
EUDR pode afetar até US$ 17,5 bi ao ano nas exportações da agroindústria brasileira
Estudo da consultoria BIP estima que o regulamento europeu antidesmatamento (EUDR) pode afetar até US$ 17,5 bilhões por ano nas exportações da agroindústria brasileira, o equivalente a cerca de 16% do total do setor. A norma alcança sete commodities e começa a produzir efeitos concretos a partir de 2027, em um cenário de baixa análise do CAR e de cadeias com diferentes graus de vulnerabilidade.
O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) pode afetar até US$ 17,5 bilhões por ano nas exportações da agroindústria brasileira, segundo estudo da consultoria BIP. O montante equivale a cerca de 16% do total exportado pelo setor. Na avaliação da consultoria, o impacto está associado às exigências de due diligence e rastreabilidade sobre produtos agrícolas exportados, além de restrições e exigências socioambientais da norma.
A EUDR alcança produtos associados a sete commodities: bovinos, cacau, café, óleo de palma, borracha, soja e madeira. Conforme o Money Times, o regulamento começará a produzir efeitos concretos a partir de 2027.
Vulnerabilidade das cadeias
Mapeamento da BIP atribuiu notas de vulnerabilidade às cadeias produtivas brasileiras perante as regras europeias. O setor de gado obteve a nota máxima, de 4,00 pontos, em razão da forte associação histórica com o desmatamento e da ausência de rastreabilidade consolidada desde a origem.
Na mesma avaliação, a cadeia do cacau recebeu 3,75 pontos. As cadeias da soja e da madeira obtiveram 3,50 pontos cada.
No recorte da carne bovina, menos de 20% dos frigoríficos brasileiros possuem autorização para exportar ao mercado da União Europeia, segundo Bruno Capuzzi, do Insper Agro Global. A limitação histórica está ligada ao controle de febre aftosa. Em separado, o protocolo sanitário histórico para esse controle exige rastreabilidade do gado de 90 dias antes do abate para a exportação à UE.
Perfil dos estabelecimentos e Cadastro Ambiental Rural
Levantamento da BIP indica que os agricultores familiares representam 77% dos estabelecimentos rurais no Brasil. Produtores rurais sem terra própria correspondem a 19% dos estabelecimentos. De acordo com a consultoria, a ausência de titulação formal inviabiliza o atendimento aos critérios de compliance ambiental.
Apenas 4,5% dos 8 milhões de imóveis rurais cadastrados no Cadastro Ambiental Rural (CAR) possuem a análise do cadastro concluída. A consultoria atribui o quadro à lentidão na regularização e na análise dos cadastros pelos órgãos ambientais.




