
O ciclo produtivo do melão no Vale do São Francisco em 2026 começou sob pressão sanitária. Em abril, a maior incidência de bactérias, podridões e bolhas d'água nas lavouras obrigou os produtores a intensificar as pulverizações, elevando o consumo de defensivos agrícolas já nas primeiras semanas da safra principal, conforme apurado pelo Cepea.
O cenário não melhorou nos meses seguintes. Entre maio e junho, a presença da mosca minadora e do fungo causador do oídio dificultou a recuperação do potencial produtivo das plantas, segundo o Cepea. A combinação de problemas climáticos, pragas e doenças ao longo de toda a temporada resultou em produtividade média de 24 t/ha — uma redução de 17% em relação à safra de 2025.
O custo de produção do melão na safra principal de 2026 atingiu R$ 1,37/kg, alta de 16% frente ao ano anterior, de acordo com o Cepea. A principal explicação para esse avanço está na valorização dos insumos, com destaque para os defensivos agrícolas e os produtos de plasticultura, como o mulching. O Cepea atribui essa elevação ao conflito no Oriente Médio, que pressionou os preços desses insumos, somado à maior necessidade de aplicações imposta pelas chuvas e pelos problemas fitossanitários da temporada.
Se pelo lado dos custos a safra foi desafiadora, pelo lado da receita o resultado foi favorável. A menor oferta decorrente da queda de produtividade sustentou uma forte valorização do produto: a cotação média do melão entre abril e julho de 2026 chegou a R$ 1,88/kg, alta de 41% em relação à temporada anterior, segundo o Cepea.
Com preços subindo mais do que os custos, a margem média dos produtores de melão amarelo alcançou R$ 0,51/kg na safra de 2026 — resultado 236% superior ao registrado na safra de 2025, conforme o Cepea. Para efeito de comparação histórica, o ganho médio dos produtores na safra de 2024 havia sido de R$ 1,18/kg, segundo a mesma fonte.
O balanço da safra principal de 2026 no Vale do São Francisco revela uma equação ambígua: a rentabilidade melhorou de forma expressiva em relação a 2025, mas os custos crescentes — puxados por defensivos e insumos de plasticultura — seguem como fator limitante das margens. O produtor lucrou mais, porém com menos produto colhido e com despesas operacionais significativamente mais altas do que no ciclo anterior.

Os futuros de milho para setembro/26 avançaram na CBOT na manhã de quinta-feira (20), depois da alta no fechamento de quarta-feira, com o mercado atento ao Pro Farmer Crop Tour. No Brasil, o mesmo vencimento recuou na B3, enquanto a colheita da safrinha progredia no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

O Brasil destina corretamente mais de 90% das embalagens de defensivos agrícolas geradas anualmente, resultado de uma cadeia coordenada que envolve produtores, indústria, cooperativas e poder público. Desde o início das operações do Sistema Campo Limpo, em 2001, já foram encaminhadas adequadamente mais de 900 mil toneladas de embalagens em todo o país.

O arroz em casca no Rio Grande do Sul avançou em agosto no mercado físico. O Indicador Safras fechou a R$ 75,10 por saca na quinta-feira (13), com alta semanal de 3,98%. Na terça-feira (18), o Cepea/Irga-RS cotou R$ 75,96 a saca de 50 kg. As exportações gaúchas de janeiro a julho cresceram em valor e volume, apesar da retração em julho.

O custo de produção do frango de corte no Paraná avançou 1,39% em julho de 2026, para R$ 4,77 por quilo, de acordo com a Embrapa Suínos e Aves. Ração e pintainhos de um dia responderam juntos por 82,34% do custo total.

Pesquisa da Hortifruti Brasil/Cepea com 105 produtores e agentes da cadeia de frutas e hortaliças mostra que 93,3% percebem menos mão de obra nos últimos cinco anos. Atrasos, custos maiores e recuo de área já são relatados, e a mecanização aparece entre as estratégias de adaptação.