
A Bahia Farm Show se prepara para celebrar sua 20ª edição entre os dias 8 e 13 de junho, em Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia. Consolidada como a maior feira agrícola do Norte e Nordeste, a edição histórica ocorre em um contexto de recordes de produtividade no campo, mas também de cautela nas decisões de investimento, influenciada por juros elevados, crédito rural mais restrito e custos de produção pressionados.
Com o lema “Somos um só”, o evento reforça a força coletiva de uma região que lidera a economia agrícola baiana. O Oeste do estado reúne polos como Barreiras, São Desidério e Formosa do Rio Preto, formando uma área agrícola de cerca de 171 mil quilômetros quadrados, com população próxima de 1 milhão de habitantes.
Segundo dados da Associação de Produtores e Irrigantes da Bahia (Aiba), o Oeste baiano produz entre 9 e 10 milhões de toneladas de grãos por ano, concentrando 89% da produção estadual. Na cadeia do algodão, a região responde por 96% da produção baiana, com 843 mil toneladas de algodão em pluma.
A trajetória de desenvolvimento regional também está ligada a movimentos migratórios. Muitos moradores chegaram ao Cerrado nas décadas de 1970 e 1980, atraídos por oportunidades na agricultura. Uma dessas histórias é a da empresária e produtora rural Ida Barcellos, que se tornou referência do setor no Oeste da Bahia.
“Luís Eduardo é o resultado da produção do campo. Sem produção, ninguém cresce, ninguém faz nada e ninguém tem nada.”
— Ida Barcellos, empresária e produtora rural
Ida chegou à região em 1986, construiu carreira no segmento agrícola e, anos depois, abriu a própria empresa voltada a máquinas, implementos e peças. Ela acompanhou a emancipação e a expansão de Luís Eduardo Magalhães, cidade diretamente ligada ao avanço do agronegócio local.
Apesar do otimismo em torno da feira, o cenário econômico impõe limites. Com a Selic em 14,5%, produtores enfrentam um ambiente menos favorável para financiamentos e maior dificuldade para planejar investimentos de longo prazo, sobretudo em um setor exposto às oscilações do mercado internacional de commodities.
Ida avalia que os juros elevados reduzem o apetite por novas compras, já que o produtor rural nem sempre consegue garantir preço futuro para a produção. Ainda assim, ela aponta que o agricultor da região tende a manter presença no evento, que movimenta não apenas o setor agrícola, mas uma ampla cadeia econômica local.
Hotelaria e hospedagem sazonal
Restaurantes e serviços de alimentação
Comércio e prestadores de serviço
Transporte e logística
A edição de 2026 coincide com um marco relevante: a safra 2025/26 de soja registrou produtividade média recorde de 71 sacas por hectare, o maior índice já observado no estado. A produção atingiu 9,448 milhões de toneladas, em uma área plantada de 2,218 milhões de hectares, consolidando a Bahia como a maior média de produtividade do Brasil na cultura no ciclo atual.
O avanço recente evidencia a expansão da fronteira agrícola, mas o recorde ocorre junto a um problema crescente: a redução das margens de lucro. A maior oferta global de soja pressiona cotações e limita o potencial de ganhos, especialmente em um cenário de valorização do real, que diminui a conversão do preço internacional para o mercado doméstico.
Safra Área plantada (hectares) Produção (toneladas) Produtividade (sacas/ha) 2022/23 1,860 milhão 7,477 milhões 67 2023/24 1,980 milhão 7,484 milhões 63 2024/25 2,135 milhões 8,710 milhões 68 2025/26 2,218 milhões 9,448 milhões 71

O texto celebra a participação da indústria brasileira de máquinas e equipamentos em feiras internacionais — Hannover Messe, Feimec e Agrishow — destacando que esses eventos vão além da exposição, funcionando como palcos onde a engenharia se materializa por meio de protótipos, demonstrações e negócios capazes de redefinir setores. A Hannover Messe é apresentada como um dos principais termômetros da indústria global, reunindo visitantes de diversos continentes e setores como automação, energia, digitalização e engenharia de precisão, promovendo parcerias estratégicas e a convergência entre inovação e negócios. O Brasil é retratado como capaz de atuar em feiras de nível internacional, promovendo soluções tecnológicas competitivas, não apenas na Europa ou na Ásia, mas....
