
Durante muitos anos, o valor das propriedades rurais no Brasil foi principalmente associado à sua produtividade, localização estratégica e potencial de expansão. Contudo, nos últimos tempos, uma nova variável tem se tornado crucial na avaliação dessas terras: a regularização ambiental. Este novo critério surge principalmente como fruto das expectativas do próprio mercado financeiro e de sua integração com capitais globais.
Risco Ambiental e Financeiro
A regularização ambiental deixou de ser percebida apenas como uma etapa burocrática do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e passou a ser uma importante variável econômica. A percepção de risco por bancos e entidades financeiras se ampliou, incorporando não somente fatores ligados às commodities e ao clima, mas, principalmente, à segurança de garantir que a propriedade não esteja sujeita a passivos ambientais ou sobreposições territoriais que possam comprometer sua viabilidade jurídica futura.
Dados do Sistema Nacional do Cadastro Ambiental Rural indicam que cerca de 58% das propriedades rurais no Brasil possuem alguma inconsistência ambiental. A incerteza decorrente dessas pendências implica em riscos financeiros, impactando diretamente na concessão de créditos e financiamentos.
Integração com o Mercado Global de Capitais
O agro brasileiro passou a operar diretamente com o mercado global de capitais. Isso significa que investidores internacionais, compradores e fundos passaram a incorporar critérios socioambientais como parte de suas análises de risco. Nesse sentido, ativos com passivos ambientais são vistos como possíveis dívidas ocultas, afetando a reputação e a segurança financeira dos investidores.
A necessidade de provar que um ativo continua existindo juridicamente torna-se crucial, o que leva à chamada "inteligência territorial", uma abordagem que cruza dados geográficos e regulatórios para garantir a segurança do investimento.
A Valorização das Propriedades e o Papel do Estado
O valor das propriedades tende a refletir essa nova realidade. Enquanto propriedades com regularização ambiental em dia passam a gozar de maior liquidez, propriedades com inconsistências ambientais enfrentam depreciação em seu valor. Essa mudança não se traduz apenas em questões produtivas, mas também documentais, refletindo-se no mercado de vendas.
Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio, destaca a importância de que os proprietários rurais antecipem a regularização de suas terras e explorem o uso de consultorias para garantir maior precisão em suas documentações ambientais, preparando-se melhor para os desafios futuros.
Além disso, é crucial que o Estado ofereça suporte adequado para que esforços já realizados pelos proprietários rurais não sejam perdidos em processos burocráticos longos e incertos. O alinhamento entre o setor produtivo e o poder público é vital para garantir um avanço conjunto no mercado agrícola brasileiro.

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