Queda de 40,6% nas Vendas de Colheitadeiras de Grãos, Abimaq aponta Desafios no Setor de Máquinas Agrícolas durante a Agrishow
Vendas de máquinas agrícolas caem, especialmente colheitadeiras; março indica leve recuperação, crédito e câmbio pesam.

Venda de máquinas agrícolas recua no 1º trimestre, com queda concentrada em colheitadeiras de grãos
Dados de março indicam leve melhora no segmento de tratores, segundo a Abimaq, mas o balanço do início do ano ainda aponta retração no mercado.
A comercialização de máquinas e implementos agrícolas registrou ligeira recuperação em março, porém o acumulado do primeiro trimestre mostra um recuo de 16,4% nas vendas em comparação com o mesmo período do ano anterior. O enfraquecimento dos negócios, de acordo com números do setor, está concentrado nas colheitadeiras de grãos, afetadas principalmente pelo cenário de preços das commodities, como soja e milho.
Os dados foram divulgados pela Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) durante a Agrishow, feira que tradicionalmente funciona como um termômetro para medir a disposição do mercado em investir em tecnologia e renovação de frota. Ainda que o ambiente seja descrito como desafiador, a associação aponta que os números de março podem sinalizar um início de estabilização em alguns segmentos.
Colheitadeiras puxam a queda
O segmento de colheitadeiras foi o que mais sentiu o impacto no trimestre. As vendas aos usuários finais recuaram 40,62%, com a passagem de 1.250 para 761 unidades. Apenas em março, foram comercializadas 217 colheitadeiras, resultado que representa queda de 36,18% frente às 340 unidades do mesmo mês do ano anterior.
Segundo a avaliação da entidade, a desaceleração está diretamente ligada ao desempenho do mercado de grãos. Como a demanda por colheitadeiras é altamente sensível ao ritmo de renda do produtor, a combinação entre preços menos favoráveis e maior cautela na tomada de crédito tende a postergar decisões de compra.
Tratores mostram leve melhora em março, mas trimestre segue em baixa
No caso dos tratores, o trimestre terminou com 9.215 unidades vendidas entre janeiro e março, ante 10.087 no mesmo período do ano anterior, uma retração de 8,64%. Apesar disso, março trouxe um sinal mais positivo: foram vendidos 3.840 tratores no mês, acima das 3.695 unidades registradas em março do ano passado.
Para a Abimaq, esse comportamento sugere que parte do mercado pode estar buscando alternativas para manter a eficiência operacional, mesmo com restrições de caixa. A compra de tratores, em alguns casos, pode ser priorizada por sua versatilidade no campo e por contribuir com ganhos de produtividade.
Por que o mercado esfriou
Pedro Estêvão, presidente da câmara de máquinas agrícolas da Abimaq, afirmou que o setor sentiu o cenário dos grãos, destacando que soja e milho respondem por parcela expressiva do mercado. Na avaliação dele, o desempenho recente também reflete um conjunto de fatores macroeconômicos e estruturais, como:
Crédito mais restrito em instituições financeiras;
Juros elevados, encarecendo o financiamento;
Câmbio em patamar considerado desfavorável para o setor;
Expansão de área agrícola acumulada nos últimos anos, com maior base produtiva e ajustes na rentabilidade.
O dirigente também mencionou que a expansão da produção agrícola, com a abertura de 15 milhões de hectares a mais em anos recentes, influencia o equilíbrio financeiro atual. Em períodos de margens mais apertadas, produtores e empresas tendem a recalibrar investimentos, adiando compras de maior valor.
Projeção para o ano e expectativas do setor
A previsão indicada pela Abimaq para o ano é de queda de 8% nas vendas de máquinas, com viés de baixa. Mesmo com iniciativas para estimular o consumo, o setor segue atento ao comportamento do crédito, ao custo do dinheiro e à evolução do mercado de commodities — fatores que, em conjunto, determinam o ritmo de renovação do parque de máquinas no campo.
No ambiente de feira, a entidade avalia que a participação do público está dentro do esperado. Em relação ao volume de negócios, no entanto, o desempenho costuma ser percebido ao longo dos dias e após a consolidação de propostas e financiamentos. Ainda assim, há a percepção de um esforço comercial intensificado, com campanhas e condições voltadas a destravar decisões de compra.
Destaques do trimestre (resumo)
Indicador Resultado Vendas totais (1º tri) Queda de 16,4% vs. mesmo período do ano anterior Colheitadeiras (1º tri) De 1.250 para 761 unidades (-40,62%) Colheitadeiras (março) 217 unidades (-36,18%) Tratores (1º tri) 9.215 unidades (-8,64%) Tratores (março) 3.840 unidades (acima de 3.695) Projeção para o ano Queda de 8% nas vendas de máquinas
Crédito e estímulos ao investimento
Sobre a sinalização de novas linhas de crédito anunciadas durante a feira para apoiar a compra de máquinas, a avaliação do setor é de que iniciativas desse tipo são positivas, especialmente em um contexto de juros altos. A expectativa é que condições financeiras mais competitivas contribuam para reduzir a cautela de parte dos compradores e viabilizar projetos de modernização no campo.
Ponto de atenção: a retomada mais consistente depende do equilíbrio entre renda do produtor, custo do crédito e confiança para investir em bens de maior valor, como colheitadeiras.
Panorama: com a queda concentrada nas colheitadeiras e um sinal de melhora nos tratores em março, o setor acompanha os próximos meses em busca de confirmação de tendência. O comportamento das commodities e o acesso ao financiamento seguem como variáveis-chave para definir o ritmo de vendas de máquinas agrícolas.



