CPA 2026/27 em Mato Grosso: custos de algodão e soja caem, milho sobe, segundo Imea e Senar MT
MercadoMarcelo Kozar·Publicado em 20/02/2026·5 mins de leituraGrátis

CPA 2026/27 em Mato Grosso: custos de algodão e soja caem, milho sobe, segundo Imea e Senar MT

Imea e Senar MT divulgam custos de produção de soja, algodão e milho para 2026/27.

CPA 2026/27 em Mato Grosso: custos de algodão e soja caem, milho sobe, segundo Imea e Senar MT

Custos de produção de algodão, soja e milho em Mato Grosso mostram tendências diferentes para a safra 2026/27

Um levantamento divulgado com dados de janeiro de 2026 aponta que os custos de produção agropecuária em Mato Grosso seguiram trajetórias distintas entre algodão, soja e milho, em meio a ajustes de uso de insumos e variações de preços, com destaque para fertilizantes e defensivos.

As estimativas fazem parte do Projeto Custo de Produção Agropecuário (CPA), que acompanha mensalmente os indicadores técnicos e econômicos das principais culturas do estado e projeta parâmetros para a safra 2026/27. O objetivo é oferecer base para planejamento, gestão e avaliação de resultados nas propriedades.


Como o estudo mede os custos: COE e COT

A análise trabalha com dois indicadores centrais. O primeiro é o Custo Operacional Efetivo (COE), que reúne o custeio da atividade e despesas diretas, como manutenção, impostos, taxas e outros desembolsos vinculados à produção. O segundo é o Custo Operacional Total (COT), que amplia o cálculo e inclui itens como depreciação e pró-labore.

Em conjunto, esses indicadores são usados para orientar decisões como compra de insumos, negociação de preços, ajustes de tecnologia de manejo e definição de estratégias de plantio conforme a realidade de custos do campo.

Panorama do mês: enquanto algodão e soja registraram queda no custeio em janeiro, o milho apresentou alta, influenciada por mudanças metodológicas e ajustes no pacote tecnológico.

Algodão segue como a cultura mais cara por hectare

Entre as três culturas monitoradas, o algodão permaneceu com o maior custo de produção. Em janeiro de 2026, o custeio foi estimado em R$ 10.295,48 por hectare, com queda de 1,39% no mês.

Os defensivos continuaram sendo o principal componente do custeio do algodão, somando R$ 4.588,79 por hectare, apesar de uma retração de 3,09%. Na sequência, aparecem os fertilizantes, estimados em R$ 3.291,47 por hectare, com alta de 0,41%.

Composição do custeio do algodão (jan/2026)

Item Valor (R$/ha) Variação mensal Custeio total R$ 10.295,48 -1,39% Defensivos R$ 4.588,79 -3,09% Fertilizantes R$ 3.291,47 +0,41%

Soja transgênica tem redução no custeio, mas fertilizantes avançam

No caso da soja transgênica, o custeio foi estimado em R$ 4.156,03 por hectare em janeiro de 2026, o que representa queda de 1,8% em relação a dezembro de 2025. A redução foi puxada principalmente pela retração nos gastos com defensivos e sementes.

Mesmo com a queda geral, os fertilizantes se mantiveram como o maior componente do custeio da soja, alcançando R$ 1.582,92 por hectare, com alta mensal de 2,62%. Em seguida, aparecem defensivos, com R$ 1.309,64 por hectare, e sementes, com R$ 498,11 por hectare.

Principais componentes do custeio da soja (jan/2026)

  • Custeio total: R$ 4.156,03/ha (-1,8%)

  • Fertilizantes: R$ 1.582,92/ha (+2,62%)

  • Defensivos: R$ 1.309,64/ha (-5,69%)

  • Sementes: R$ 498,11/ha (-2,94%)

Milho tem alta expressiva com mudanças nos painéis e ajuste de manejo

Diferentemente do algodão e da soja, o milho apresentou avanço nos custos. O custeio foi projetado em R$ 3.558,08 por hectare, com aumento de 7,19% em janeiro de 2026.

De acordo com o levantamento, a alta foi influenciada pela incorporação de novos painéis de custo de produção, o que teve reflexo direto em componentes do custeio. Também houve incremento na quantidade aplicada de corretivo de solo, contribuindo para elevar a despesa total.

O estudo ainda registra substituição de produtos, especialmente na classe de defensivos, associada à busca do produtor por maior efetividade no manejo — um movimento que pode alterar o perfil de gastos conforme a pressão de pragas e doenças e a estratégia adotada em cada área.

Itens com maior variação no milho (jan/2026)

Componente Valor (R$/ha) Variação Custeio total R$ 3.558,08 +7,19% Defensivos R$ 875,29 +18,64% Mão de obra R$ 235,70 +21,17% Sementes R$ 826,94 +6,36%

Por que esses números importam para o produtor

A atualização mensal dos custos é considerada um instrumento de apoio ao planejamento da safra, ao permitir que o produtor avalie como oscilações de insumos — como fertilizantes, defensivos, sementes e corretivos — impactam o resultado final por hectare.

O CPA também ajuda a comparar cenários, ajustar o pacote tecnológico e orientar decisões em um ambiente de margens pressionadas, em que pequenas mudanças de preço e uso de insumos podem alterar significativamente o custo total.

Em destaque: no algodão, defensivos seguem como o maior peso do custeio; na soja, fertilizantes continuam liderando a composição; no milho, as maiores altas vieram de defensivos e mão de obra.

Projeto CPA amplia base de informações sobre a realidade do campo

Realizado mensalmente, o Projeto CPA consolida indicadores técnicos e econômicos para apoiar a gestão das atividades agropecuárias em Mato Grosso. Segundo o coordenador de Inteligência de Mercado Agropecuário do instituto responsável pelo levantamento, o trabalho vem ampliando a base de dados disponível e contribuindo para decisões mais alinhadas ao dia a dia das propriedades, com participação crescente de produtores.

Com a atualização contínua dos painéis e a inclusão de novas informações de campo, a tendência é que as estimativas se tornem cada vez mais precisas, fortalecendo o uso de dados na tomada de decisão e no controle de custos das principais culturas do estado.

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