
Amaggi compra 40% da FS, uma das maiores produtoras de etanol de milho do Brasil, e anuncia um aporte de US$ 100 milhões voltado à expansão das operações. A transação, comunicada nesta quarta-feira, reforça a entrada da Amaggi — tradicionalmente associada a grãos, logística e exportação — em um mercado que cresce em ritmo acelerado no país.
Embora o valor total do negócio não tenha sido informado, a aquisição marca um avanço estratégico na cadeia de biocombustíveis, com impacto direto sobre a oferta de combustíveis renováveis e sobre a dinâmica de produção no Centro-Oeste. A operação ainda depende de aprovação das autoridades concorrenciais brasileiras, pois já foi protocolada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A FS foi pioneira na produção de etanol exclusivamente a partir do milho no Brasil, com início de operação em 2017. Hoje, a companhia mantém três usinas no Mato Grosso, cuja capacidade conjunta chega a cerca de 2,5 bilhões de litros por ano.
O desempenho financeiro também ajuda a explicar o interesse do mercado. A empresa registrou receita líquida de R$ 12,8 bilhões no acumulado de 12 meses até dezembro de 2025, considerando o terceiro trimestre do ano-safra 2025/2026.
Além disso, a FS avança na implantação de uma quarta unidade industrial em Campo Novo do Parecis (MT), com previsão de entrada em operação no fim de 2026. A ampliação reforça a tendência de aumento de capacidade produtiva em estados com forte disponibilidade de milho e infraestrutura logística em desenvolvimento.
O etanol de milho tem se consolidado como um dos vetores de expansão dos biocombustíveis no Brasil, impulsionado por novas plantas industriais e pela integração com cadeias de grãos e logística.
A compra ocorre em meio à expansão acelerada do etanol de milho no Centro-Sul do Brasil. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) indicam que o combustível respondeu por 27% da produção total de etanol da região na safra 2025/26, evidenciando o ganho de participação frente a outras rotas produtivas.
O movimento tem sido reforçado por investimentos de diferentes grupos do setor, incluindo empresas que ampliam capacidade e integração industrial, como a Inpasa. Nesse cenário, a entrada da Amaggi na FS reforça a competição e a busca por escala, eficiência e melhor acesso a matérias-primas.
De acordo com o modelo descrito pela agência de notícias Reuters, parte da operação será feita por emissão primária de ações, com a entrada de novos recursos na FS, combinada à compra de participações de acionistas atuais. A estratégia permite, ao mesmo tempo, fortalecer o caixa para investimentos e reorganizar a estrutura societária.
O CEO da FS, Rafael Abud, afirmou à Reuters que a transação não ocorreu por necessidade financeira. Segundo ele, a companhia já apresentava forte geração de caixa e alcançou o melhor resultado de sua história no último ano fiscal.
Aquisição: Amaggi passa a deter 40% da FS.

A análise do projeto pode ser adiada novamente. A proposta está na pauta da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) desta terça-feira (26/5), mas deverá haver um novo encontro da equipe econômica para discutir o texto e negociar os termos. O governo diverge do relatório do senador Renan Calheiros (MDB-AL), defendendo critérios mais rígidos para definir os beneficiários, e ainda não estão fechados os juros, os valores finais e as fontes de recursos para financiar a renegociação.

Expansão: aporte de US$ 100 milhões para ampliar operações.
Capacidade atual: três usinas no MT, cerca de 2,5 bilhões de litros/ano.
Nova unidade: quarta planta em Campo Novo do Parecis, prevista para o fim de 2026.
Regulação: operação protocolada no Cade e sujeita a aprovação.
As empresas afirmaram que a parceria deve abrir espaço para sinergias em áreas consideradas decisivas para o desempenho do etanol de milho: originação de milho, logística, otimização operacional e exportações. Em um setor no qual o custo do insumo e a eficiência de transporte impactam diretamente a competitividade, a integração com uma companhia de grande presença em grãos pode fortalecer a previsibilidade de suprimento e reduzir gargalos.
Para a Amaggi, o investimento é descrito como parte de uma estratégia de verticalização e ampliação da atuação industrial, indo além das atividades tradicionais ligadas ao comércio e à exportação de commodities agrícolas.
Com a nova estrutura, a Amaggi passará a dividir o quadro societário da FS com o grupo norte-americano Summit Agricultural Group, atual controlador da companhia. Segundo as empresas, a diretoria atual da FS será mantida, enquanto a participação da Amaggi ocorrerá por meio de atuação no conselho de administração.
Essa configuração sugere uma transição voltada à continuidade operacional, com reforço de governança e alinhamento estratégico para ampliar capacidade e capturar oportunidades no mercado de biocombustíveis.
Indicador Informação Participação adquirida 40% da FS Aporte anunciado US$ 100 milhões Capacidade instalada (atual) Cerca de 2,5 bilhões de litros/ano Receita líquida R$ 12,8 bilhões (12 meses até dez/2025) Participação do etanol de milho no Centro-Sul 27% da produção total de etanol na safra 2025/26 Status Protocolado no Cade; aguarda aprovação
Com a aprovação regulatória, a operação tende a consolidar um novo capítulo da disputa por escala no etanol de milho no Brasil, combinando originação de grãos, infraestrutura logística e capacidade industrial em um segmento que segue ampliando participação na matriz de biocombustíveis.
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