Projeções internacionais indicam aumento da produção global de soja, ampliando a competição e mantendo pressão sobre preços. Nesse cenário, o Brasil segue como protagonista nas exportações, apoiado pela demanda chinesa e pela perda de espaço do produto norte-americano em alguns mercados. No entanto, analistas apontam que o excesso de oferta combinado ao câmbio pode reduzir a rentabilidade do produtor.
Além do preço, o planejamento do próximo ciclo se torna mais complexo com a seleção mais rígida de crédito pelos bancos e com riscos climáticos associados ao fortalecimento do El Niño, que pode afetar regiões produtoras do Sul, Centro-Oeste e Nordeste.
O caixa do produtor também é afetado pelo custo dos insumos. Fertilizantes, defensivos e diesel seguem entre os itens mais sensíveis, em um ambiente global marcado por instabilidades no Oriente Médio. Mesmo com oscilações nas cotações internacionais, o patamar de preços permanece elevado em comparação ao período anterior aos conflitos, mantendo a volatilidade e dificultando decisões de compra.
Relatórios setoriais apontam deterioração da relação de troca, o que significa que, para adquirir a mesma quantidade de fertilizante, o produtor precisa comprometer mais sacas de soja ou milho. Enquanto alguns insumos registram altas expressivas, as cotações das commodities apresentam variações pequenas, comprimindo a margem.
Nesse contexto, produtores tendem a priorizar capital de custeio e medidas de eficiência, postergando investimentos em renovação de máquinas e ampliação estrutural. O movimento já apareceu em grandes feiras agrícolas do país, onde as intenções de negócios mostraram retração, especialmente no segmento de equipamentos.
Mesmo com a cautela no agro, a Bahia Farm Show amplia sua estrutura. A feira será realizada em uma área de 38 hectares, cerca de 35% maior que a edição anterior, com mais de 530 expositores e expectativa de superar 160 mil visitantes. O investimento estimado é de R$ 180 milhões.
Estrutura prevista para o evento
Estacionamento para 10 mil veículos
Monitoramento e segurança 24 horas
Mobilidade interna com veículos elétricos
Conectividade ampliada e ferramentas digitais de navegação
A organização avalia que o produtor segue investindo, porém de forma mais criteriosa, priorizando ganhos concretos de produtividade e redução de custos. A feira deve reforçar o foco em agricultura de precisão, inteligência artificial aplicada ao campo, conectividade, monitoramento remoto, irrigação eficiente, energia renovável e automação.
Outro destaque é a ampliação da participação da pecuária, com transmissão ao vivo de leilão de gado e programação técnica com palestras e debates. A proposta é fortalecer a feira como uma plataforma de integração entre produtores, indústrias, agentes financeiros, empresas de tecnologia, tradings e instituições públicas, em um momento em que a gestão de custos e a eficiência se tornam decisivas para a competitividade.
Ao chegar à 20ª edição com expansão física e aumento de expositores, a Bahia Farm Show reforça a consolidação do Oeste baiano como uma das regiões mais relevantes do agronegócio nacional — e mantém a feira como termômetro do setor em um período de produtividade recorde, mas de decisões mais cautelosas dentro da porteira.
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O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, abriu a 20ª Bahia Farm Show em Luís Eduardo Magalhães (BA), integrado à comitiva do vice-presidente Geraldo Alckmin. Durante a solenidade, Alckmin destacou a importância do agronegócio para a economia brasileira e a posição do Brasil entre os três maiores produtores do mundo e o maior exportador de alimentos, com exportações de US$ 169 bilhões no ano anterior.