
"Colheita de Milho no Sul do Brasil: Desafios Climáticos, Preços e Projetos de Etanol Moldam o Cenário Agrícola"
A colheita de milho no Sul do Brasil está avançando com ritmo desigual, impactada por negociações limitadas e chuvas instáveis. No Rio Grande do Sul, o preço médio recuou 2,24%, com a colheita atingindo 49% da área. Em Santa Catarina, há impasse entre produtores e indústrias, enquanto a colheita está em 16% da área. No Paraná, o clima favorece o avanço da colheita, já em 18% da área, mas o mercado permanece pouco fluido. O Mato Grosso do Sul vê cotações entre R$ 53,00 e R$ 55,00 e semeadura lenta da safrinha. Internacionalmente, o mercado de milho demonstra estabilidade, sustentado pela demanda energética e exportações dos EUA, mas enfrenta incertezas como a votação sobre a venda de E-15. No mercado interno, a B3 reflete lentidão nas negociações, com produtores sem pressa para vender. Analistas preveem estabilidade de preços no curto prazo.
Colheita de Milho no Sul do Brasil Enfrenta Desafios com Ritmo Desigual e Baixa Liquidez
A colheita de milho no sul do Brasil está avançando, mas o processo é marcado por um ritmo desigual e negociações limitadas, à medida que os produtores permanecem cautelosos na venda. Segundo o levantamento da TF Agroeconômica, o clima tem permitido algum progresso, porém, a instabilidade climática e a retração dos compradores têm mantido a liquidez baixa e pressionado os preços para baixo.
Ritmo de Colheita por Região
No estado do Rio Grande do Sul, as negociações são pontuais, com preços entre R$ 57,00 e R$ 79,00 por saca, dependendo da região e dos custos logísticos. Conforme relatório da Emater-RS, o preço médio estadual caiu 2,24% na semana, fixando-se em R$ 59,34. Até o momento, 49% da área plantada foi colhida, mas esse ritmo está abaixo do registrado no mesmo período de 2025. Chuvas irregulares têm ajudado na colheita, mas prejudicam a produtividade das safras tardias.
Em Santa Catarina, o mercado enfrenta entraves devido ao descompasso entre as pedidas dos produtores, que giram em torno de R$ 75,00 por saca, e as ofertas das indústrias, que se mantêm em R$ 65,00. Aqui, a colheita atinge apenas 16% da área, um número abaixo da média histórica, enquanto a escassez de chuvas se transforma em uma preocupação crescente para as lavouras tardias.
No Paraná, o clima estável tem favorecido o progresso da colheita da primeira safra que já cobriu 18% da área plantada. Contudo, o mercado continua pouco dinâmico, com indicações de vendas ao redor de R$ 70,00 por saca, enquanto os compradores estão oferecendo R$ 60,00 CIF. Em Mato Grosso do Sul, os preços variam entre R$ 53,00 e R$ 55,00, com 14% da área da safrinha semeada, mas o avanço ainda é lento devido às chuvas irregulares.
Mercado Futuro
Após o feriado, o mercado de milho apresentou pouca movimentação tanto na Bolsa de Chicago quanto na B3. Investidores aguardam novas projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos durante o Outlook Forum. Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros fecharam próximos da estabilidade. O vencimento março/26 encerrou em US$ 4,27 por bushel, uma alta de 0,18%; maio/26 registrou US$ 4,36 (+0,23%), julho/26 fechou a US$ 4,44 (+0,11%) e setembro/26 alcançou US$ 4,45 (+0,17%).
Suporte dos Preços Internacionais
A demanda global crescente, o aumento da mistura de biocombustível na gasolina dos Estados Unidos e o forte desempenho das exportações norte-americanas são fatores que têm trazido suporte aos preços do milho. A valorização do petróleo tem incrementado o interesse pelo milho destinado à produção de etanol, o que reforça a demanda energética.
No entanto, os ganhos ainda são limitados devido à indefinição sobre o projeto de lei que trata da venda de E-15, gasolina com 15% de etanol, durante todo o ano nos Estados Unidos. A decisão está prevista para o final do mês, influenciando o mercado a aguardar em compasso de espera.
Mercado Interno e Perspectivas
Internamente, os preços futuros na B3 mantiveram-se estáveis na última quarta-feira, com o contrato março/26 cotado a R$ 70,95 (-0,23%), maio/26 a R$ 70,39 (-0,31%), julho/26 a R$ 68,65 (-0,06%) e setembro/26 a R$ 68,18 (-0,06%). A Agrinvest Commodities destaca a baixa liquidez e a disputa de preços no retorno do feriado, com produtores sem pressa para vender, reforçando a percepção de escassez pontual.
Analistas projetam que o cenário de estabilidade de preços deve prevalecer no curto prazo, enquanto o impacto da nova safra e das exportações não for completamente claro. O mercado internacional deve acompanhar as decisões do Fórum do USDA, enquanto o Brasil permanece atento às condições climáticas e ao progresso da colheita nas próximas semanas.


