
Organizações do agronegócio na Argentina decidiram apoiar a greve geral convocada contra a reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei. A votação da reforma está prevista para esta quinta-feira (19). A paralisação já impacta as exportações de grãos e derivados, setor de grande relevância para a geração de receitas em dólar para o país.
Desde a quarta-feira (18), atividades nos portos argentinos foram interrompidas, afetando a atracação e desatracação de navios, transporte de práticos e serviços às embarcações, com ênfase na região de Rosário, o maior polo agroexportador do país.
No ano anterior, os embarques agroindustriais pelos portos argentinos somaram 100,2 milhões de toneladas, sendo que os terminais da Grande Rosário foram responsáveis por 74,6 milhões de toneladas desse total, um aumento de 10% em relação ao ano de 2024.
Segundo Daniel Yofra, secretário-geral da Federação dos Trabalhadores do Complexo Industrial de Oleaginosas (FTCIODyARA), a greve é uma estratégia legítima de pressão. "A greve é uma ferramenta fundamental. Nós somos produto de greves", afirmou em comunicado.
O Sindicato Argentino dos Trabalhadores Rurais e Estivadores (UATRE) também manifestou apoio à paralisação. A entidade critica mudanças no regime de trabalho agrícola, que possui regulamentações específicas, e a ampliação do período probatório para oito meses. O sindicato alerta que a medida poderia resultar na cobertura de safras inteiras em condições precárias, sem proteção adequada para milhares de famílias.
Em 2024, a Argentina gerou uma receita de US$ 25,09 bilhões com exportações de grãos e derivados, conforme informações da Câmara da Indústria Oleaginosa da República Argentina (Ciara) e o Centro de Exportadores de Grãos (CEC), um crescimento de 27% em relação a 2023.
No cenário das commodities agrícolas na América Latina, a Argentina se destaca como um dos principais produtores, competindo com o Brasil nas exportações de soja e carne e liderando as vendas de girassol e farelo de soja.
O apoio dos trabalhadores rurais à greve se contrapõe ao suporte de parte do setor empresarial do agro ao governo de Milei. Durante a campanha eleitoral de 2023, Milei prometeu implementar medidas para impulsionar as exportações e aumentar as receitas dos produtores, em resposta à insatisfação com a política cambial do governo anterior, conhecida como "dólar soja".
Na quarta-feira, a Bunge Ramallo interrompeu suas atividades às 22h. A Molinos Río de la Plata, localizada em Rosário, planeja suspender as operações às 6h desta quinta-feira (19), com retomada prevista apenas para sexta-feira (20).
Outros terminais ainda não anunciaram decisões oficiais, mas o setor não descarta mais interrupções que possam comprometer o fluxo de caminhões e o carregamento de navios.
Ainda não há estimativas oficiais sobre o impacto das paralisações nas exportações argentinas.
A reforma trabalhista proposta pelo governo inclui alterações nos métodos de contratação, sistema de remuneração e regimes de negociação coletiva.
Para Milei, as mudanças são necessárias para diminuir o número de litígios e promover o emprego formal. Os sindicatos, por outro lado, afirmam que a proposta resulta em desregulamentação e enfraquece os direitos trabalhistas.
O governo considera a legislação atual, vigente na maior parte da década de 1970, como um obstáculo à formalização, supostamente favorecendo a informalidade e desincentivando novas contratações. No entanto, opositores e centrais sindicais alertam que as modificações retiram direitos fundamentais e podem precarizar as relações de trabalho.
Um dos pontos mais polêmicos é a possibilidade de ampliação da jornada diária para 12 horas, com um sistema de compensação em que um dia mais longo poderia ser compensado por outro mais curto, sem pagamento de horas extras, mantendo a jornada semanal máxima em 48 horas.
Enquanto parte do setor agropecuário se opõe à reforma, a Câmara da Indústria Petrolífera e o Centro de Exportadores de Cereais (CIARA-CEC) criticam a greve dos trabalhadores rurais, classificando-a como uma resposta corporativa ao debate legislativo.
Em nota, alegaram que a greve demonstra resistência às mudanças, priorizando a preservação de estruturas de poder em vez da criação de empregos reais. As organizações afirmam que a reforma busca modernizar o mercado de trabalho e incentivar a formalização, defendendo que rejeitar o debate não é proteger direitos, mas sim estruturas já existentes.

Resumo: - O governo discute implementação do seguro rural paramétrico, obrigatório para quem tomar financiamentos com juros controlados do Plano Safra, conforme proposta do ministro Carlos Fávaro. O Observatório do Seguro Rural da FGV Agro aponta que o modelo pode não estar suficientemente maduro para vingar no Brasil. - Mudanças estruturais são consideradas essenciais: estabilidade institucional, previsibilidade fiscal, base atuarial regionalizada, fundo de estabilização robusto, alinhamento com resseguradoras e transição gradual de pelo menos 12 meses.

