Biodiesel impulsiona demanda global por óleo de palma, óleo de soja e canola; Indonésia, Brasil e EUA lideram produção 2025/26
Consumo de óleos vegetais aumenta com misturas obrigatórias; palma lidera a produção, biodiesel cresce.

Biodiesel impulsiona demanda global por óleo de palma, óleo de soja e canola; Indonésia, Brasil e EUA lideram produção 2025/26
O consumo global de óleos vegetais segue em forte expansão, impulsionado tanto pela alimentação quanto pelo uso crescente em energia renovável. Dados recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indicam que, na safra 2025/26, a demanda mundial deve alcançar 229 milhões de toneladas, alta de 13% em quatro anos. Apesar do avanço acelerado, a avaliação é de que produção e demanda permanecem equilibradas no cenário global.
No contexto de incertezas geopolíticas e volatilidade no mercado de petróleo, os óleos vegetais passaram a ganhar ainda mais relevância como alternativa energética, especialmente em países com mandatos de mistura — políticas que determinam a incorporação de óleos vegetais e biocombustíveis aos derivados fósseis. Esse movimento, além de reconfigurar cadeias de abastecimento, também tem reflexos diretos em preços de alimentos e na discussão sobre segurança alimentar.
Mandatos de mistura aceleram o consumo
O crescimento mais expressivo ocorre justamente em países que adotam programas robustos de mistura. Entre os principais exemplos estão Indonésia, Estados Unidos e Brasil, que ampliaram o consumo de óleos vegetais nos últimos anos acompanhando a expansão de biodiesel e combustíveis renováveis.
A China, por sua vez, permanece como a maior consumidora mundial: a projeção é de utilização de 41 milhões de toneladas de diferentes óleos vegetais em 2025/26, avanço de 11% desde 2022.
Destaque: Países com mistura obrigatória tendem a apresentar crescimento mais rápido no consumo de óleos vegetais, especialmente em períodos de maior pressão sobre a oferta de combustíveis fósseis.
Indonésia: palma no centro da estratégia energética
A Indonésia se destaca pelo protagonismo do óleo de palma na matriz de biocombustíveis. O país mantém um programa de mistura de 35% de óleo de palma ao combustível e discute elevar a participação para 40%. No período recente, o consumo total de óleos vegetais no país cresceu 26%.
Brasil: aumento do biodiesel e pressão por novas metas
No Brasil, a mistura atual é de 15% de biodiesel ao diesel, com objetivo de chegar a 20% até 2030. Segundo as estimativas, o uso total de óleos vegetais no país subiu 39% desde 2022. Setores do agronegócio defendem um avanço ainda mais rápido, com aumento da mistura para 17% já no curto prazo.
Estados Unidos: plano pode acelerar o uso de óleo de soja
Nos Estados Unidos, o consumo avançou 16%, mas a tendência é de aceleração. Um plano em discussão prevê a utilização de 21,2 bilhões de litros de biodiesel e diesel renovável no sistema de combustíveis. Caso seja aprovado, o programa representaria um aumento de 67% na mistura desses combustíveis em relação ao nível atual, com impacto esperado principalmente sobre o óleo de soja.
Produção de biodiesel cresce no mundo
A expansão dos mandatos de mistura ocorre em paralelo ao avanço global da produção. Um levantamento de 2025 sobre biocombustíveis aponta que a produção de biodiesel aumentou 110% na última década, alcançando 71 bilhões de litros em 2024. Nesse total, os Estados Unidos responderam por 26%, seguidos por Indonésia (19%) e Brasil (13%).
Atualmente, 45 países adotam algum tipo de mandato de mistura com o objetivo de reduzir emissões de gases de efeito estufa. Entre as matérias-primas mais usadas para biodiesel estão óleo de palma, óleo de soja e óleo de canola.
Brasil, Estados Unidos e Argentina: maior uso de óleo de soja
Indonésia: maior uso de óleo de palma
União Europeia: maior uso de óleo de canola
Óleo de palma lidera a produção; soja e canola vêm na sequência
Do lado da oferta, o óleo de palma segue como líder global entre os óleos vegetais, com produção estimada em 81 milhões de toneladas. Na sequência, aparecem óleo de soja (71 milhões de toneladas) e óleo de canola (36 milhões de toneladas).
Óleo vegetal Produção estimada (milhões de t) Palma 81 Soja 71 Canola 36
A demanda aquecida por óleos vegetais também pressiona a expansão de matérias-primas agrícolas. Nas últimas quatro safras, a produção de soja avançou 18%, enquanto a de canola subiu 25%, sinalizando uma resposta do campo à nova dinâmica de mercado.
Na geografia da produção, Indonésia, Malásia e Tailândia lideram o óleo de palma. Já o óleo de soja tem como principais polos China, Estados Unidos e Brasil. No caso da canola e colza, os destaques são União Europeia e Canadá.
Farelos: elo com o setor de proteínas
Um efeito colateral positivo da expansão dos óleos vegetais aparece no segmento de proteínas animais. O processamento de oleaginosas gera farelos usados na alimentação de aves, suínos e bovinos, ampliando a oferta de insumos para rações. A estimativa é de que, neste ano, as indústrias processadoras coloquem 402 milhões de toneladas de farelo no mercado, sendo 289 milhões provenientes da soja.
Pressão nos preços e debate entre alimento e energia
O aumento do uso de óleos vegetais para energia renovável, porém, também traz desafios. A maior competição por matéria-prima tem potencial de elevar preços e impactar consumidores. Indicadores internacionais recentes apontaram os óleos vegetais como um dos fatores por trás da reversão de uma tendência de queda nos preços médios globais de alimentos.
Especialistas indicam que a disputa entre alimentação e combustíveis renováveis tende a ser enfrentada principalmente com ganhos de produtividade agrícola. No entanto, avançar nesse caminho não é simples em um cenário marcado por eventos climáticos extremos e maior risco para safras em diferentes regiões produtoras.
Em síntese, a expansão dos mandatos de mistura e da produção de biodiesel vem redesenhando o mercado global de óleos vegetais. Embora o equilíbrio entre oferta e demanda ainda se mantenha, a combinação de maior consumo energético, pressões sobre preços e desafios climáticos reforça a necessidade de estratégias que unam segurança alimentar, transição energética e produtividade no campo.
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