
Os mercados globais de commodities encerraram o pregão em alta, impulsionados por efeitos indiretos do setor de energia em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio. O movimento reforçou o apetite por alternativas energéticas e elevou, em especial, as cotações de açúcar e milho, dois produtos agrícolas com forte peso na cadeia de alimentos e biocombustíveis.
Ao final do dia, o índice MXV avançou 1,15%, para 2.918 pontos, registrando o nono pregão consecutivo de ganhos. O desempenho refletiu a combinação de risco geopolítico, custos energéticos elevados e expectativa de restrição de oferta em algumas cadeias.
O mercado global de açúcar registrou alta significativa, em grande parte atribuída ao aumento da demanda por etanol. A leitura do mercado é de que as preocupações com possíveis interrupções no fluxo de energia em rotas estratégicas elevaram o interesse por combustíveis alternativos, estimulando usinas a direcionarem mais matéria-prima para a produção de biocombustível.
Com isso, o etanol ganhou protagonismo e passou a disputar espaço com a produção de açúcar, o que reduz a disponibilidade do produto no mercado internacional e tende a sustentar preços mais altos no curto prazo. A dinâmica é especialmente relevante em países onde a indústria sucroenergética possui flexibilidade para alternar o mix produtivo, reagindo rapidamente a sinais de preço.
A combinação de energia cara e incerteza geopolítica reforça a atratividade do etanol, pressionando a oferta global de açúcar.
No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, os números recentes do Centro-Sul sinalizaram uma mudança importante no ritmo de produção. Na primeira quinzena de abril, a produção de açúcar alcançou 541 mil toneladas, representando uma queda de 26,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Em sentido oposto, a produção de etanol aumentou 23,5%, totalizando 1,13 bilhão de litros. Para o mercado, esse deslocamento contribui diretamente para uma redução da oferta global de açúcar, elevando o suporte às cotações internacionais.
No mercado futuro, as cotações acompanharam a leitura de aperto de oferta e maior demanda por biocombustíveis. O açúcar bruto para entrega em julho subiu 3,79%, atingindo US$ 325,62 por tonelada. Já o açúcar refinado avançou 2,75%, para US$ 444,8 por tonelada.
No Vietnã, os preços domésticos do açúcar permaneceram estáveis, na faixa de VND 16.000 a VND 16.700 por quilo, dependendo da região. A estabilidade foi atribuída a uma demanda mais fraca associada ao período de feriado.
Indicador Variação / Nível Açúcar bruto (julho) +3,79% | US$ 325,62/t Açúcar refinado (julho) +2,75% | US$ 444,8/t Brasil (Centro-Sul): açúcar (1ª quinzena de abril) 541 mil t | -26,4% Brasil (Centro-Sul): etanol (1ª quinzena de abril) 1,13 bi litros | +23,5% Vietnã: preço doméstico do açúcar VND 16.000 a 16.700/kg

O ouro operou em queda nesta terça-feira, negociado em torno de 4.698,41 dólares por onça, pressionado pela escalada dos preços da energia e pelos conflitos no Médio Oriente. O metal segue mais como indicador de risco macroeconómico do que refúgio seguro, oscilando entre petróleo, inflação, o dólar e as expectativas sobre a política monetária da Fed. As declarações de Donald Trump sobre o Irã — chamando a contraproposta de “um pedaço de lixo” e afirmando que o acordo está em “suporte de vida” — aumentam a incerteza. O mercado projeta, contudo, a possibilidade de aperto da Fed até o fim do ano, com a probabilidade de uma subida de 25 pontos-base ainda na mesa. Economistas esperam que a inflação norte-americana de Abril tenha acelerado de 3,3% para 3,7%.

Em sintonia com o movimento observado no açúcar, os preços do milho também avançaram, sustentados pela combinação de energia valorizada e riscos no cenário internacional. Os contratos futuros para julho negociados na CBOT subiram 0,47%, para US$ 188 por tonelada, marcando o maior nível em aproximadamente um mês.
Um ponto acompanhado de perto pelos investidores é a sequência de alta nos vencimentos mais longos. O contrato para dezembro acumulou nove pregões seguidos de valorização, sinalizando que a tendência de alta vem ganhando consistência de forma gradual, em meio à reprecificação de risco e ao comportamento do mercado de energia.
No Vietnã, o milho importado da América do Sul para entrega em julho foi indicado em torno de US$ 255 por tonelada. Já no mercado doméstico, os preços nos portos do norte variaram de VND 7.250 a VND 7.450 por quilograma.
CBOT (julho): US$ 188 por tonelada (+0,47%), maior nível em cerca de um mês.
CBOT (dezembro): nove dias consecutivos de alta, sugerindo consolidação de tendência.
Vietnã (importado da América do Sul, julho): aproximadamente US$ 255 por tonelada.
Vietnã (portos do norte): VND 7.250 a VND 7.450/kg.
A avaliação predominante é de que, com os riscos geopolíticos ainda presentes e os preços de energia mantendo-se em patamares elevados, produtos agrícolas como açúcar e milho podem seguir sustentados no curto prazo. O ambiente reforça a volatilidade e aumenta a sensibilidade do mercado a dados de produção, estoques e mudanças no mix industrial.
Para consumidores e cadeias industriais ligadas a alimentos e biocombustíveis, o cenário sugere atenção redobrada às oscilações de preço e aos sinais de oferta, especialmente quando a indústria ajusta rapidamente a produção entre açúcar e etanol.
Resumo: O contrato WINM26 fechou em queda de 0,74% aos 194.520 pontos, e o Ibovespa caiu para 191.378 pontos, em meio a maior aversão a risco causada pela intensificação das tensões no Oriente Médio e pela alta do petróleo acima de US$ 100. No Brasil, VALE3 e bancos recuaram, enquanto Petrobras avançou, num movimento de realização de lucros após máximas recentes. O cenário técnico aponta continuidade da correção no curto prazo, com volatilidade elevada e sensibilidade ao fluxo externo e às commodities.