
Mercados agrícolas encerram a terça-feira com movimentos mistos: suporte para a soja, leve alta do milho e queda do trigo em meio a clima e fatores de demanda.
Os mercados futuros de grãos encerraram a terça-feira (24) com desempenho misto na Bolsa de Chicago, em um pregão marcado por rumores de compras chinesas, discussões sobre política de biocombustíveis nos Estados Unidos e ajustes técnicos após semanas de valorização no trigo. No centro das atenções, a soja voltou a ganhar força, sustentada pelo complexo soja e por sinais de demanda, enquanto o milho avançou modestamente e o trigo recuou.
Resumo do dia: soja em alta com suporte do farelo e do óleo, milho com ganhos leves em meio à incerteza do E-15 e trigo em queda por realização de lucros e acompanhamento do clima nas planícies norte-americanas.
Os contratos futuros da soja terminaram o dia em alta na Bolsa de Chicago. O vencimento março subiu 0,46%, com o preço de US$ 11,3950 por bushel.
No cenário internacional, as cotações trabalharam mais firmes e “alinhadas”, apoiadas pelo desempenho do farelo e do óleo de soja, que também encontraram suporte nas negociações e ajudaram a sustentar o movimento de valorização do grão.
Um dos principais combustíveis para a alta veio do noticiário de mercado. Informações de consultorias apontaram que as cotações reagiram a rumores de compras chinesas envolvendo embarques pelo Pacific Northwest (PNW), um corredor relevante de exportação agrícola nos Estados Unidos, com foco na safra passada. Embora o mercado acompanhe com cautela esse tipo de sinal, a possibilidade de retomada ou intensificação de compras é um fator capaz de mexer com a formação de preços e com o apetite do investidor.
Além disso, cresceu a especulação de que a China possa redirecionar parte da demanda para o milho, uma vez que os preços internos do cereal teriam alcançado máximas de vários meses. Esse possível reposicionamento adiciona uma camada extra de análise para o mercado de grãos, pois mudanças de rota na demanda chinesa frequentemente reverberam em Chicago.
Ponto de atenção (oferta na América do Sul): projeções para a próxima temporada seguem no radar, principalmente por conta de chuvas excessivas em áreas centrais do Brasil e persistência de seca no Rio Grande do Sul.
Em estimativas para a temporada 2025/26, o economista agrícola Michael Cordonnier projetou a produção brasileira de soja em 178 milhões de toneladas. Segundo a leitura do analista, o cenário climático continua relevante para o potencial produtivo, combinando chuvas acima do ideal na região central com a continuidade da seca em áreas do Rio Grande do Sul.
Para a Argentina, Cordonnier manteve a projeção em 47 milhões de toneladas, mas indicou uma postura mais neutra a conservadora após registros de danos causados por ventos fortes e granizo em diferentes regiões produtoras. O mercado monitora esse tipo de ocorrência porque pode interferir na produtividade e na qualidade do grão, afetando a disponibilidade global.
No mercado europeu, dados oficiais indicaram enfraquecimento no ritmo de compras. As importações de soja da União Europeia na safra 2025/26, iniciada em julho, somaram 8,11 milhões de toneladas até 22 de fevereiro, representando uma queda de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Fator-chave: ritmo menor de importação pode influenciar a percepção de demanda no curto prazo.
Leitura de mercado: investidores ponderam o dado europeu com sinais de compra no eixo EUA–China.
No milho, os contratos futuros fecharam com leve alta. O vencimento março avançou 0,06%, encerrando a sessão a US$ 4,2775 por bushel.
O mercado segue acompanhando de perto as discussões sobre o E-15 nos Estados Unidos, mistura de gasolina com 15% de etanol. O tema tem impacto direto nas expectativas de consumo de milho, já que parte relevante do etanol norte-americano é produzida a partir do grão.
Um ponto que aumentou a incerteza foi o fato de o Conselho de Energia Doméstica Rural, criado para avaliar a viabilidade do uso do E-15 durante todo o ano e propor uma legislação específica, não ter apresentado o projeto no prazo esperado. Também não havia clareza sobre como a discussão seria conduzida nos dias seguintes, o que reforçou a cautela entre investidores.
Defensores da medida temem que, mais uma vez, a aprovação permanente do E-15 não avance, mantendo o uso do produto condicionado a autorizações temporárias por parte do órgão ambiental responsável pela regulamentação.
Projeção de impacto na demanda: estimativas do setor indicam que a liberação do E-15 ao longo de todo o ano poderia elevar gradualmente a demanda por milho em cerca de 63,5 milhões de toneladas adicionais, sobre uma base projetada de 142,25 milhões de toneladas para a safra 2025/26.
No cenário brasileiro, a estimativa para os embarques de milho em fevereiro indicou estabilidade. A projeção ficou em 1,13 milhão de toneladas, praticamente em linha com a previsão anterior de 1,12 milhão de toneladas.
O trigo teve movimento de baixa. O contrato com vencimento em maio recuou 0,35%, com preço de US$ 5,6750 por bushel ao fim do pregão em Chicago.
A leitura predominante foi de realização de lucros, após os ganhos expressivos acumulados nas duas semanas anteriores. Em sessões desse tipo, investidores que já estão comprados costumam reduzir posições para travar resultados, especialmente diante de sinais de que o mercado pode buscar acomodação no curto prazo.
O clima também permaneceu no radar. As previsões indicaram precipitações limitadas nas Planícies do Sul dos Estados Unidos na próxima semana, com volumes variando de chuvas esparsas até cerca de 5 centímetros em áreas produtoras de trigo do tipo Soft Red Winter (SRW). Esse acompanhamento é relevante porque a umidade do solo e o regime de chuvas influenciam o desenvolvimento das lavouras e podem mudar a percepção de oferta.
Produto Vencimento Variação Fechamento Soja Março +0,46% US$ 11,3950 por bushel Milho Março +0,06% US$ 4,2775 por bushel Trigo Maio -0,35% US$ 5,6750 por bushel
Observação: as oscilações refletem expectativas de demanda e oferta, além de fatores climáticos e regulatórios que influenciam diretamente o mercado de commodities agrícolas.
Com a combinação de rumores de demanda, projeções de safra na América do Sul e incertezas sobre políticas de combustíveis, o mercado tende a manter a volatilidade no curto prazo. Investidores seguem atentos a novos sinais de compras, atualizações climáticas e definições regulatórias que possam alterar o equilíbrio entre oferta e consumo.

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