
O mercado de soja no Brasil enfrenta variabilidades regionais significativas, sendo o clima e a infraestrutura de transporte fatores determinantes nas cotações e rentabilidade dos produtores. No Rio Grande do Sul, as recentes chuvas aliviaram a situação em algumas lavouras tardias, mas a Emater/RS ainda prevê cortes na produtividade, especialmente nas áreas de enchimento de grãos. No porto de Rio Grande, a saca está avaliada em R$ 130,82, havendo um leve recuo. Entretanto, os preços variam no interior, de R$ 118,10 em Passo Fundo a R$ 128,79 em Ijuí.
Em Santa Catarina, a forte demanda da indústria de carnes impulsiona as vendas, registrando R$ 130,50 por saca no porto de São Francisco do Sul, representando uma alta de quase 2%. No Oeste do estado, os valores variam entre R$ 117,00 e R$ 123,00, dependendo das condições de pagamento.
No Paraná, a colheita avança, já atingindo 20% da área total. Contudo, o aumento no fluxo de caminhões gerou filas e pressão no Porto de Paranaguá, com cotações variando de R$ 126,20 a R$ 129,38 por saca.
No Centro-Oeste, os desafios logísticos se agravam. No Mato Grosso do Sul, a falta de silos impele vendas rápidas, impactando negativamente os preços. No Mato Grosso, onde 51% da área já foi colhida, os altos custos de frete, acima de R$ 490 por tonelada, reduzem a competitividade. Os preços flutuam entre R$ 101,00 no Norte e R$ 108,20 em Rondonópolis.
Internacionalmente, os contratos futuros de soja na Bolsa de Chicago iniciaram com leves altas, devido às expectativas sobre o Outlook Forum do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Essa reunião trará as primeiras projeções para a safra 2026/27 nos EUA. Os contratos de março e maio apresentaram ganhos, com o mercado cauteloso devido às incertezas sobre a área plantada nos EUA, que pode ser influenciada por fatores como custo de insumos e condições climáticas.
No mercado de derivados, o óleo de soja desponta como principal suporte ao complexo, com alta influenciada por possíveis mudanças nas cotas de mistura de biocombustíveis nos EUA. O contrato de óleo de soja encerrou cotado a US$ 1.291,66 por tonelada, acumulando valorização significativa no ano.
O cenário econômico do Brasil também afeta o mercado de soja. O Banco Central manteve a taxa Selic a 15% ao ano, visando conter a inflação. Esta política mantém o crédito agrícola elevado, embora as projeções para a inflação do IPCA tenham sido reduzidas a 3,95% para 2026, conforme estimativas do mercado financeiro.
Combinando juros altos e inflação controlada, o Brasil vive um ambiente de relativo equilíbrio cambial. No entanto, essa estabilidade também limita investimentos necessários em infraestrutura e armazenagem, essenciais para um escoamento eficiente das safras de grãos.
O mercado de soja no Brasil em 2026 vive entre incertezas e oportunidades. As chuvas no Sul melhoram perspectivas produtivas, mas os desafios logísticos no Centro-Oeste e os custos frete e armazenagem continuam a pressionar as margens de lucro dos produtores. Internacionalmente, a política de biocombustíveis nos EUA e decisões do USDA poderão redefinir as trajetórias de preços nos próximos meses. Entretanto, no Brasil, a estabilidade econômica proporcionada pela manutenção da Selic traz um cenário desafiador, mas com oportunidades para o produtor rural focado em eficiência e sustentabilidade.
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Resumo: El Niño intenso para o segundo semestre, com duração estimada até o início de 2027. Espera-se maior concentração de chuvas no Sul e na Amazônia, mas redução no Centro-Oeste, Nordeste e parte do Sul, o que deve afetar a navegação fluvial devido à menor disponibilidade de água nos rios. A draga de leitos, um processo caro e com planejamento tardio, será necessária para manter a logística, aumentando a dependência do transporte rodoviário, nem sempre adequado para o volume de demandas.

Resumo: O agronegócio brasileiro enfrenta uma confluência de fatores que pressionam margens e planejamento. A guerra no Irã aumenta custos de energia, logística e fertilizantes, e o setor encara também a volatilidade de insumos, especialmente o enxofre. Paralelamente, o El Niño, segundo a Organização Meteorológica Mundial, tem 80% de chance de se desenvolver entre junho e agosto e mais de 90% de probabilidade de permanecer ativo até novembro, impactando o período de plantio da safra 2026/2027. No Sul, deve aumentar o volume de chuvas, enquanto o Centro-Oeste enfrenta maior incerteza climática, elevando a volatilidade no cultivo.

Resumo: Nesta quinta-feira (28), Mato Grosso registra tempo estável e seco em quase todas as regiões. As manhãs são amenas, com temperaturas entre 18°C e 22°C, mas o calor se eleva à tarde, com máximas variando de cerca de 29°C a 35°C conforme a região.

A possibilidade de intensificação do El Niño no segundo semestre já mobiliza produtores, indústria e técnicos em Minas Gerais. A Cemaden aponta mais de 80% de probabilidade de um El Niño de intensidade moderada a forte, com aquecimento do oceano em torno de 1,5°C, o que pode impactar diretamente a safra 2026/27 e gerar impactos relevantes na economia do estado. Os modelos indicam aquecimento suficiente para sustentar a tendência entre setembro e outubro, mas ainda não há uma previsão de cenário extremo definitivo.
Sumário A América Latina pode enfrentar impactos desiguais se o El Niño de forte intensidade se confirmar no segundo semestre de 2026, com riscos de inflação e menor crescimento, principalmente devido aos impactos na agricultura e no setor energético.