
O preço do leite pago ao produtor continua em um patamar bem superior ao observado no início de 2026, mas começou a desacelerar após quatro meses de forte valorização no Brasil. O movimento de alta é típico do período de entressafra, quando a oferta tende a diminuir, mas produtores e analistas apontam que a recuperação também foi impulsionada pela queda dos preços no ano anterior, que desestimulou a atividade e reduziu o ritmo de produção.
Para o segundo semestre, a expectativa do setor é de que as cotações percam força, sem repetir a “montanha-russa” registrada em 2025, quando a remuneração do produtor despencou de patamares elevados para níveis próximos de R$ 2 por litro no fim do ano. A avaliação predominante é de ajuste gradual, com a oferta aumentando sazonalmente na segunda metade do ano e a demanda permanecendo relativamente firme.
Entre janeiro e abril, o preço médio nacional do leite ao produtor subiu 31%, passando de R$ 2,02 para R$ 2,65, segundo dados do Cepea/Esalq/USP. A elevação no campo também se refletiu no varejo, pressionando o orçamento das famílias e contribuindo para a inflação de alimentos.
Desde o início de 2026, o grupo leite e derivados do IPCA acumulou alta de 9,83%. No caso do leite longa vida, o aumento foi ainda mais intenso, atingindo 22,32% no período.
Indicador Período Resultado Preço médio ao produtor (Cepea) Jan → Abr/2026 +31% (R$ 2,02 → R$ 2,65) IPCA – leite e derivados Acumulado em 2026 +9,83% IPCA – leite longa vida Acumulado em 2026 +22,32% Preço ao produtor (Scot) Pagamento de maio (produto de abril) +6,5% (+R$ 0,15/l) para média de R$ 2,452
Levantamento da Scot Consultoria mostrou que o preço do leite pago ao produtor em maio (referente ao produto entregue em abril) registrou alta de 6,5%, equivalente a R$ 0,15 por litro frente ao pagamento anterior. Foi a quarta alta consecutiva, levando a cotação média ponderada para R$ 2,452 nos dezoito Estados monitorados.
Apesar desse avanço, agentes do setor avaliam que a escalada não deve se sustentar. Entre laticínios consultados, a maioria projeta estabilidade no pagamento de junho, enquanto uma parcela relevante já espera queda.
49% projetam preços estáveis no pagamento de junho
41% indicam tendência de queda
10% acreditam em nova alta
Na avaliação do mercado, a perspectiva de boa segunda safra de milho e de maior esmagamento de soja no país pode baratear ou aliviar a pressão sobre alimentos concentrados, estimulando investimentos em nutrição e produtividade em sistemas mais intensivos. Esse cenário ajuda a explicar o viés de baixa apontado por parte dos agentes.
O setor iniciou 2026 com preços ao produtor e ao consumidor até 20% inferiores aos de um ano antes. Esse patamar mais baixo, somado a reajustes salariais acima da inflação e ao baixo desemprego, favoreceu a retomada do consumo e ajudou a sustentar a demanda.
Ao mesmo tempo, a produção começou a mostrar sinais de desaceleração, após um período de rentabilidade pressionada no campo. A combinação de demanda resiliente com oferta menos agressiva contribui para a leitura de que os preços podem recuar, mas sem colapsar como em 2025.

Mato Grosso registrou o maior crescimento absoluto no abate de bovinos no Brasil no 1º trimestre de 2026, com aumento de 135,11 mil cabeças frente ao mesmo período de 2025, segundo a Pesquisa Trimestral do Abate de Animais do IBGE. O estado teve alta de 8,1% no volume abatido entre os primeiros trimestres de 2025 e 2026, enquanto o abate nacional avançou cerca de 326,28 mil cabeças, impulsionado por 21 das 27 unidades da federação. Além de Mato Grosso, os maiores aumentos foram observados em....

