
Morango e Portaria 886/2026: mudanças em classificação, embalagem e rotulagem preocupam produtores do RS; Fetag-RS cobra esclarecimentos
Na quarta-feira (8), a Fetag-RS esteve no Ministério da Agricultura, na Secretaria de Defesa Agropecuária, para discutir os impactos da Portaria nº 886/2026 sobre a produção de morango.
Fetag-RS leva ao Ministério da Agricultura preocupação com novas regras de classificação do morango
Portaria nº 886/2026, em vigor desde fevereiro, altera critérios de embalagem e rotulagem e pode elevar custos e aumentar desperdício na produção familiar.
A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) participou, nesta quarta-feira (8), de uma agenda no Ministério da Agricultura, junto à Secretaria de Defesa Agropecuária, para discutir os impactos da Portaria nº 886/2026 sobre a produção de morango no Brasil, com foco nas consequências para agricultores familiares.
O encontro contou com o acompanhamento dos deputados Heitor Schuch e Elton Weber. Segundo a entidade, a normativa tem gerado preocupação no campo por estabelecer exigências que podem alterar a dinâmica de colheita, seleção, padronização e comercialização do produto, especialmente em propriedades menores, onde a mão de obra e a estrutura de beneficiamento são mais limitadas.
O que muda com a Portaria nº 886/2026
A Portaria nº 886/2026, baseada em padrões do Mercosul, define novos critérios de classificação e regras para embalagem e rotulagem do morango comercializado no país. Entre os pontos considerados mais sensíveis pelo setor, está a exigência de uniformidade de tamanho dentro das embalagens.
Na prática, o cumprimento integral da regra pode exigir uma triagem mais rígida e detalhada após a colheita — etapa que tende a aumentar tempo de trabalho, necessidade de pessoal e custos de operação. Outro aspecto destacado é a possibilidade de reclassificação e reetiquetagem de lotes que não atendam ao padrão definido.
Em resumo: produtores temem que as novas exigências aumentem despesas e levem ao descarte de frutos aptos para consumo, caso não se enquadrem nos critérios de padronização.
Para a Fetag-RS, a elevação de custos e o risco de desperdício são fatores que podem comprometer a renda de agricultores familiares, pressionando a cadeia produtiva e encarecendo processos que, até então, eram conduzidos com maior flexibilidade, principalmente em mercados locais e regionais.
Principais pontos em debate
Uniformidade de tamanho dos frutos dentro das embalagens.
Reclassificação de lotes fora do padrão.
Reetiquetagem e ajustes de rotulagem, com impacto operacional.
Possível aumento de custos na seleção e no beneficiamento.
Risco de descarte de morangos em boas condições de consumo.
Tema Possível efeito na produção Padronização por tamanho Triagem mais rigorosa, maior tempo de seleção e necessidade de mão de obra. Reclassificação e reetiquetagem Aumento de custos operacionais e ajustes logísticos para adequação de lotes. Impacto no desperdício Maior risco de descarte de frutos adequados para consumo, mas fora do padrão.
Ministério afirma que não há fiscalização ou multas neste momento
Durante a reunião, o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, informou que, no momento, não há fiscalização nem aplicação de multas relacionadas à portaria, trazendo um alívio temporário para produtores preocupados com a possibilidade de autuações.
Ainda assim, a Fetag-RS reforçou a necessidade de diálogo e avaliação dos impactos reais da norma sobre a cadeia do morango, especialmente considerando a diversidade de modelos produtivos no país e o peso da agricultura familiar no abastecimento e na geração de renda no meio rural.
Destaque: apesar de a portaria estar em vigor desde fevereiro, o Ministério indicou que não há, por ora, medidas punitivas.
Encontro no Rio Grande do Sul será realizado em maio
Como encaminhamento, ficou prevista a realização de um encontro no Rio Grande do Sul, no mês de maio, com a presença de representantes do Ministério. A proposta é ampliar a conversa com produtores, esclarecer dúvidas e debater, de forma técnica e prática, os efeitos da portaria na rotina de classificação, embalagem e comercialização.
A expectativa é que o evento ajude a mapear gargalos, identificar riscos de perda econômica e discutir alternativas que preservem tanto a qualidade do produto oferecido ao consumidor quanto a viabilidade da produção, especialmente para pequenos agricultores que operam com margens mais apertadas.
O que deve ser discutido no encontro
Esclarecimentos sobre critérios de classificação, embalagem e rotulagem.
Impacto econômico das exigências na agricultura familiar.
Possíveis ajustes e orientações para reduzir desperdício.
Implementação e prazos, considerando realidades regionais.
Entidade afirma que seguirá acompanhando o tema
Ao final, a Fetag-RS informou que continuará acompanhando o assunto e atuando na defesa dos agricultores e pecuaristas familiares gaúchos, mantendo o diálogo com autoridades e representantes do setor para que as mudanças regulatórias sejam implementadas com clareza, previsibilidade e equilíbrio entre padronização e sustentabilidade econômica.
O debate em torno da Portaria nº 886/2026 ocorre em um contexto em que produtores buscam reduzir perdas pós-colheita, preservar a qualidade do alimento e garantir competitividade. Para o setor, a construção de soluções passa por ouvir quem está na ponta do sistema: os responsáveis por plantar, colher, selecionar e colocar o morango à disposição do consumidor.




