
O Reino Unido deve acompanhar a União Europeia (UE) e interromper a compra de produtos de origem animal do Brasil, de acordo com um ofício do Ministério da Agricultura. A movimentação ocorre em meio ao endurecimento de exigências internacionais sobre o uso de antimicrobianos na produção animal, tema que tem ganhado centralidade em debates de saúde pública e segurança alimentar.
Na última sexta-feira, a UE publicou um novo regulamento que reforça restrições ao uso de antimicrobianos e excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes, pescados, mel e outros itens de origem animal ao bloco. A medida confirma uma decisão anunciada em maio e está baseada nas garantias exigidas de países exportadores quanto ao controle e à fiscalização do uso de antibióticos em animais destinados ao consumo.
A União Europeia proíbe a importação de carnes provenientes de animais que tenham recebido antibióticos:
Como promotores de crescimento (uso para acelerar ganho de peso);
Para aumento de rendimento (uso voltado à produtividade);
Ou medicamentos considerados críticos por serem usados no tratamento de infecções em humanos.
O tema é sensível porque o uso inadequado de antimicrobianos em animais pode contribuir para a resistência antimicrobiana, quando bactérias passam a não responder a medicamentos essenciais. Embora o foco do regulamento seja comercial e regulatório, a discussão é frequentemente associada a impactos sanitários e ao esforço global para preservar a eficácia de antibióticos.
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não forneceu garantias de que cumprirá os requisitos exigidos até 3 de setembro. O regulamento europeu é de outubro de 2024, mas o bloco tem avançado na implementação prática de mecanismos de controle e verificação, cobrando evidências formais de aderência aos critérios.
Na semana passada, o Ministério da Agricultura apresentou um protocolo privado para exportação de bovinos livres de antimicrobianos. A iniciativa ocorreu após o governo brasileiro propor um período de transição até 2029, alternativa que foi recusada pelos europeus.

O trigo foi a principal atração entre as commodities, registrando elevado fluxo de capitais na primeira sessão da semana. Os contratos de trigo mostraram substancial aumento de liquidez, representando mais de 10% do valor total negociado no MXV. O trigo dos EUA mostrou ganhos: Kansas subiu 1,45% a US$ 231,4 por tonelada, e Chicago avançou 0,6% a US$ 214,3 por tonelada. Os analistas apontam que o principal motor do mercado é a preocupação com a qualidade e a oferta globais.

Em destaque: a UE afirma que faltaram garantias formais de cumprimento das exigências até o prazo definido, levando à retirada do Brasil da lista de exportadores habilitados.
Na avaliação de especialistas do setor, a decisão europeia tem potencial de gerar efeitos econômicos diferentes ao longo da cadeia. A CEO da consultoria Agrifatto, Lygia Pimentel, ponderou que, apesar de a notícia “não ser boa” para a carne bovina, o volume comprado pela Europa corresponde a 3,5% dos embarques.
Segundo ela, em 2025 o volume foi de 128 mil toneladas, o que equivale, na prática, a aproximadamente um mês de compras da China. Com isso, a consultora avalia que a restrição não tende a gerar pressão intensa sobre o mercado como um todo, embora possa trazer ajustes pontuais.
Outra fonte do setor observou que uma eventual interrupção das vendas para os europeus pode significar perda de prêmios pagos pela carne bovina brasileira e, consequentemente, maior risco de queda no preço do boi. Ainda assim, para a indústria, o impacto pode ser considerado próximo de nulo caso os volumes inicialmente destinados ao bloco sejam redirecionados ao mercado interno.
Ponto O que pode acontecer Volume para a UE Participação considerada limitada nos embarques totais. Prêmios Risco de perda de diferenciais de preço pagos em mercados mais exigentes. Preço do boi Possível pressão negativa se parte do produto voltar ao mercado interno. Indústria Impacto tende a ser reduzido com redirecionamento de oferta.
No segmento de aves, o debate envolve o nível de fiscalização requerido. Segundo Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a cadeia do frango já possui diversas etapas de controle, mas o bloco europeu busca um “nível adicional” de verificação.
De acordo com Santin, a exigência seria a presença de um veterinário oficial do ministério ou do serviço estadual nas granjas para fiscalizar e realizar testes por amostragem. Na prática, isso elevaria o grau de supervisão e documentação, ampliando o conjunto de evidências exigidas para comprovar conformidade com as regras europeias.
O controle do uso de antimicrobianos na produção animal tornou-se um dos pontos mais rígidos em barreiras sanitárias e comerciais. Países importadores têm reforçado regras para reduzir riscos de uso inadequado de antibióticos e, ao mesmo tempo, elevar padrões de rastreabilidade e auditoria.
Com a exclusão do Brasil da lista europeia e a possibilidade de o Reino Unido adotar postura semelhante, o setor agroexportador brasileiro pode enfrentar um período de ajustes, especialmente na padronização de protocolos e no atendimento a exigências de fiscalização mais detalhadas.
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O Brasil historicamente tem uma das correntes de comércio mais baixas do mundo, em torno de 25% do PIB, muito abaixo da média global de ~50%. Em contraste, países que avançaram no desenvolvimento com maior abertura — Coreia do Sul, Singapura, Chile e Vietnã — mostraram correntes de comércio que chegam a 100% do PIB. A trajetória brasileira é marcada por uma longa tradição de substituição de importações, com grandes subsídios estatais e tarifas elevadas para proteger a indústria nacional, até o amadurecimento da globalização expor as falhas desse modelo.