
Rio Grande do Sul: as chuvas registradas entre 12 e 15 de fevereiro trouxeram um alívio momentâneo às lavouras de soja, que vinham sob forte estresse devido à falta de precipitações nas semanas anteriores. A avaliação consta no Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar, que aponta melhora na condição das plantas, mas mantém o alerta para a irregularidade das chuvas e para os impactos já consolidados em áreas mais vulneráveis.
Segundo o levantamento, as precipitações favoreceram a recomposição parcial da umidade do solo em uma área mais abrangente, com destaque para a Fronteira com o Uruguai e o Centro-Oeste do Estado. Esse cenário contribuiu para recuperar a turgidez vegetal e reduzir, ainda que temporariamente, os sintomas de déficit hídrico observados em parte das lavouras.
Apesar do alívio recente, a situação da soja no Rio Grande do Sul segue marcada por alta variabilidade no potencial produtivo entre propriedades e regiões. A principal explicação está na distribuição irregular das chuvas e na persistência de uma demanda evaporativa elevada, o que mantém déficits hídricos diferentes conforme a área de cultivo e as características do solo.
Em algumas lavouras, a produtividade projetada continua próxima da expectativa inicial, desde que haja continuidade das chuvas nas próximas semanas. No entanto, o informativo destaca que as perdas já estão consolidadas em locais submetidos a déficit hídrico prolongado, especialmente em solos rasos e arenosos e em áreas de relevo mais elevado, onde a retenção de água é menor.
O momento atual é considerado decisivo para o desempenho da safra. De acordo com o relatório, 85% das lavouras estão na fase reprodutiva, sendo:
Esse período é crítico para a definição do rendimento, e nas áreas mais afetadas pela estiagem já são observados sinais consistentes de estresse, como senescência precoce, abortamento de flores e vagens, redução de área foliar e heterogeneidade na estatura das plantas.
O avanço ou a recuperação do potencial produtivo nas próximas semanas dependerá do retorno e da regularidade das chuvas, especialmente durante o enchimento de grãos.
Em contrapartida, lavouras instaladas em solos com maior capacidade de retenção hídrica — como várzeas — e áreas com boa cobertura de palhada mantêm melhor condição fisiológica e, por consequência, maior potencial produtivo. O manejo do solo e a conservação de umidade se destacam como fatores que ajudaram a reduzir os impactos do clima.
O informativo indica que não há pressão significativa de pragas no momento, embora sejam realizados controles pontuais para ácaros, tripes e percevejos. Já no campo das doenças, há incidência de ferrugem-asiática, principalmente em locais com maior umidade. As medidas incluem aplicações calendarizadas de fungicidas e alternância de princípios ativos, estratégia importante para reduzir o risco de perda de eficiência.
Além da soja, o boletim também detalha o andamento das principais culturas de verão no Estado, com destaque para milho, feijão e arroz. O cenário geral é de variabilidade, influenciada principalmente por chuva irregular, calor e restrição de umidade em momentos sensíveis do ciclo.

Produtores brasileiros de alho enfrentam a concorrência de importações baratas, principalmente da China e da Argentina, que pressionam o mercado interno. Segundo a Associação Nacional dos Produtores de Alho (Anapa), as entradas de alho importado chegam abaixo do custo de produção nacional, agravando os prejuízos. Em resposta, os produtores vão pedir ao governo medidas para conter as importações. Como consequência, prevê-se uma queda de 21% na área plantada neste ano, atingindo 11 mil hectares.

A colheita do milho alcançou 58% da área cultivada. Nas áreas já colhidas, a produtividade é descrita como satisfatória e próxima do que havia sido projetado inicialmente. No entanto, o desempenho das lavouras que permanecem no campo é considerado muito variável, reflexo direto da irregularidade das chuvas e do déficit hídrico em fases críticas.
Nas lavouras tardias e de segunda safra, o relatório aponta limitações no estabelecimento e no desenvolvimento vegetativo devido à baixa umidade do solo e às temperaturas elevadas. Onde houve precipitações recentes, nota-se recuperação parcial, mas condicionada à manutenção de chuvas nas próximas semanas.
Outro ponto de atenção é a presença de cigarrinha em diversas regiões, com monitoramento e controles pontuais sendo adotados conforme a necessidade.
No caso do milho destinado à silagem, o estresse hídrico continua afetando muitas áreas, embora precipitações esparsas tenham amenizado os efeitos do calor intenso e da radiação solar elevada. O impacto, contudo, foi mais severo em talhões com manejo deficiente.
De acordo com o levantamento, áreas com solo bem estruturado e adubação ajustada têm apresentado rendimento satisfatório, com acúmulo adequado de biomassa e matéria seca, permitindo cortes dentro da janela considerada ideal. Já em lavouras com menor cuidado de manejo, a irregularidade hídrica resultou em menor estatura, redução de massa verde e variação na qualidade da silagem, fator que pode repercutir no desempenho animal.
A colheita do feijão da primeira safra está praticamente concluída nas regiões de plantio precoce ou intermediário. Nos Campos de Cima da Serra, onde predomina o plantio tardio, ainda existem áreas em desenvolvimento, floração e enchimento de grãos.
O informativo também destaca que os preços pagos ao produtor estão depreciados, o que tende a desestimular investimentos na segunda safra. Mesmo assim, o feijão de segunda safra apresenta bom estabelecimento, com emergência e arranque inicial considerados adequados. Apesar do período quente e de restrição hídrica, o quadro é visto como de normalidade, pois as lavouras ainda não chegaram às fases mais sensíveis ao estresse por falta de água.
A cultura do arroz apresenta desenvolvimento fisiológico adequado, favorecido pela elevada radiação solar e pela disponibilidade hídrica satisfatória nos sistemas de irrigação. Predominam lavouras nas fases reprodutivas de floração e enchimento de grãos, com avanço gradual da colheita nas áreas mais precoces.
O relatório aponta que as temperaturas elevadas durante a antese podem ter causado esterilidade parcial de espiguetas, com possível impacto pontual no rendimento final. Ainda assim, a perspectiva geral permanece de produtividades dentro das estimativas iniciais, desde que as condições hídricas e térmicas se mantenham favoráveis ao longo do enchimento de grãos e da maturação.
| Cultura | Situação destacada | Principal fator |
|---|---|---|
| Soja | Alívio temporário após chuvas; risco segue elevado na fase reprodutiva | Chuva irregular e alta demanda evaporativa |
| Milho | Colheita avança; lavouras remanescentes com variabilidade | Déficit hídrico e calor |
| Feijão | Primeira safra quase encerrada; segunda safra em bom arranque | Preços baixos e clima quente |
| Arroz | Desenvolvimento adequado; atenção ao calor na floração | Irrigação estável e temperaturas elevadas na antese |
Com a soja em período decisivo e outras culturas também sensíveis à oscilação climática, o quadro no Rio Grande do Sul reforça a importância da regularidade das chuvas e de práticas de manejo que aumentem a retenção de umidade no solo. As próximas semanas devem ser determinantes para confirmar o potencial produtivo onde ainda há margem de recuperação.
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O Instituto Água e Terra (IAT) intensificou o monitoramento e o manejo de mudas florestais nativas produzidas em 19 viveiros e dois laboratórios de sementes no Paraná, com o objetivo de reduzir perdas provocadas por geadas, estiagem e déficit hídrico e de aumentar a taxa de sobrevivência das espécies utilizadas em ações de recuperação ambiental.