindo significativamente, com a diversificação dos modais de transporte e aumento da eficiência operacional. Entretanto, a competitividade do biocombustível ainda enfrenta desafios tributários e estruturais em relação à gasolina.
Esta pesquisa faz parte da Série Logística do Agronegócio – Oportunidades e Desafios (Volume 9), analisando as etapas de transporte e armazenagem do etanol no país. O estudo destaca que, mesmo com a predominância do transporte rodoviário, sua participação caiu de 82% em 2019 para 71% em 2024. Houve aumento no uso de dutovias (de 8% para 14%) e ferrovias (de 6% para 10%), demonstrando avanços na intermodalidade e na busca por eficiência logística.
Segundo Thiago Guilherme Pêra, pesquisador da Esalq, a logística do etanol é extremamente complexa. Ele explica que, devido à conexão entre polos produtores no Centro-Sul e Centro-Oeste a mercados consumidores distantes, a intermodalidade é crucial para se alcançar eficiência.
Apesar dos ganhos com uma matriz logística diversificada, o sistema ainda depende de grandes investimentos em infraestrutura e melhor coordenação entre usinas, comercializadoras e distribuidoras.
Impacto da Tributação
Entre os principais entraves, o regime monofásico do PIS e Cofins sobre o transporte e armazenagem causa acúmulo de créditos fiscais não compensáveis para as comercializadoras, distorcendo o custo operacional. De acordo com simulações, isso pode elevar o preço do etanol em até R$ 0,10 por litro.
Essas questões tributárias penalizam modais sustentáveis, contrariando as metas nacionais de descarbonização e mobilidade de baixo carbono. O Esalq-Log conclui que reformas fiscais são essenciais para garantir a competitividade do etanol no mercado.
Exportações de Carne de Frango e Suína
Por outro lado, as exportações brasileiras de carne de frango apresentaram desempenho positivo em janeiro de 2026, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O Brasil exportou 349,7 mil toneladas até a 4ª semana de janeiro, uma redução de 15,8% comparado ao mesmo período de 2025, mas o ritmo diário de embarque aumentou 15,8%.
Em termos financeiros, as exportações alcançaram US$ 627,2 milhões, uma diminuição de 16,7% em relação ao ano anterior. Contudo, a média diária de receita subiu 14,5%, atingindo US$ 39,2 milhões, sinalizando forte dinamismo.
A produção de carne de frango no Brasil continua em expansão em 2026, sustentada por custos controlados e ganhos de produtividade. No cenário internacional, a oferta recuperada em outros países limita aumentos mais expressivos nos preços.
Carne Suína: Ritmo Intenso nas Exportações
As exportações de carne suína mostraram forte desempenho, com embarques chegando a 79 mil toneladas até a 4ª semana de janeiro, 10,1% abaixo do ano anterior, mas o ritmo diário cresceu 23,6%.
Financeiramente, a receita total foi de US$ 196,8 milhões, uma retração de 8,7% comparada a 2025. No entanto, a média diária de faturamento subiu 25,5%, alcançando US$ 12,3 milhões.
A demanda internacional por carne suína brasileira permanece estável, compensando a postura cautelosa da China. Com oferta ajustada e forte competitividade, o Brasil inicia 2026 com perspectivas positivas para o setor.