Resumo: o decreto nº 70.410, publicado pelo Governo de São Paulo, prevê o fim de mais de 5.280 cargos ligados a institutos públicos de pesquisa nas áreas de agricultura, meio ambiente e saúde, incluindo funções de apoio à pesquisa, técnico de laboratório, engenheiro e médico veterinário. A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) afirma que a medida representa um ataque ao serviço público, destacando a extinção de cargos como Agente e Técnico de apoio agropecuário, entre outros. A área de agricultura é a mais afetada, com 2.808 vagas cortadas em institutos como IAC, IB, IEA, IP, Ital, IZ e APTA Regional. O governo estadual descreve a ação como parte da reforma administrativa São Paulo na Direção Certa, que visa tornar o Estado mais ágil e sustentável; a Secretaria de Agricultura informou que 33.477 cargos já estavam vagos e que não haverá exonerações de servidores em exercício, apenas extinções futuras conforme vacância. Também foi anunciada a reestruturação de carreiras de Pesquisadores Científicos e Especialistas Agropecuários, com perspectiva de reorganizar as carreiras de apoio ligadas à Pesquisa, Extensão Rural e Defesa Agropecuária.

Sumário: - A redução da jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais pode gerar um custo adicional anual de 4,1 bilhões de reais para o agronegócio do Paraná, segundo estudo do DTE da FAEP. - O setor, que tem 645 mil empregos e massa salarial de 24,8 bilhões, precisará repor 16,6% da força de trabalho para evitar o “vácuo operacional” (aproximadamente 107 mil novas contratações ou mais horas extras). - A FAEP alerta que o aumento de custos pressionaria a rentabilidade, poderia elevar preços e inflação e estimular informalidade e precarização. - Efeitos variam por cadeia produtiva: avicultura e suinocultura (R$ 1,72 bilhão/ano), grãos (R$ 900 milhões/ano), laticínios (R$ 570 milhões/ano) e cana/café/fumo/hortifrúti (R$ 910 milhões/ano). - O setor teme perda de competitividade internacional; desafios estruturais como logística, carga tributária, burocracia e qualificação já existem, e reduzir a jornada sem resolver esses problemas pode agravar a situação. Debate técnico com participação do setor é defendido, não decisões políticas.

Resumo: O Decreto 12.858/2026 atualiza as regras de inspeção e fiscalização da produção e comércio de insumos para plantas, alinhando o marco regulatório à Lei do Autocontrole (Lei 14.515/2022). Passa a exigir programas formais de autocontrole de fabricantes, importadores, misturadores e demais agentes da cadeia, com procedimentos de monitoramento, verificação e correção ao longo de toda a cadeia, proporcionais ao porte e ao risco. Cria a categoria de infração moderada e redefine as sanções, com multas ajustadas aos parâmetros da Lei do Autocontrole. Estabelecimentos já registrados têm dois anos para se adequarem; o decreto também institui o Programa de Incentivo à Conformidade em Defesa Agropecuária, de adesão voluntária. O impacto direto para o produtor tende a ser indireto, com custos de compliance possivelmente repassados, mas há expectativa de maior rastreabilidade e previsibilidade, reduzindo riscos de insumos fora de especificação. O setor, que movimenta cerca de R$ 200 bilhões em 2025, passa por uma transição rumo à gestão de risco e responsabilidade compartilhada, incluindo a incorporação de biofertilizantes e remineralizadores.

Resumo: A Câmara dos Deputados aprovou, em votação simbólica, o PDL que cria o acordo Mercosul-UE e o texto segue para análise do Senado. O acordo, negociado desde 1999 e tecnicamente concluído em 2019, envolve Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia com a União Europeia (27 países), somando ~718 milhões de habitantes e PIB agregado superior a US$ 22 trilhões. Prevê a eliminação gradual de tarifas: a UE zeraria cerca de 95% das tarifas brasileiras (correspondentes a 92% do valor das compras do Brasil pelo bloco); o Mercosul eliminaria ~91% das tarifas europeias (85% do valor das importações). Setores-chave: agropecuário, industrial e automotivo, com prazos variados — por exemplo, 39% das tarifas agrícolas da UE zeradas imediatamente, 31% das tarifas agrícolas do Mercosul eliminadas já; setor automotivo com prazos mais longos (até 10 anos para a UE zerar tarifas de produtos industriais; veículos elétricos em até 18 anos, hidrogênio em até 25 anos e novas tecnologias até 30 anos). O acordo também acena para redução de tarifas que impactará a arrecadação do governo, com perdas estimadas de R$ 683 milhões em 2026, R$ 2,5 bilhões em 2027 e R$ 3,7 bilhões em 2028. Observa-se resistência na UE, incluindo a França, que classificou o tratado como mau negócio.