
Passadas mais de cinco décadas desde a criação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), o Brasil chega à atual crise de oferta de petróleo em posição mais confortável do que grande parte do mundo. O motivo é a existência de um mercado consolidado de combustíveis renováveis, com destaque para os biocombustíveis, que funcionam como alternativa direta aos combustíveis fósseis.
Em um cenário internacional marcado por incertezas geopolíticas e pelo risco de escassez energética, o abastecimento brasileiro de etanol se mantém em trajetória de crescimento. A combinação de safra recorde de cana-de-açúcar e disponibilidade elevada de milho sustenta a produção nacional e reduz a vulnerabilidade do país a oscilações do mercado externo de petróleo e derivados.
Para o setor, o momento reforça o papel do etanol na matriz de transportes e abre espaço para ampliar a presença do produto também fora do país, em um contexto em que diversas economias buscam acelerar a transição energética e reduzir emissões.
A estimativa do setor é que a produção de etanol alcance 30 bilhões de litros na safra 2025/2026. O volume representa um incremento de quase 4 bilhões de litros em relação ao ciclo anterior, indicando uma expansão relevante da oferta em curto prazo.
Esse crescimento ocorre justamente quando o mercado global convive com incertezas relacionadas à oferta de petróleo, elevando o interesse por combustíveis alternativos e por cadeias produtivas com maior previsibilidade de suprimento.
De acordo com estimativas do setor sucroenergético, o volume adicional de etanol previsto para a safra 2025/2026 é quase equivalente ao total de gasolina importado pelo Brasil em 2025. A comparação dimensiona o peso do biocombustível para a segurança energética nacional, ao reduzir a necessidade de complementação do abastecimento com produto vindo do exterior.
Destaque: O avanço da produção de etanol reforça a capacidade do Brasil de atravessar períodos de pressão no petróleo com maior estabilidade de oferta no mercado interno.
O desempenho do etanol no Brasil é impulsionado por duas bases produtivas complementares. De um lado, a cana-de-açúcar, historicamente ligada ao biocombustível desde o Proálcool; de outro, o milho, que vem ampliando participação e contribuindo para uma oferta mais distribuída ao longo do ano.
Essa combinação fortalece a capacidade de resposta do setor diante de mudanças de demanda e de variações de preços no mercado internacional, oferecendo maior resiliência ao abastecimento e sustentando um ambiente propício a investimentos e expansão.

O Indicador Semanal do Etanol, da Cepea/Esalq/USP, aponta quedas nos preços do etanol nas usinas de São Paulo na última semana: o hidratado caiu 0,67% por litro e o anidro 2,11%, conforme o levantamento divulgado em 5/6/26.

Para os produtores, o contexto atual é visto como oportuno não apenas para manter a regularidade do abastecimento doméstico, mas também para explorar oportunidades no mercado externo. Com a busca global por soluções de menor intensidade de carbono, o etanol brasileiro tende a ganhar relevância como alternativa renovável dentro das estratégias de transição energética.
A disponibilidade adicional projetada para 2025/2026 sinaliza margem para o Brasil equilibrar prioridades: preservar o atendimento da demanda interna e, ao mesmo tempo, aproveitar janelas de exportação quando houver condições favoráveis.
Indicador Estimativa / Comparação Produção de etanol (safra 2025/2026) 30 bilhões de litros Alta em relação à safra anterior Quase 4 bilhões de litros Comparação do volume extra Próximo ao total de gasolina importada pelo Brasil em 2025 Base de oferta Safra recorde de cana e fartura de milho
Segurança de abastecimento: produção local reduz dependência de importações de derivados.
Alternativa renovável: substitui parte do consumo de combustíveis fósseis no transporte.
Capacidade de expansão: disponibilidade de cana e milho sustenta crescimento da oferta.
Potencial externo: maior interesse global por soluções energéticas com menor pegada de carbono.
Em meio às turbulências do mercado internacional de energia, a perspectiva de aumento na produção de etanol reforça a posição do Brasil como um dos países com maior capacidade de manter o abastecimento de combustíveis com apoio em fontes renováveis. Com oferta projetada em alta, o setor sucroenergético mira estabilidade interna e oportunidades adicionais no comércio internacional.
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