Emergência no frete: CNA pede zerar o AFRMM para fertilizantes e frear alta dos custos logísticos
CNA pede zerar AFRMM emergencialmente para conter custos de fertilizantes importados no curto prazo.

CNA pede isenção emergencial do AFRMM para reduzir custo de fertilizantes importados e conter pressão sobre alimentos
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao Ministério da Fazenda a redução a zero, em caráter emergencial, das alíquotas do Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM). O objetivo, segundo a entidade, é aliviar a escalada dos custos logísticos e conter a alta nos preços de fertilizantes importados, que vêm sendo pressionados por choques no cenário internacional.
No pedido, a CNA argumenta que o momento exige uma resposta rápida para reduzir impactos no campo e evitar que o aumento dos insumos se transforme em pressão adicional sobre o preço dos alimentos. A entidade avalia que a alta recente de produtos nitrogenados, como a ureia, já se tornou um fator relevante no custo de produção agrícola, com avanço acumulado em torno de 35%.
Conflito externo e efeito direto sobre insumos agrícolas
A confederação atribui a elevação dos preços internacionais, especialmente dos nitrogenados, à intensificação de tensões no Oriente Médio. Para o setor, o encarecimento desses fertilizantes tende a se espalhar por diversas cadeias produtivas, já que eles são essenciais para manter a produtividade de grãos, fibras e outras culturas estratégicas.
A CNA sustenta que a redução temporária do tributo é uma ação estratégica para mitigar os efeitos de choques internacionais sobre a economia brasileira, em especial sobre a produção agropecuária.
O que é o AFRMM e por que a CNA quer zerar a alíquota
O AFRMM é um adicional que incide sobre o frete no transporte aquaviário. Na avaliação da CNA, a cobrança eleva custos em um ponto sensível da cadeia de suprimentos: a chegada de insumos importados aos portos brasileiros e seu deslocamento até as regiões produtoras. Em períodos de maior instabilidade externa, essa estrutura de tributação tende a ampliar o impacto do aumento internacional, elevando o custo final ao produtor rural.
Atualmente, as alíquotas mencionadas pela confederação variam conforme a modalidade e a rota de transporte, com aplicação de 8% na navegação de longo curso, na cabotagem e em vias fluviais e lacustres. Em situações específicas, o adicional pode alcançar 40% no caso de granéis líquidos destinados às regiões Norte e Nordeste, o que, segundo a entidade, reforça a assimetria de custos logísticos no país.
Resumo das alíquotas citadas pela CNA
Modalidade/Condição Alíquota mencionada Impacto apontado Navegação de longo curso 8% Aumenta o custo do frete em importações Cabotagem 8% Eleva o custo logístico interno Vias fluviais e lacustres 8% Afeta a movimentação em rotas aquaviárias Granéis líquidos para Norte e Nordeste Até 40% Pode ampliar desigualdades regionais de custo
Dependência de importações amplia vulnerabilidade do Brasil
Um dos principais argumentos da CNA é a forte dependência externa do país para abastecimento de fertilizantes. De acordo com a entidade, cerca de 90% dos fertilizantes usados na produção agrícola brasileira vêm do mercado internacional. Isso torna o setor particularmente sensível a variações cambiais, restrições de oferta, custos de energia e, sobretudo, tensões geopolíticas que afetam rotas e preços.
Nesse contexto, a confederação defende que reduzir temporariamente o AFRMM pode funcionar como uma medida de amortecimento: ao diminuir parte do custo do frete e da logística portuária, o produtor teria maior previsibilidade para planejar a compra de insumos e conduzir o manejo das lavouras sem repassar integralmente a escalada de custos à cadeia de alimentos.
Arrecadação ligada a insumos agrícolas e concentração regional
A CNA também ressalta que uma parcela relevante da arrecadação do adicional vem da importação de insumos, em especial de produtos destinados ao setor agropecuário. A entrada desses itens ocorre de forma significativa pelos portos das regiões Sul e Sudeste, apontadas como importantes portas de entrada para o abastecimento das áreas produtoras.
Para a entidade, a combinação entre pressão externa sobre os preços e manutenção da cobrança do AFRMM tende a agravar o custo total do fertilizante posto no Brasil, aumentando a exposição do produtor a choques internacionais e reduzindo a competitividade.
Possíveis impactos no campo e no consumidor
O encarecimento dos fertilizantes costuma ter efeito direto no custo de produção e pode provocar decisões de compra mais conservadoras, com reflexos sobre a produtividade e, consequentemente, sobre a oferta. A CNA alerta que, sem ações de alívio, o aumento do preço dos insumos pode se traduzir em pressão inflacionária na ponta, afetando o orçamento das famílias por meio do encarecimento de itens essenciais.
Mais custo de produção: fertilizantes mais caros elevam o custo por hectare.
Risco de repasse: aumento pode chegar ao varejo por meio dos alimentos.
Maior incerteza: volatilidade externa dificulta planejamento de safra.
Pressão logística: tributos sobre frete amplificam oscilações internacionais.
Medida emergencial e caráter estratégico, diz a CNA
No posicionamento encaminhado ao governo, a CNA sustenta que a iniciativa deve ser tratada como uma resposta emergencial diante de um quadro internacional adverso. A entidade classifica a agropecuária como um setor estratégico para a economia brasileira, com peso relevante no PIB, nas exportações e na geração de emprego e renda.
Ao defender a isenção temporária do AFRMM, a confederação busca reduzir a intensidade do choque sobre os custos de insumos, em um momento em que a estabilidade de preços e o abastecimento são temas centrais para a economia. A decisão sobre a adoção da medida, contudo, depende de avaliação e encaminhamento do Ministério da Fazenda.




