
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) revisou para cima a estimativa de processamento de soja no Brasil em 202662,2 milhões de toneladas. O volume representa um avanço de 1,1% em relação à previsão anterior e um aumento de 6% na comparação com o total processado em 2025, segundo dados divulgados pela entidade nesta quinta-feira.
De acordo com a Abiove, a revisão é sustentada pela robustez da safra e pela demanda aquecida por derivados, especialmente produtos com maior valor agregado. Para o setor, a intensificação do esmagamento reforça a capacidade do país de transformar a matéria-prima em itens estratégicos para a cadeia produtiva e para o abastecimento interno.
“O ajuste positivo nas expectativas de processamento evidencia a resiliência do setor frente à safra recorde. A conversão da matéria-prima em produtos de maior valor agregado fortalece os pilares da matriz energética e do suprimento alimentar brasileiro.”
A produção de farelo de soja em 2026 foi revisada para 47,9 milhões de toneladas, com alta de 1,1% frente à estimativa anterior. Na comparação anual, a Abiove prevê crescimento de 6,8% sobre 2025, refletindo a maior disponibilidade de grão e a elevação do ritmo industrial.
Já a produção de óleo de soja foi estimada em 12,5 milhões de toneladas em 2026. O número indica aumento de 1,2% ante a projeção anterior e avanço de 4,8% em relação ao volume registrado no ano passado.
Para a entidade, o movimento confirma a tendência de maior industrialização da oleaginosa no país, com foco em atender tanto o mercado doméstico quanto as demandas do comércio internacional por derivados.
Os dados já consolidados apontam que o desempenho do setor começou 2026 mais forte do que no ano anterior. Em fevereiro de 2026, o processamento atingiu 3,546 milhões de toneladas, o que corresponde a um crescimento de 8,5% frente ao mesmo mês de 2025.
No acumulado do primeiro bimestre, o processamento somou 7,421 milhões de toneladas, alta de 6,4% na comparação com igual período do ano passado.
Apesar da perspectiva de maior volume embarcado, a Abiove estima que a receita com exportações do complexo soja no Brasil apresentará retração em 2026. A projeção é de faturamento de US$ 51,18 bilhões, queda de 3,2% em relação ao resultado de 2025.
O recuo é atribuído principalmente à expectativa de preços médios mais baixos para a soja em grão e para o farelo ao longo do ano. Na leitura da entidade, a queda nas cotações pode reduzir o valor total gerado pelas exportações, mesmo com o crescimento do volume vendido.

O artigo analisa o papel cada vez mais relevante do Brasil no mercado global de soja diante da alta demanda chinesa. A demanda da China deve chegar a 132,9 milhões de toneladas em 2026, contra 127,4 milhões no ano anterior, e o Brasil já representa cerca de 61% do mercado mundial, substituindo os EUA (de 50% em 2000 para 23% hoje) em parte devido a tarifas impostas desde 2017. Com a possível retomada de um acordo entre EUA e China para normalizar o comércio, especialistas apontam que o efeito principal será sobre os preços, não sobre grandes deslocamentos de volume, e o produtor tende a pagar a conta. Mesmo com eventual acordo, a China deve continuar comprando de ambos os fornecedores para evitar custos de armazenagem e reduzir prêmios, o que exige cautela para o Brasil não ficar excessivamente dependente da China. A previsão de importação chinesa para 2026 é de 112 milhões de toneladas, superior aos 108 milhões da temporada passada, destacando ainda as incertezas sobre a implementação dos acordos e o momento certo de ajustes.
Soja em grão: queda de 8,1%, para média de US$ 370 por tonelada.
Farelo de soja: queda de 11,7%, para média de US$ 300 por tonelada.
Óleo de soja: alta de 7,3%, para média de US$ 1.140 por tonelada.
Em volume, a Abiove prevê um avanço nas exportações do complexo soja em 2026. A estimativa é de embarques totais de 139,75 milhões de toneladas, crescimento de 5,2% frente ao total registrado em 2025.
O cenário aponta para maior oferta e fluxo de produtos ao exterior, com destaque para o desempenho tanto do grão quanto dos derivados, em especial o óleo, que tende a registrar o maior crescimento percentual entre os itens do complexo.
Produto Estimativa 2026 Variação vs. 2025 Soja em grão 113,6 milhões de toneladas +5% Farelo de soja 24,6 milhões de toneladas +5,6% Óleo de soja 1,55 milhão de toneladas +13,7%
A Abiove também trouxe informações sobre a dinâmica de preços no comércio exterior. Em março, a soja embarcada pelo porto de Paranaguá (PR) registrou preço médio livre de impostos (FOB) de US$ 427,28 por tonelada, alta de 1,31% em relação a fevereiro. No comparativo com a referência internacional, a soja brasileira operou com desconto de US$ 3,86 por tonelada.
No caso do óleo bruto de soja, o embarque ocorreu com desconto de US$ 242,51 por tonelada frente ao preço médio observado na mesma referência. O produto foi exportado a um preço médio de US$ 1.205,25 por tonelada, com leve queda de 0,42% no mês.
Já o farelo de soja encerrou março com preço médio de US$ 351,21 por tonelada, avanço de 4,93% no período. Diferentemente dos demais, o farelo registrou prêmio de US$ 6,89 por tonelada em relação à referência internacional.
Em resumo: a Abiove vê 2026 como um ano de processamento recorde no Brasil, com crescimento na produção de farelo e óleo. Ao mesmo tempo, a entidade projeta queda de receita no complexo soja, pressionada por preços mais baixos para grão e farelo, mesmo com alta nos volumes exportados.

O boletim aponta alta no mercado mundial de milho, impulsionada pelos preços do petróleo, preocupações com fertilizantes e forte demanda por etanol, além dos custos logísticos e energéticos. O arroz também sobe nos mercados internacionais, sobretudo na Tailândia e no Vietnã. O óleo de soja registra valorização, impulsionado pelas cotações na Argentina e no Brasil. O açúcar recua, devido ao aumento da produção no Brasil e na Índia. O trigo tem comportamento misto: sobe na Rússia, com valorização do rublo e maior procura, mas cai na União Europeia e na Argentina. As cotações do frete marítimo também sobem, refletindo o impacto contínuo dos custos energéticos no comércio mundial.