
A colheita de milho no sul do Brasil está avançando, mas o processo é marcado por um ritmo desigual e negociações limitadas, à medida que os produtores permanecem cautelosos na venda. Segundo o levantamento da TF Agroeconômica, o clima tem permitido algum progresso, porém, a instabilidade climática e a retração dos compradores têm mantido a liquidez baixa e pressionado os preços para baixo.
No estado do Rio Grande do Sul, as negociações são pontuais, com preços entre R$ 57,00 e R$ 79,00 por saca, dependendo da região e dos custos logísticos. Conforme relatório da Emater-RS, o preço médio estadual caiu 2,24% na semana, fixando-se em R$ 59,34. Até o momento, 49% da área plantada foi colhida, mas esse ritmo está abaixo do registrado no mesmo período de 2025. Chuvas irregulares têm ajudado na colheita, mas prejudicam a produtividade das safras tardias.
Em Santa Catarina, o mercado enfrenta entraves devido ao descompasso entre as pedidas dos produtores, que giram em torno de R$ 75,00 por saca, e as ofertas das indústrias, que se mantêm em R$ 65,00. Aqui, a colheita atinge apenas 16% da área, um número abaixo da média histórica, enquanto a escassez de chuvas se transforma em uma preocupação crescente para as lavouras tardias.
No Paraná, o clima estável tem favorecido o progresso da colheita da primeira safra que já cobriu 18% da área plantada. Contudo, o mercado continua pouco dinâmico, com indicações de vendas ao redor de R$ 70,00 por saca, enquanto os compradores estão oferecendo R$ 60,00 CIF. Em Mato Grosso do Sul, os preços variam entre R$ 53,00 e R$ 55,00, com 14% da área da safrinha semeada, mas o avanço ainda é lento devido às chuvas irregulares.
Após o feriado, o mercado de milho apresentou pouca movimentação tanto na Bolsa de Chicago quanto na B3. Investidores aguardam novas projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos durante o Outlook Forum. Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros fecharam próximos da estabilidade. O vencimento março/26 encerrou em US$ 4,27 por bushel, uma alta de 0,18%; maio/26 registrou US$ 4,36 (+0,23%), julho/26 fechou a US$ 4,44 (+0,11%) e setembro/26 alcançou US$ 4,45 (+0,17%).
A demanda global crescente, o aumento da mistura de biocombustível na gasolina dos Estados Unidos e o forte desempenho das exportações norte-americanas são fatores que têm trazido suporte aos preços do milho. A valorização do petróleo tem incrementado o interesse pelo milho destinado à produção de etanol, o que reforça a demanda energética.
No entanto, os ganhos ainda são limitados devido à indefinição sobre o projeto de lei que trata da venda de E-15, gasolina com 15% de etanol, durante todo o ano nos Estados Unidos. A decisão está prevista para o final do mês, influenciando o mercado a aguardar em compasso de espera.
Internamente, os preços futuros na B3 mantiveram-se estáveis na última quarta-feira, com o contrato março/26 cotado a R$ 70,95 (-0,23%), maio/26 a R$ 70,39 (-0,31%), julho/26 a R$ 68,65 (-0,06%) e setembro/26 a R$ 68,18 (-0,06%). A Agrinvest Commodities destaca a baixa liquidez e a disputa de preços no retorno do feriado, com produtores sem pressa para vender, reforçando a percepção de escassez pontual.
Analistas projetam que o cenário de estabilidade de preços deve prevalecer no curto prazo, enquanto o impacto da nova safra e das exportações não for completamente claro. O mercado internacional deve acompanhar as decisões do Fórum do USDA, enquanto o Brasil permanece atento às condições climáticas e ao progresso da colheita nas próximas semanas.

