
Os preços do café registraram nova queda nesta quinta-feira, 5 de junho de 2026, pressionados pela expectativa de maior oferta global na próxima safra. O movimento levou o arábica ao menor nível em 19 meses, enquanto o robusta recuou ao patamar mais baixo em sete semanas, segundo as cotações de curto prazo nas principais bolsas internacionais.
Analistas apontam que o mercado segue dividido entre dois vetores: de um lado, a perspectiva de safra elevada no Brasil, que pode aumentar o excedente global; de outro, estoques internacionais ainda baixos, o que limita quedas mais profundas no curto prazo.
Na bolsa de Londres, os contratos futuros do café robusta para entrega em julho de 2026 mantiveram a trajetória de baixa, com recuo de 0,56%, para US$ 3.352 por tonelada. Já o vencimento de setembro de 2026 caiu 0,24%, atingindo US$ 3.270 por tonelada.
Em Nova York, o café arábica também aprofundou perdas. O contrato com entrega em julho de 2026 recuou 2,35%, para 247,15 centavos de dólar por libra. O vencimento de setembro de 2026 caiu 2,10%, chegando a 242,4 centavos de dólar por libra.
O recuo simultâneo nas duas bolsas reforça o cenário de correção após semanas de ajustes e de mudanças nas projeções de oferta global.
Uma das principais razões para o enfraquecimento das cotações é a leitura de que o Brasil deve sustentar uma produção robusta, contribuindo para um excedente global mais amplo no ciclo seguinte. Em avaliação recente, o Rabobank apontou que a grande produção brasileira pode levar a um excedente de aproximadamente 9,5 milhões de sacas na safra 2026-2027.
Essa projeção representa aumento relevante frente à estimativa anterior de 7 milhões de sacas e contrasta com o excedente de 1,2 milhão de sacas estimado para 2025-2026. O efeito imediato é o aumento do apetite vendedor no mercado futuro, especialmente em momentos de maior sensibilidade a dados de produção e logística.
Apesar das expectativas de oferta, dados oficiais indicam que as exportações brasileiras de café em maio caíram 8,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 2,59 milhões de sacas. A leitura do mercado é que o fluxo de exportação pode oscilar conforme o avanço da colheita, a formação de lotes e as estratégias comerciais.
Ao mesmo tempo, os estoques certificados nas bolsas permanecem em níveis considerados baixos, o que tende a dar sustentação aos preços em momentos de correção mais intensa.
Arábica (ICE): os estoques certificados caíram para 426.063 sacas em 4 de junho, no menor nível em cerca de 3,75 meses.
Robusta (ICE): após terem tocado uma mínima de dois anos em meados de maio, os estoques subiram levemente e chegaram a 3.798 lotes em 4 de junho, ainda em patamar historicamente baixo.

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Em outro recorte recente, os dados apontaram que o volume estava em 434.930 sacas no início do mês, abaixo das 446.816 sacas registradas na semana anterior e bem inferior às 882.212 sacas observadas no mesmo período do ano passado. Para o mercado, isso sugere que a disponibilidade de café pronto para entrega imediata ainda não é ampla.
Além do Brasil, outros países também influenciam o equilíbrio global. Informações do Instituto Hondurenho do Café indicaram que Honduras registrou alta de 9,9% nas exportações em maio, alcançando 1,09 milhão de sacas. O avanço contribui para recompor parte do fornecimento internacional, embora o mercado siga atento ao ritmo geral de embarques e ao comportamento da demanda.
No Vietnã, o mercado doméstico registrou uma das quedas mais acentuadas desde o início de junho. Os preços internos recuaram entre 1.200 e 1.400 VND por kg nas províncias das Terras Altas Centrais, principal região produtora do país. As cotações passaram a oscilar, no dia, entre 85.300 e 86.000 VND por kg.
Resumo das cotações internas (5 de junho de 2026):
Área Preço de compra (VND/kg) Variação no dia Dak Lak 86.000 -1.200 Lam Dong 85.300 -1.400 Gia Lai 86.000 -1.200 Dak Nong 86.000 -1.300 Média 86.000 -1.200
Especialistas explicam que o sentimento do mercado asiático segue fortemente influenciado pela expectativa de melhora na oferta global com a nova safra, somada ao comportamento das exportações regionais. No caso do robusta, o aumento do fluxo externo do Vietnã também tem sido citado como um fator de pressão sobre as cotações.
Embora a tendência do dia seja de baixa, o mercado continua monitorando o clima. O risco de ocorrência de El Niño ainda é observado com atenção por poder afetar regiões produtoras na Ásia, especialmente Vietnã e Indonésia. Qualquer sinal de estresse hídrico ou irregularidade persistente nas chuvas pode alterar projeções de produtividade e reverter parte da pressão baixista.
“O mercado global entra em uma fase delicada, equilibrando a entrada de nova oferta com estoques ainda muito inferiores aos do ano passado.”
Para os próximos dias, a avaliação predominante é de cautela. A colheita no Brasil tende a aumentar a disponibilidade e pressionar preços, mas a sustentação pode vir dos níveis reduzidos de estoque nas bolsas. O setor também acompanha a dinâmica de embarques e a resposta da demanda.
No Vietnã, o comércio nesta semana tem sido descrito como mais lento, diante de oferta local mais restrita e demanda enfraquecida. Ainda assim, a perspectiva de médio e longo prazo permanece positiva, com projeções apontando recuperação de produção na safra seguinte, impulsionada pela atratividade de preços observada anteriormente e pela expansão do consumo interno.
Em síntese, as cotações do café em 5 de junho refletem uma correção global com base em expectativas de maior oferta, mas com um piso potencial dado pela escassez relativa de estoques certificados. O comportamento do clima e o ritmo da colheita brasileira continuam sendo os principais fatores capazes de redefinir a direção dos preços no curto prazo.
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