
Os indicadores do Cepea/Esalq apontaram novas baixas para o etanol no mercado de São Paulo na semana de 27 a 31 de julho de 2025. O hidratado fechou a R$ 2,0454 por litro, valor que não inclui frete, ICMS nem PIS/Cofins, com retração de 1,49% em relação à semana anterior. No mesmo intervalo, o anidro registrou média de R$ 2,3141 por litro e queda de 2,71%.
O açúcar cristal branco terminou julho cotado a R$ 91,50 a saca de 50 quilos, depois de quatro recuos diários na última semana do mês. No acumulado de julho, a cotação ficou praticamente estável, com variação positiva de 0,25%. Já na segunda-feira, 3 de agosto, o preço médio recuou para R$ 90,82 a saca, com baixa diária de 0,74%.
Segundo o Cepea, a retração do etanol decorre do volume elevado ofertado por unidades paulistas e de outros estados, que destinam o produto às principais bases de distribuição. Os estoques nos tanques já preocupam os vendedores. Algumas usinas também venderam por necessidade financeira, com descontos mais acentuados em determinadas regiões. No açúcar, a liquidez permanece restrita e os compradores atuam de forma seletiva.
Condições climáticas favoráveis, com tempo seco e ausência de chuvas, têm acelerado a colheita da cana-de-açúcar em São Paulo e em outras áreas do país. Para o segundo semestre, avaliações recentes indicam que chuvas mais frequentes no Centro-Sul devem beneficiar o desenvolvimento dos canaviais, embora possam adiar a colheita e restringir o avanço do ATR (Açúcar Total Recuperável).
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) projeta que o El Niño continue se intensificando, com pico entre agosto e outubro de 2026 e mudanças relevantes nos padrões de precipitação.
A queda dos preços do etanol neste ano tem gerado preocupação entre usinas de cana-de-açúcar e de milho. As vendas do biocombustível não têm sido suficientes para cobrir os custos de produção elevados. A consultoria Pecege calcula o custo médio de produção do etanol de milho em R$ 2,75 por litro. Em Mato Grosso, principal polo produtor, o preço médio de venda fica em R$ 2,62 por litro.
Ainda de acordo com o Pecege, a comercialização de DDG pode render receita adicional de R$ 0,73 por litro de etanol, enquanto o óleo de milho contribui com R$ 0,20 por litro. Na FS, uma das principais produtoras de etanol de milho, cerca de 45% do custo do milho é coberto pela receita desses coprodutos.
A CerradinhoBio reconhece que o etanol isoladamente não cobre todos os custos. O CEO Renato Pretti destacou o papel essencial dos coprodutos para equilibrar as contas das usinas.
Julho encerrou com novas quedas nos preços mensais dos etanóis e do açúcar em São Paulo, segundo o Cepea.

A colheita de milho em Mato Grosso foi marcada por chuvas em junho que atrasaram os trabalhos e exigiram secagem artificial de parte da produção, enquanto os preços em Sinop caíram em relação a anos anteriores, mesmo com a produtividade das lavouras se mantendo estável.

O USDA informou que o índice de qualidade da soja nos Estados Unidos ficou em 63% na semana encerrada na última segunda-feira (3), número estável em relação à semana anterior, mas inferior aos 69% observados no mesmo período do ano passado.

A influência do El Niño sobre a safra 2026/27 deverá ir muito além das alterações no regime de chuvas. Em um cenário de custos elevados, margens mais apertadas e maior exposição ao risco climático, especialistas defendem que o produtor precisará adaptar sua estratégia de manejo para reduzir perdas e aumentar a capacidade de resposta das lavouras diante das adversidades
O Brasil produziu cerca de 36 bilhões de litros de etanol na safra 2025/2026, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA). Com a aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para a ampliação do volume de etanol anidro na gasolina para 32% (E32), válida a partir de 1º de agosto de 2026, a demanda por etanol deve aumentar em 1 bilhão de litros por ano.

A queda de geração nas usinas tipo 3, que incluem cogeração movida a biomassa de cana-de-açúcar, é preocupante, mas não há solução à vista, segundo Alexandre Leite, sócio da área de energia do Dias Carneiro Advogados. Para a cogeração, não há previsão de reembolso pela energia não vendida, apenas para as renováveis; segundo Leite, a solução exigiria mudanças legislativas. As distribuidoras afirmam que apenas seguem ordens do ONS, enquanto a Abradee diz que os prejuízos causados pela interrupção decorrentes dessas determinações não caracterizam falta de prestação do serviço. O texto evidencia um impasse regulatório entre o marco regulatório, as decisões operatorias e as expectativas do setor elétrico.