
Senado aprova Profert com até R$ 10 bilhões em incentivos a fertilizantes
O Senado aprovou o Profert, com até R$ 10 bilhões em subsídios e créditos fiscais da CSLL em cinco anos e meta de cortar a dependência de importação de fertilizantes até 2050. O setor aponta, em paralelo, restrição imediata de enxofre e recuo esperado na demanda da safra em curso.
O Senado Federal aprovou o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert). A proposta, registrada em agosto, prevê até R$ 10 bilhões em subsídios e créditos fiscais vinculados à CSLL ao longo dos próximos cinco anos.
O programa fixa como meta reduzir a dependência da importação nacional de fertilizantes, hoje em 85%, para patamares entre 40% e 50% até 2050. A estimativa foi apresentada por Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic Fertilizantes.
Enxofre e operação das plantas
Enquanto o Profert se volta ao horizonte de longo prazo, o abastecimento imediato de insumos enfrenta restrições. Monteiro afirma que são necessários cerca de 400 quilos de enxofre para produzir uma tonelada de fósforo. Segundo o executivo, a alta do preço do enxofre inviabilizou a operação de diversas plantas globais de fosfatados.
A Mosaic Fertilizantes suspendeu as compras de enxofre desde o início dos conflitos no Oriente Médio e tem operado apenas com estoques antigos. De acordo com Monteiro, os conflitos estrangularam as rotas logísticas e fizeram o preço do insumo disparar.
Proposta de subsídio temporário
O setor produtivo articula uma proposta baseada em estudo do Sinprifert por um subsídio temporário de R$ 2 bilhões para a aquisição de enxofre. A medida busca evitar perdas de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões na economia, com retorno estimado de até R$ 15 por real investido, segundo o country manager da Mosaic.
Safra em curso
Na safra em curso, a demanda por fertilizantes deve recuar entre 15% e 20%, pressionada pela restrição ao crédito bancário e pela menor capacidade de pagamento dos produtores. A queda esperada no consumo de fertilizantes fosfatados chega a 30%.
A redução na aplicação de adubos pode derrubar a produtividade da soja em até 5%, em cenário associado à escassez e aos custos dos insumos tradicionais.
Monteiro também observa que a política atual de seguro agrícola cobre apenas 8% das áreas agrícolas no Brasil.




