
Pesquisadores identificam nova bactéria associada ao "mal do olho" em bovinos
Equipes da Embrapa, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e do Instituto Biológico (IB) identificaram uma nova espécie de bactéria, a Moraxella tarda, associada à ceratoconjuntivite infecciosa bovina — doença popularmente conhecida como "mal do olho". A descoberta, que remonta a 2018 e segue em desenvolvimento, abre caminho para novos diagnósticos e vacinas contra a enfermidade.
Nova bactéria entra no radar da pesquisa veterinária brasileira
Pesquisadores da Embrapa, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e do Instituto Biológico (IB) identificaram uma nova espécie bacteriana ligada à ceratoconjuntivite infecciosa bovina, enfermidade amplamente conhecida no campo como "mal do olho". A bactéria, denominada Moraxella tarda, foi isolada da mucosa nasal de bovinos da raça Hereford no Brasil. A identificação remonta a 2018 e permanece como referência ativa para estudos subsequentes, segundo informações atribuídas à Embrapa e aos pesquisadores Marta Martins e Fernando Cardoso.
A ceratoconjuntivite infecciosa bovina é uma das afecções oculares de maior impacto nos rebanhos, podendo comprometer a produtividade e o bem-estar animal. A descoberta da Moraxella tarda acrescenta um novo agente ao conjunto de espécies do gênero Moraxella já conhecidas por sua associação com a doença.
Comportamento distinto em laboratório
No ambiente laboratorial, a Moraxella tarda apresenta uma característica que a diferencia das demais espécies do mesmo gênero: leva cerca de 48 horas para exibir crescimento visível em cultivo, enquanto outras espécies de Moraxella costumam atingir esse estágio em aproximadamente 24 horas. A informação é atribuída a pesquisadores da Embrapa e indica que o isolamento e a identificação da nova espécie exigem atenção redobrada nos protocolos diagnósticos convencionais.
Surto em Minas Gerais evidencia complexidade do problema
A dimensão do desafio sanitário imposto pela ceratoconjuntivite fica clara em um surto registrado em Minas Gerais, documentado em estudos anteriores da Embrapa Gado de Leite. No episódio, 72% de um lote de novilhas da raça Holandesa foram acometidas pela doença, com presença conjunta das espécies Moraxella bovoculi e Moraxella oculi identificada nos animais afetados. O dado reforça que a enfermidade pode se disseminar rapidamente dentro de um lote e que diferentes espécies do gênero podem estar envolvidas simultaneamente em um mesmo surto.
Diagnóstico rápido e vacinas no horizonte
Para avançar no controle da doença, a pesquisadora Emanuelle Gaspar lidera, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), um projeto voltado ao desenvolvimento de testes de diagnóstico rápido baseados na técnica de qPCR e à identificação de alvos biológicos para a produção de vacinas recombinantes. A iniciativa, sediada em Minas Gerais e conduzida no âmbito da Embrapa, representa um passo concreto em direção a ferramentas mais precisas e ágeis para o manejo sanitário dos rebanhos bovinos brasileiros.




