
Estudo aponta impacto do controle fitossanitário na produtividade da soja em meio ao avanço do uso de defensivos
Simulações da Universidade Federal de Viçosa (UFV) demonstram que a ausência de controle fitossanitário pode derrubar a produtividade da soja para 32 sacas por hectare. Paralelamente, levantamento do Ipea indica que o consumo de agrotóxicos no Brasil saltou de 180 mil para 800 mil toneladas anuais entre 2003 e 2023.
No Brasil, a relação direta entre o manejo fitossanitário e o rendimento das lavouras de soja ganha contornos numéricos precisos por meio de simulações acadêmicas, ao mesmo tempo em que o volume de insumos aplicados no campo registra um crescimento expressivo nas últimas duas décadas. Dados baseados em estudos da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e levantamentos históricos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) traçam um panorama sobre a dependência da cultura em relação à proteção química e o avanço do consumo de agrotóxicos no território nacional.
Cenários de produtividade e proteção da lavoura
Um estudo conduzido pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) simulou diferentes cenários de manejo para avaliar o peso da proteção fitossanitária no resultado final da colheita de soja no Brasil. Para o produtor rural e para o mercado de commodities, compreender essas variações é fundamental para dimensionar os riscos operacionais e a viabilidade econômica da safra.
De acordo com os dados projetados pela instituição, no cenário classificado como de "controle ótimo", que garante 80% de proteção da lavoura, a produtividade estimada da oleaginosa atinge a marca de 72 sacas por hectare. Esse patamar reflete o potencial produtivo da cultura quando as ameaças são mitigadas de forma eficiente, garantindo maior volume de grãos para comercialização.
Por outro lado, quando o nível de proteção é reduzido, os reflexos na colheita são severos. A simulação da UFV aponta que, em um cenário de controle parcial — equivalente a 40% de proteção da área plantada —, o rendimento da soja cai para 52 sacas por hectare.
A situação mais drástica para o sojicultor ocorre na ausência total de controle. Sem qualquer intervenção fitossanitária, a produtividade estimada despenca para apenas 32 sacas por hectare por safra. Na prática, a diferença entre o controle ótimo e a ausência de controle representa uma perda de 40 sacas por hectare, evidenciando o impacto direto que a falta de proteção exerce sobre a oferta do grão no mercado.
Salto no consumo nacional de agrotóxicos
A busca por manter os índices de produtividade em patamares elevados, como os 72 sacos por hectare demonstrados no cenário de controle ótimo, ocorre em paralelo a um aumento substancial na utilização de defensivos agrícolas no país. O mercado brasileiro de insumos passou por uma forte expansão nas últimas décadas.
Informações compiladas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) documentam uma escalada no volume de produtos aplicados ao longo de um período de vinte anos. No ano de 2003, o consumo nacional de agrotóxicos era de 180.000 toneladas anuais.
Duas décadas depois, os números do Ipea revelam uma transformação na escala de uso desses insumos. Em 2023, o consumo de agrotóxicos no Brasil saltou para 800.000 toneladas por ano. Esse crescimento histórico documenta a intensificação do uso de tecnologias de proteção química no campo brasileiro, um fator que caminha lado a lado com a necessidade de evitar as quebras de produtividade simuladas nas pesquisas acadêmicas.




