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Léo Fett Filho resgata a história do agro e a relação da família com A Granja
Em entrevista a A Granja, Léo Fett Filho relembra a trajetória do pai, antigo colaborador da revista, e fala sobre a evolução da agricultura brasileira, o cooperativismo, a expansão dos produtores gaúchos e a importância de preservar a memória do campo.
A história da agricultura brasileira também pode ser contada por meio de quem acompanhou suas transformações de perto, e de quem preservou os registros deixados pelas gerações anteriores.
Léo Fett Filho carrega essa relação dentro de casa. Seu pai, Léo Fett, engenheiro agrônomo radicado em Santo Ângelo (RS), escreveu artigos para A Granja e teve no trigo e no cooperativismo alguns dos principais temas de sua trajetória. Décadas depois, o filho ainda guarda exemplares antigos da revista e recordações de um período em que a mecanização começava a transformar as lavouras gaúchas.
Em entrevista a A Granja, Léo relembrou a atuação do pai, a expansão dos agricultores do Rio Grande do Sul para outras regiões, o desenvolvimento do agro brasileiro e a importância de preservar essa história para as próximas gerações.
Léo Fett Filho
A Granja – Qual era a relação do seu pai com a revista?
Léo Fett Filho – Meu pai escrevia artigos para A Granja. Ele não trabalhava na revista, era um colaborador, um “livre-atirador”, vamos dizer assim, e A Granja acolhia os textos dele. A linha dele era principalmente o trigo e o cooperativismo.
A Granja – E como foi a trajetória dele na agricultura?
Léo Fett Filho – Meu pai era agrônomo. Formou-se em 1945, em Piracicaba, e depois veio para Santo Ângelo. Na época, era um dos primeiros agrônomos da região. Mais tarde, também participou da fundação da Cotrisa. Ele passou a vida defendendo a política do trigo.
Naquele período, o Brasil gastava muitas divisas com a importação do cereal. E aquelas lavouras de trigo nas coxilhas, com a agricultura mecanizada que começava a se desenvolver, tiveram uma importância muito grande. Foi também a partir daquela estrutura que a soja ganhou espaço.
A Granja – Então o trigo teve um papel importante na modernização das propriedades?
Léo Fett Filho – Sem dúvida. O pequeno produtor começou a ter um produto com valor econômico e foi ganhando independência. Isso aconteceu especialmente a partir da década de 1960.
Antes disso, meu pai já fazia experiências com soja, ainda em 1937. Também tivemos um dos primeiros tratores da região, que ajudou a lavrar aqueles campos missioneiros de Santo Ângelo. Era uma agricultura que começava a mudar.
A Granja – O que mais chama a sua atenção quando compara aquela agricultura com a de hoje?
Léo Fett Filho – Houve uma evolução muito grande, e muito disso aconteceu por causa daqueles pioneiros. O Rio Grande do Sul, por exemplo, acabou se tornando um exportador de agricultores.
Muitos saíram daqui para Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e depois seguiram para outras regiões do Norte do Brasil. Houve também agricultores que foram para Argentina e Paraguai.
Foi um movimento que começou com pessoas que se aventuraram na agricultura e depois acabou se espalhando por diversas regiões.
A Granja – O senhor também mantém uma coleção antiga de exemplares de A Granja. Como surgiu esse acervo?
Léo Fett Filho – Tenho várias revistas antigas. Acredito que algumas sejam das décadas de 1940 e 1950. Tenho exemplares de 1951, 1955 e materiais que mostram, inclusive, exposições que aconteciam no Menino Deus.
Há alguns anos, esse material estava praticamente destinado a ser queimado durante uma limpeza. Resolvi guardar tudo dentro de alguns baús e coloquei no forro de um galpão. Está lá preservado.
Hoje vejo que existem coisas muito interessantes naquele material.
A Granja – Na sua visão, quanto desse avanço atual depende do trabalho realizado pelas gerações anteriores?
Léo Fett Filho – Muito. Acho importante reconhecer as pessoas que participaram dessa transformação.
Quando olhamos para o Brasil daquela época, vemos uma agricultura muito diferente. Café e cana-de-açúcar tinham grande importância, a soja ainda estava começando e a produção era muito menor.
Depois vieram a pesquisa, a tecnologia e instituições como a Embrapa, que tiveram enorme importância para aquilo que o Brasil representa hoje na produção de soja, milho, pecuária e exportações.
É importante reconhecer quem fez parte desse processo.
A Granja – Por que preservar essa memória é tão importante?
Léo Fett Filho – É como o neto reconhecer aquilo que o avô e o bisavô fizeram. Precisamos conhecer aquilo que veio antes de nós.
É necessário resgatar essa história para quem vem atrás: nossa juventude, nossos filhos e nossos netos.
A Granja – E o que o senhor espera de A Granja daqui para frente?
Léo Fett Filho – Espero que continue existindo um espaço que divulgue a realidade do agricultor e do pecuarista. Precisamos de quem mostre aquilo que acontece no campo.
Não é uma tarefa fácil. É preciso coragem para mostrar a realidade, mas, se conseguirmos chegar perto disso, já será muito importante.




