
O cenário climático para a próxima safra de arroz no Mercosul ganhou novos contornos de atenção. De acordo com Sergio Cardoso, analista da cadeia do cereal, o reforço do El Niño previsto para o segundo semestre de 2026 eleva a probabilidade de uma primavera com mais chuvas na região e, com isso, amplia o monitoramento dos possíveis efeitos sobre a produção.
No Rio Grande do Sul, volumes elevados de precipitação entre setembro e novembro de 2026 podem atrasar o preparo das áreas, dificultar a semeadura do arroz irrigado e pressionar os custos operacionais das lavouras.
Já no Uruguai e na Argentina, a perspectiva de reservatórios mais cheios favorece o abastecimento hídrico para a irrigação. Em contrapartida, o excesso de umidade tende a ampliar os desafios de manejo das plantações.
No Paraguai, a maior disponibilidade de água reduz o risco de restrições à irrigação do arroz. No entanto, eventos pluviométricos intensos podem prejudicar as operações de campo e aumentar a pressão de doenças.
Cardoso também destaca que um El Niño de maior intensidade é capaz de reduzir a radiação solar, elevar a nebulosidade e intensificar a incidência de doenças. Esses fatores teriam impactos diretos sobre a produtividade, o rendimento industrial e a qualidade final dos grãos.
As avaliações, publicadas em 10 de agosto de 2026, reforçam a necessidade de acompanhamento contínuo das condições climáticas ao longo do ciclo da safra mercosulina.

A colheita brasileira de café atingiu 76% do total esperado até o fim de julho de 2026, segundo o Rabobank. As exportações de junho ficaram em 3,06 milhões de sacas, com o atraso da colheita afetando o ritmo dos embarques, e o acumulado do semestre em 17,8 milhões de sacas.

Sistema inteligente da Smartirriga, com IA, sensores e automação, cortou em 36% o uso de água em lavouras de café no ES. A empresa participou do Programa Sementes e prepara-se para novas oportunidades comerciais.

A produção brasileira de trigo em 2026 deverá ser 23,5% menor que a do ano anterior, segundo a Conab. Em 2027, as importações do cereal devem crescer 1,9 milhão de toneladas para abastecer o setor moageiro.

A comercialização oficial de cacau em Camarões somou 247.914 toneladas na safra 2025/26, segundo o ONCC, com retração de 19,9% frente ao recorde anterior. Cotações em Nova York e projeções para Gana e Costa do Marfim acompanham o cenário de oferta e clima.

Os preços do etanol hidratado e anidro caíram na última semana de julho no mercado paulista, enquanto o açúcar cristal encerrou o mês com leve alta acumulada, mas já recuou no começo de agosto. Oferta elevada e tempo seco impulsionam a colheita, e usinas de cana e milho enfrentam margens apertadas.