Em 2025, a aquisição de leite cru no Brasil cresceu 8,5%, segundo o IBGE, alcançando 27,5 bilhões de litros, um recorde para o segmento. Esse desempenho reforça a sensibilidade do mercado à variação de oferta: quando a produção acelera, os preços tendem a ajustar com rapidez — especialmente na segunda metade do ano, quando a disponibilidade costuma aumentar.
Para 2026, a expectativa é que a oferta cresça sazonalmente no segundo semestre, o que pode resultar em alívio gradual também para o consumidor. Ainda assim, a leitura de consultorias é de que o recuo não deve ocorrer de forma brusca.
“Os preços chegaram a um patamar elevado, mas provavelmente não terão uma queda de montanha-russa, como vimos no ano passado.”
Em 2025, muitos produtores iniciaram março recebendo entre R$ 2,60 e R$ 2,80 por litro e encerraram dezembro com valores em torno de R$ 2. O período foi marcado por margens apertadas, sobretudo no último trimestre, com preços que dificultaram a rotina produtiva até mesmo em sistemas mais competitivos.
Diante disso, 2026 é visto como um ano propício para medidas de ajuste e eficiência, como redução de despesas, descarte de animais menos produtivos e cautela com grandes investimentos — principalmente em um ambiente em que custos seguem como ponto de atenção.
A pressão de custos permanece como uma das maiores preocupações dos pecuaristas de leite. O encarecimento de fertilizantes e combustíveis — associado a tensões geopolíticas recentes — tem limitado a recomposição das margens, mesmo com a melhora do preço do leite no campo.
Produtores também apontam o impacto do aumento das importações de queijos e leite em pó, além da alta de insumos essenciais para a atividade. O argumento é que esses fatores reduzem a capacidade de recuperação da rentabilidade e mantêm o setor em estado de alerta.
Ponto-chave: mesmo com a alta recente, há percepção de que as cotações ainda não retomaram níveis suficientes para compensar o aumento dos custos e a perda de rentabilidade acumulada.
Paralelamente ao mercado de leite fluido, a demanda por proteína do soro do leite — o conhecido whey protein — tem ganhado relevância e despertado maior interesse da indústria. A procura tem crescido em meio à expansão do consumo de alimentos associados a saúde, bem-estar e nutrição esportiva, com destaque para a Região Sul, onde se concentra parte importante do processamento destinado à produção de proteínas concentradas.
Esse avanço da demanda tem contribuído para elevação de preços no mercado nacional. Em 2026, o valor do quilo do soro em pó saiu de cerca de R$ 6 em janeiro para quase R$ 7,50 em maio, com registros de negócios fechados entre R$ 9 e R$ 11 por quilo em algumas operações.
Com a tendência de aumento sazonal da oferta e custos ainda pressionados, o segundo semestre deve ser marcado por acomodação das cotações. O mercado, no entanto, trabalha com a hipótese de que a demanda continuará sustentada e que a produção não acelerará a ponto de provocar uma queda abrupta, favorecendo um cenário de correção moderada dos preços.
Para o consumidor, o efeito esperado é de alívio gradual no preço do leite e derivados, ainda que a inflação acumulada do ano indique que o setor segue sensível a variações de oferta, custos e dinâmica industrial.
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O secretário-executivo do MAPA, Cleber Soares, afirmou que a combinação da queda na produção de carne bovina nos Estados Unidos e o crescimento da classe média chinesa deve abrir oportunidades para as exportações brasileiras de proteína animal nos próximos anos. A avaliação foi apresentada no Outlook Forum, evento anual do USDA realizado em fevereiro. Soares disse que os americanos reconhecem um declínio natural na produção de alimentos, com redução do rebanho, menos matrizes e envelhecimento dos produtores, o que tende a elevar a necessidade de importações de carne bovina e beneficiar países exportadores como o Brasil. Além disso, houve avanço das compras americanas neste ano: a previsão inicial de contratos para 2026 era de cerca de....