Sumário: O PIB do setor agropecuário brasileiro cresceu 29,1% desde 2020, com 2025 registrando alta de 11,7% impulsionada por safras recordes na agricultura e pela recuperação da pecuária. Em 2024/25 houve safra de soja de 166 milhões de toneladas e milho de 142 milhões em 2025; para 2026, a projeção aponta queda do milho para 134 milhões e do arroz para 11,5 milhões (-2,2%), comrecados esperados para algodão, trigo e sorgo, enquanto a soja pode alcançar recorde de 173 milhões. A laranja atingiu 15,7 milhões de toneladas (+28,4%), o arroz 12,7 milhões (+19,4%) e o algodão 9,9 milhões (+11,4%). A cana-de-açúcar permanece estável. A produção de carne totalizou 33 milhões de toneladas em 2025, com a bovina dominando as exportações mundiais; no entanto, 2026 tende a trazer maior volatilidade e possível redução de oferta, influenciada pela demanda chinesa e por riscos geopolíticos, como a guerra no Irã. Café (+6%), cacau e batata também devem sustentar o PIB do setor.
Sumário: Em 2026, a safra brasileira permanece robusta, com Mato Grosso já tendo 78,34% da área de soja plantada e milho de segunda safra em 81,93%, enquanto a colheita nacional de soja opera entre os ritmos mais lentos dos últimos anos; a Conab aponta 353,4 milhões de toneladas de grãos. O cenário externo traz tarifas dos EUA (10%), volatilidade cambial e riscos geopolíticos que elevam incertezas e custos logísticos. O Brasil amplia mercados (Mercosul–UE e China) e avança na abertura de frigoríficos para exportação (42 plantas). Na ciência, GCCRC destaca portos seguros genômicos para inserção sítio-específica de transgenes em milho, prometendo maior velocidade e previsibilidade para milho tolerante à seca. No front de preços, o mercado interno da soja permanece estável, com oscilações em Chicago e revisão de safra para 178 Mt devido à estiagem no RS.

As ondas de calor no Brasil estão mais frequentes, mais longas e mais intensas — e os impactos já são mensuráveis sobre a agricultura, especialmente nas regiões que concentram grande parte da produção nacional. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que o número médio de dias com ocorrência de ondas de calor no país saltou de 7 dias (entre 1961 e 1990) para 52 dias (entre 2011 e 2020).

Resumo: A média histórica (1986-2025) é de 126,4 mm, 28,64% acima do normal para o mês. Embora fevereiro tenha sido mais chuvoso, março inicia com previsão de chuva abaixo do padrão climatológico e predomínio de calor. O Inmet aponta chuvas irregulares e volumes inferiores à média, com indicativo de nova onda de calor e madrugadas mais amenas, dias quentes. Em Alegrete, máximas próximas de 30°C e mínimas em torno de 17°C, com acumulado de chuva na primeira quinzena possivelmente abaixo de 20 mm. Ainda há possibilidade de temporais isolados e mal distribuídos; na Fronteira Oeste, a redução de chuvas preocupa lavouras de fim de ciclo e culturas de segunda safra (milho e feijão) que dependem de umidade. O cenário reforça a necessidade de atenção aos produtores rurais em março diante do calor persistente e da menor precipitação.

A Usina Cucaú, localizada na Mata Sul de Pernambuco, iniciou em fevereiro testes de colheita mecanizada com a colhedora chinesa 4GD1 (FM World Agriculture). O equipamento pode operar em declives de 20° a 25° (aprox. 36% a 46%), muito acima das 11% de inclinação desejadas pelas colhedoras convencionais, o que pode ampliar a mecanização na Zona da Mata. O diretor Agrícola do Grupo EQM, Heleno Barros, afirma que não existe solução única e que cada usina deverá combinar diferentes equipamentos, além de preparar o solo, entradas/saídas de canaviais e nivelamento. O projeto piloto prevê duas máquinas; a primeira chegou ao fim da safra anterior e a segunda está a caminho. A máquina também realiza despontamento e acondicionamento da cana, com ajustes previstos para a próxima safra, como melhorias no desponte, no motor de corte e em sensores de flutuação. Atualmente, o Grupo EQM utiliza a CASE A4010 (até 15°) e a CASE A4000, e desenvolveu soluções próprias como a máquina Atrevida (2009–2010). O grupo possui 40 colhedoras, sendo 8 aptas a operar em terrenos mais inclinados. A Usina Cucaú tem 135 anos, emprega cerca de 5 mil na safra e 2,2 mil na entressafra, processando em média 1,4 milhão de toneladas de cana por moagem (815 mil toneladas próprias). Além da Cucaú, o EQM opera as usinas Utinga Leão (Rio Largo, AL) e Estivas (Arês, RN), abrangendo sete municípios.