BRS 579: nova soja STS com sanidade superior e resistência a nematoides em Mato Grosso
Commodities A Granja·Publicado em 08/04/2026·6 mins de leituraGrátis

BRS 579: nova soja STS com sanidade superior e resistência a nematoides em Mato Grosso

Embrapa Soja e Caramuru lançam BRS 579 com sanidade, STS e resistência a nematoides.

BRS 579: nova soja STS com sanidade superior e resistência a nematoides em Mato Grosso

Embrapa e Caramuru lançam soja BRS 579 com tecnologia STS para manejo de plantas daninhas e foco em sanidade

A Embrapa Soja e a Caramuru Alimentos anunciaram o lançamento da cultivar de soja BRS 579, uma nova variedade convencional que combina alto potencial produtivo, sanidade e uma estratégia adicional para o manejo de plantas daninhas em sistemas de cultivo não transgênicos. A novidade é direcionada, principalmente, a produtores do centro-norte de Mato Grosso, região onde desafios com pragas de solo e resistência a herbicidas têm exigido alternativas mais robustas de manejo.

Além de atender à demanda por soja livre de transgenia, a cultivar chega ao mercado com a tecnologia STS (Soja Tolerante às Sulfonilureias), descrita por pesquisadores como um mecanismo de tolerância que amplia as possibilidades de controle de infestantes, reduzindo o risco de danos à cultura quando herbicidas específicos são utilizados em pós-emergência.


Indicação regional e ciclo compatível com o sistema produtivo

A BRS 579 foi desenvolvida para a região edafoclimática sojícola REC 402, no centro-norte de Mato Grosso. O material atende produtores que preferem cultivares de ciclo médio a tardio, dentro de um intervalo de grupos de maturação que vai de 7.0 a 9.0+.

A nova cultivar se enquadra no grupo de maturação 7.9, característica considerada estratégica para o planejamento da safra. Segundo o pesquisador Roberto Zito, da Embrapa Soja, o ciclo é condizente com o sistema de produção regional, o que pode favorecer o escalonamento da colheita e também a semeadura no início da safra.

Destaque agronômico: grupo de maturação 7.9 e adaptação ao centro-norte de Mato Grosso, com foco em estabilidade e planejamento operacional.

Sanidade: tolerância e resistência a nematoides relevantes

Entre os principais diferenciais da BRS 579 está a sanidade, com desempenho voltado ao enfrentamento de patógenos de grande impacto econômico na região. A cultivar apresenta:

  • Moderada tolerância ao nematoide de galha (Meloidogyne javanica);
  • Resistência às raças 3 e 14 do nematoide de cisto da soja, considerados importantes na área de recomendação.

O controle de nematoides costuma ser um dos pontos mais sensíveis em áreas com histórico de infestação, já que os danos podem ocorrer de forma silenciosa, com queda gradual de vigor e produtividade. Nesse cenário, a adoção de cultivares com atributos de tolerância e resistência compõe um pacote preventivo que pode reduzir perdas e estabilizar resultados.

Tecnologia STS: “escudo genético” e mais opções no controle de daninhas

A cultivar BRS 579 incorpora a tecnologia STS, associada à tolerância a herbicidas do grupo químico das sulfonilureias, inibidores da enzima ALS (acetolactato sintase). Esses herbicidas já são utilizados na soja com restrições, especialmente relacionadas à dose, devido ao risco de fitotoxicidade em materiais não tolerantes.

De acordo com o pesquisador Fernando Adegas, da Embrapa Soja, a fitotoxicidade é o dano causado por herbicidas à soja e pode ocorrer por fatores como erro de dosagem, condições climáticas adversas e estresse das plantas. Entre os efeitos indesejados mais comuns estão:

Possíveis danos por fitotoxicidade Impacto no desenvolvimento
Amarelecimento Redução de vigor e eficiência fotossintética
Necrose Perda de tecido e comprometimento de produtividade
Deformações Desuniformidade de plantas e falhas no estande
Atraso no crescimento Alongamento do ciclo e menor competitividade

Nesse contexto, a tecnologia STS atua como um “escudo genético”. A proposta é permitir o uso mais seguro de sulfonilureias na lavoura, pois cultivares STS apresentam tolerância natural a essas moléculas. Na prática, isso amplia a flexibilidade de manejo ao possibilitar a aplicação do produto em pós-emergência, quando a soja já está estabelecida, ajudando a eliminar plantas daninhas que competem por luz e nutrientes.

“Isso permite que o agricultor aplique o produto em pós-emergência, eliminando as infestantes que competem por nutrientes e luz.”

Fernando Adegas, pesquisador da Embrapa Soja

Para os pesquisadores, um dos principais ganhos é oferecer uma alternativa ao uso exclusivo do glifosato, que predomina em sistemas com cultivares transgênicas. A diversificação de mecanismos de ação é vista como fundamental diante do avanço de plantas daninhas resistentes e de casos de difícil controle no campo.

“Essa nova cultivar pode ser integrada a diferentes sistemas de manejo, sendo uma ferramenta essencial para a rotação de princípios ativos, o que prolonga a vida útil das tecnologias disponíveis.”

Fernando Adegas, pesquisador da Embrapa Soja

Roberto Zito reforça que a proposta é entregar mais do que uma nova semente, conectando produtividade com uma ferramenta de manejo que pode trazer mais tranquilidade e rentabilidade ao final da safra, especialmente em áreas com pressão de infestantes e necessidade de decisões rápidas em janela curta.

Soja convencional: nicho com prêmio e demanda internacional

Além dos atributos agronômicos, a BRS 579 mira um segmento de mercado que segue relevante: a soja convencional, voltada a compradores que exigem grão livre de transgenia. A escolha por materiais convencionais pode estar associada à estratégia de agregação de valor, especialmente quando há pagamento de prêmio por saca em relação ao grão transgênico.

Dados do Instituto Soja Livre apontam que a produção de soja convencional ocupa atualmente cerca de 420 mil hectares. Na safra 2025/2026, a soja foi cultivada em aproximadamente 47 milhões de hectares no Brasil, evidenciando que a maior parte da área segue com materiais transgênicos.

No recorte estadual, Mato Grosso permanece como o maior produtor de soja convencional, com cerca de 260 mil hectares, seguido por Goiás, Minas Gerais e Paraná. A produção brasileira é exportada para cerca de 20 países, com destaque para a demanda europeia, utilizada principalmente na alimentação animal.

Em resumo: a BRS 579 combina ciclo adequado ao centro-norte de MT, sanidade com tolerância e resistência a nematoides e a tecnologia STS, ampliando opções no manejo de plantas daninhas e reforçando o posicionamento no mercado de soja convencional.

O lançamento reforça a tendência de materiais que buscam equilibrar produtividade, estabilidade e ferramentas de manejo, em um cenário de maior exigência por eficiência no campo e por grãos com especificações demandadas por mercados premium.

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