
Safra de Laranja 2025-26 no cinturão citrícola de SP e Triângulo Mineiro: 292 milhões de caixas, alta de 27% apesar da seca e da doença greening
A safra de laranja 2025-26 no cinturão citrícola de São Paulo e no Triângulo Mineiro atingiu 292 milhões de caixas, um avanço de quase 27% frente ao ciclo anterior, mas ficou abaixo das projeções iniciais devido a fatores climáticos e fitossanitários.
Safra de laranja 2025-26 cresce quase 27% no cinturão citrícola, mas seca e greening reduzem potencial
O encerramento da safra de laranja 2025-26 no cinturão citrícola de São Paulo e no Triângulo Mineiro aponta uma produção de 292 milhões de caixas, resultado que representa um avanço de quase 27% em relação ao ciclo anterior. Ainda assim, o volume final ficou abaixo da projeção inicial, impactado por uma combinação de fatores climáticos e fitossanitários ao longo do período.
Produção aumenta, mas fica abaixo do esperado
O número consolidado confirma uma recuperação em comparação à safra anterior, que somou 230 milhões de caixas. No entanto, o desempenho ficou aquém do potencial indicado nas estimativas iniciais, refletindo perdas significativas durante a formação e a manutenção dos frutos.
Entre os principais motivos para a revisão para baixo, destacam-se a irregularidade das chuvas e o avanço do greening (doença que afeta os pomares e compromete produtividade e qualidade), ampliando a queda de frutos e reduzindo o tamanho final em parte das áreas avaliadas.
Mesmo com alta expressiva, o fechamento da safra indica que eventos climáticos e pressão de doenças continuam como fatores centrais para o desempenho do setor citrícola.
Menos chuva ao longo da safra elevou o estresse das plantas
A falta de precipitações foi um dos impactos mais relevantes do ciclo. Entre maio de 2025 e março de 2026, o volume de chuvas ficou cerca de 13% abaixo da média histórica. Em determinadas regiões, a restrição hídrica foi ainda mais severa, chegando a até 30% abaixo do padrão.
Esse cenário de estiagem prolongada aumenta o estresse fisiológico das plantas e pode limitar o desenvolvimento dos frutos, influenciando a produtividade. Ao final do período, houve registro de redução no tamanho em parte da produção, um efeito associado à menor disponibilidade de água em momentos críticos do ciclo.
Ponto de atenção para o setor
Chuvas abaixo da média comprometem o enchimento e o calibre dos frutos.
Oscilações climáticas dificultam o planejamento e aumentam a incerteza sobre o rendimento.
Pressão fitossanitária tende a se intensificar quando pomares ficam mais vulneráveis.
Greening intensificou perdas e elevou a queda de frutos
Além do clima, a safra foi fortemente marcada pelo avanço do greening, considerado um dos principais desafios da citricultura. A doença contribuiu para aumentar a queda de frutos, que fechou em 23,2%, acima da estimativa inicial para o período.
Segundo os dados consolidados, o greening, sozinho, foi responsável por uma perda de cerca de 50 milhões de caixas no ciclo. Esse impacto ajuda a explicar por que o resultado final, embora maior que o do ano anterior, ficou abaixo do que se projetava no início da safra.
O aumento da queda de frutos tem efeito direto na oferta, na rentabilidade dos pomares e no planejamento de colheita e processamento. Em termos práticos, perdas nessa magnitude reforçam a necessidade de estratégias consistentes de monitoramento e manejo fitossanitário, especialmente em regiões onde a incidência da doença tem avançado.
Chuvas no início de 2026 ajudaram variedades tardias, mas não evitaram redução do calibre
Apesar do quadro de precipitações insuficientes durante grande parte do período, as chuvas registradas no início de 2026 contribuíram parcialmente para o desempenho das variedades tardias. A melhora, contudo, não foi suficiente para neutralizar todos os efeitos da estiagem anterior.
O resultado observado foi uma recuperação limitada, com persistência de sinais de impacto no desenvolvimento, incluindo a redução no tamanho dos frutos em áreas afetadas. Esse tipo de variação é relevante porque pode influenciar a classificação e a eficiência operacional ao longo da colheita e do processamento, além de afetar estimativas de rendimento.
A leitura geral da safra aponta para um ciclo de recuperação em volume em comparação ao ano anterior, mas ainda condicionado por fatores que vêm se repetindo: instabilidade climática e pressão de doenças.
Resumo dos principais indicadores da safra 2025-26
Indicador Resultado / Observação Produção total 292 milhões de caixas Variação vs. safra anterior Crescimento de quase 27% Safra anterior 230 milhões de caixas Chuvas (maio/2025 a março/2026) Cerca de 13% abaixo da média; até 30% em algumas regiões Queda de frutos 23,2%, acima da estimativa inicial Perda atribuída ao greening Cerca de 50 milhões de caixas
Próxima estimativa será divulgada em maio
O setor já acompanha a transição para o próximo ciclo. A próxima estimativa da safra 2026-27 está prevista para 8 de maio, data que deve trazer novos parâmetros sobre produtividade esperada e possíveis efeitos de clima e sanidade dos pomares.
Até lá, o fechamento de 2025-26 reforça um cenário em que a citricultura avança em volume, mas permanece sensível a variações climáticas e ao controle de doenças. Para produtores e cadeia de abastecimento, o desafio segue sendo reduzir perdas e aumentar a resiliência do sistema, especialmente diante de períodos prolongados de estiagem e do impacto persistente do greening.




