
Mato Grosso – Os métodos tradicionais de agricultura, de transmissão de conhecimento do campo, evoluíram consideravelmente em Mato Grosso. Hoje, o que antes era aprendido por meio da observação é agora orientado por pesquisas científicas que buscam tornar as lavouras mais sustentáveis.
Com o objetivo de aumentar a produtividade e promover o uso eficiente de insumos, os Centros Tecnológicos do Araguaia e do Parecis, mantidos pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e pelo Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro), vêm se destacando na condução de estudos que oferecem práticas mais conscientes e sustentáveis para os agricultores.
Conforme Luiz Pedro Bier, vice-presidente e coordenador da Comissão de Sustentabilidade da Aprosoja MT, a aplicação de ciência e tecnologia no campo gera eficiência, permitindo maior produtividade sem expansão das áreas de cultivo. "Conseguimos produzir mais em menos áreas, cada vez mais barato, cada vez com mais abundância", afirmou, destacando o equilíbrio trazido por esses avanços entre conservação ambiental e desenvolvimento social.
O protagonismo do Brasil em pesquisas agrícolas, especialmente para o clima tropical e solos desafiadores, é evidenciado pela capacidade do país de ser um líder global no setor agrícola. Bier salientou que a agricultura mato-grossense é um exemplo desse avanço, enfatizando que o país não teve modelos para replicar devido à complexidade de seu clima e solo.
No CTECNO Parecis, dirigido por Rodrigo Hammerschmitt, inúmeras experimentações são realizadas, incluindo o estudo de plantas de cobertura e culturas de repetição. Esses experimentos são essenciais para que os produtores sejam direcionados para práticas mais eficazes. A utilização de plantas como a braquiária em solos arenosos, por exemplo, demonstrou melhora significativa na rentabilidade por hectare.
Os dados obtidos nas pesquisas permitem aos produtores, tradicionalmente resistentes à mudança, observar de perto o sucesso das práticas agrícolas testadas. A Aprosoja Mato Grosso facilita essa transferência de conhecimento por meio de visitas técnicas e publicações. "Quem acompanha essas atividades pode melhorar a partir do conhecimento adquirido e aplicar os recursos economizados em outras áreas da propriedade", explicou Hammerschmitt.
Alberto Chiapinotto, produtor rural no núcleo de Jaciara, é um exemplo de colaboração bem-sucedida com o CTECNO Parecis. Após verificar os resultados em solos arenosos, ele incorporou técnicas na sua propriedade, aumentando a produtividade do cultivo de soja.
Chiappinotto reforça a tese de que o investimento em tecnologia é uma das decisões mais acertadas no cultivo. Segundo ele, sem o apoio da pesquisa, a agricultura mato-grossense não teria alcançado o sucesso atual.
Dessa forma, Mato Grosso se posiciona como um líder não apenas em produção, mas também na aplicação de práticas sustentáveis e na conservação ambiental. A continuidade dos investimentos em pesquisa é crucial para manter e expandir este papel no cenário global, garantindo, assim, alimento de qualidade e sustentabilidade econômica para as gerações futuras.

Resumo: O Ministério da Agricultura está negociando com a Fazenda um aumento de 10% nos recursos do Plano Safra 2026/27 em relação ao ciclo anterior, o que pode elevar o volume destinado à agricultura empresarial para próximo de R$ 570 bilhões. A agricultura familiar fica sob a condução de outro ministério. O objetivo é manter a taxa de juros “teto” em um dígito, e o novo Plano Safra deve ser anunciado em 1º de julho.

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