
Mercado de máquinas agrícolas opõe queda nas vendas de novos e salto na procura por usados em 2026
O mercado brasileiro de máquinas agrícolas registrou cenários opostos nos primeiros oito meses de 2026. Enquanto a venda de equipamentos novos caiu, pressionada por endividamento e juros, a procura por maquinário usado em leilões disparou 83%.
O mercado brasileiro de máquinas e equipamentos agrícolas apresentou dinâmicas contrastantes entre janeiro e agosto de 2026. De um lado, a indústria de maquinário novo amargou quedas expressivas no faturamento e no volume de entregas; de outro, o segmento de usados negociados em leilões registrou forte aquecimento na oferta e na demanda.
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), as vendas do segmento de novos somaram R$ 36,3 bilhões nos primeiros oito meses de 2026, o que representa uma queda de 22,4% na comparação anual. Esse recuo é atribuído a fatores como a demanda interna mais fraca, o endividamento dos produtores rurais e os efeitos do câmbio sobre os preços das commodities.
O desempenho negativo da indústria também foi sentido no recorte mensal. Apenas em agosto de 2026, a receita líquida com máquinas novas foi de R$ 4,79 bilhões, um recuo de 22,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No mesmo período, as vendas a usuários finais totalizaram 3.324 tratores (queda de 25,5% ante agosto de 2025) e 112 colheitadeiras (baixa de 43,1%).
Avanço dos usados
Em contrapartida, o mercado de equipamentos de segunda mão ganhou tração. De acordo com a Sold Leilões, plataforma cujo volume financeiro anual chega a cerca de R$ 5 bilhões considerando todas as suas categorias, a procura específica pela categoria agro saltou 83% entre janeiro e agosto de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado. A empresa aponta que juros elevados, restrição de crédito e incerteza climática impulsionaram essa busca.
Acompanhando a demanda, as ofertas de máquinas e equipamentos agrícolas na plataforma aumentaram 45% nos oito primeiros meses do ano. O número de compradores também cresceu de forma expressiva, registrando alta de 60%. Como resultado, o valor geral de vendas da categoria agro na Sold Leilões subiu 9% no período, passando de R$ 48,5 milhões para R$ 52,8 milhões.




