
Desempenho externo do setor avança na Ásia e se mantém estável na União Europeia e no Oriente Médio, enquanto importações brasileiras de insumos agrícolas recuam com a escalada da guerra.
As exportações brasileiras do agronegócio registram avanço em diversos mercados internacionais em 2026, mas a América do Norte segue como ponto de atenção. Nos cinco primeiros meses do ano, as vendas externas do setor para Estados Unidos, México e Canadá somaram US$ 5,7 bilhões, resultado 20% inferior ao do mesmo período de 2025.
Parte da queda é atribuída ao recuo nos preços do café. Após um intervalo marcado por demanda aquecida e oferta limitada no comércio global, as cotações do produto perderam força em relação ao ano anterior, reduzindo a receita obtida com os embarques.
Além do café, a retração na América do Norte também reflete a diminuição das exportações brasileiras de celulose e de madeira, na comparação entre janeiro e maio de 2026 e o mesmo recorte de 2025. Ainda assim, dois itens evitaram uma queda mais acentuada: carne e soja.
Destaques na América do Norte: os Estados Unidos voltaram a comprar mais carne bovina após as taxas elevadas do ano passado, e o México ampliou em 19% as compras de soja do Brasil em 2026.
Na Ásia, principal destino das exportações brasileiras do agro, o desempenho se mantém forte. Investidas do setor privado e iniciativas do governo para ampliar a presença no mercado vietnamita contribuíram para elevar as compras de carnes do país, que ficaram 58% acima das registradas no ano anterior.
A China, no entanto, permanece como o principal motor de demanda, com aumentos acelerados nas importações de soja, carnes e algodão provenientes do Brasil. Além disso, a abertura de novos mercados em Bangladesh, Paquistão e Tailândia ajudou a ampliar a presença de produtos brasileiros no bloco.
No mesmo sentido, Japão e Índia também elevaram as compras, ao contrário da Coreia do Sul, que não acompanhou a expansão. No acumulado até maio, as exportações do agronegócio para o bloco asiático chegaram a US$ 37 bilhões, alta de 10%.
Vietnã: compras de carnes +58%
China: alta em soja, carnes e algodão
Novos mercados: Bangladesh, Paquistão e Tailândia
Ásia (total): US$ 37 bilhões até maio (+10%)
O comércio com a União Europeia permaneceu praticamente estável. As receitas do agronegócio brasileiro no bloco chegaram a US$ 10 bilhões no período, considerando produtos agrícolas, pecuários, florestais e outros insumos.
Dentro do bloco europeu, a Espanha foi uma das exceções, ampliando as compras de soja, carnes e frutas. Já a França, que importa aproximadamente um terço do volume comprado pela Espanha, reduziu em 12% as importações de produtos do agronegócio brasileiro no comparativo anual.

O petróleo de referência europeu (Brent) caiu para mínimos de mais de dois meses, negociando a cerca de 88,27 USD por barril (-2,30%), enquanto o WTI recuou para 85,77 USD (-2,21%). O gás natural europeu, referência no Velho Continente, despencou 5,38% para....

Região/País Tendência em 2026 (jan–mai) Principais observações União Europeia Estável Receita em US$ 10 bilhões Espanha Alta Mais soja, carnes e frutas França Queda Importações -12%
No Oriente Médio, as exportações brasileiras do agronegócio ficaram no mesmo patamar do ano anterior, com US$ 4,6 bilhões em receitas nos cinco primeiros meses de 2026. Apesar da estabilidade nas vendas, o cenário geopolítico passou a influenciar o fluxo de insumos agrícolas para o Brasil.
A escalada do conflito envolvendo Israel e os Estados Unidos contra o Irã afetou as importações brasileiras oriundas da região. Um dos impactos mais diretos recaiu sobre os fertilizantes, item estratégico para a produtividade no campo e para o custo de produção de alimentos.
No acumulado de janeiro a maio, a compra brasileira de fertilizantes do Oriente Médio recuou para 1,1 milhão de toneladas, representando uma queda de 27% em comparação ao mesmo período de 2025.
Por que isso importa: a redução na importação de fertilizantes pode pressionar custos de produção e aumentar a atenção do mercado sobre estoques, logística e diversificação de fornecedores ao longo do ano.
O continente africano segue como um destino relevante para commodities e alimentos brasileiros, especialmente açúcar, carnes e cereais. As negociações avançaram para US$ 4,5 bilhões, aumento de 7% no período analisado.
Esse valor supera o desempenho do comércio do agronegócio brasileiro com países da América do Sul, que somou US$ 3,9 bilhões nos cinco primeiros meses do ano, mantendo-se como um dos blocos de menor dinamismo no recorte.
América do Norte: US$ 5,7 bilhões (queda de 20%)
Ásia: US$ 37 bilhões (alta de 10%)
União Europeia: US$ 10 bilhões (estável)
Oriente Médio: US$ 4,6 bilhões (estável); fertilizantes 1,1 milhão de toneladas (-27%)
África: US$ 4,5 bilhões (alta de 7%)
América do Sul: US$ 3,9 bilhões
O cenário de 2026 indica um agronegócio brasileiro com forte tração na Ásia e resiliência em parte da Europa, mas com desafios na América do Norte e maior sensibilidade às tensões geopolíticas, especialmente no abastecimento de fertilizantes.
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