
O milho segunda safra 2025/2026 em Mato Grosso do Sul segue com bom potencial produtivo, mas o avanço da estiagem e o risco de geadas vêm pressionando a rotina dos produtores e aumentando a atenção ao clima nas próximas semanas. Levantamento recente do Projeto SIGA-MS indica que a maior parte das lavouras ainda apresenta desempenho favorável, embora já existam registros de perdas pontuais em diferentes regiões do Estado.
De acordo com o monitoramento, 71,5% das lavouras de milho safrinha estão em boas condições. Outras áreas aparecem em situação intermediária: 17,8% são classificadas como regulares. Já 10,7% estão em condição ruim, refletindo impactos associados à irregularidade das chuvas e ao estresse hídrico em momentos-chave do desenvolvimento da cultura.
Destaque: Embora o panorama geral ainda seja considerado positivo, o cenário é heterogêneo e depende do comportamento do clima, especialmente entre maio e junho, período decisivo para consolidar a produtividade.
Classificação Participação estimada Leitura do cenário Boa 71,5% Maioria das áreas com bom desenvolvimento Regular 17,8% Sinais de estresse e oscilação por irregularidade de chuvas Ruim 10,7% Perdas pontuais e maior vulnerabilidade a estiagem e frio
As melhores condições do milho segunda safra se concentram nas regiões norte, nordeste, oeste e sudoeste de Mato Grosso do Sul. Nessas áreas, a maior parte das lavouras apresenta bom desenvolvimento vegetativo e reprodutivo, com destaque para a região norte, onde o percentual de áreas em condição favorável supera 90%.
Norte: maior concentração de lavouras em bom estado, acima de 90% em condição favorável.
Nordeste, oeste e sudoeste: desempenho majoritariamente positivo, sustentado por melhor distribuição de chuvas no ciclo.
O cenário muda no centro e no sul do Estado, onde os impactos climáticos têm sido mais intensos. Nessa faixa, a irregularidade das chuvas, combinada ao avanço do risco de estiagem e à possibilidade de geadas, já compromete parte do potencial produtivo.
Na região central, que engloba municípios como Campo Grande, Sidrolândia e Rio Brilhante, cerca de 23,8% das áreas já apresentam perdas. O indicador reforça o peso do clima na safrinha e a necessidade de acompanhamento mais frequente das lavouras, sobretudo em fases sensíveis como pendoamento e enchimento de grãos.
Alerta climático: a combinação de chuvas irregulares + estiagem + frio intenso tende a elevar o risco de perdas, especialmente em áreas fora da melhor condição hídrica.
Além da seca e do risco de frio, episódios recentes de granizo também foram registrados e provocaram danos localizados em lavouras de municípios como Dourados, Deodápolis, Fátima do Sul e Ivinhema. Embora os impactos não sejam generalizados, o granizo pode comprometer folhas, colmos e espigas, elevando a probabilidade de redução de produtividade e favorecendo a entrada de doenças, dependendo da intensidade do evento e do estágio da planta.
Para o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, o quadro geral ainda é favorável, mas depende diretamente do comportamento do clima no curto prazo. Em avaliação técnica, ele reforça que o milho segunda safra em Mato Grosso do Sul continua com perspectiva positiva, desde que as condições climáticas não se deteriorem de forma acentuada.
“O cenário do milho segunda safra em Mato Grosso do Sul é positivo, porém o produtor precisa manter atenção redobrada às condições climáticas”, afirmou o coordenador técnico.
Ele também destaca que o plantio dentro da janela ideal contribui para sustentar o potencial produtivo, ao alinhar o ciclo da cultura a períodos com maior chance de oferta hídrica e menor exposição a extremos. Ainda assim, o intervalo entre maio e junho é apontado como determinante para o resultado final da safra, por concentrar etapas críticas do milho e coincidir com a maior probabilidade de episódios de frio em algumas regiões.
Monitoramento climático: acompanhar previsões e alertas de geada e estiagem.
Vistoria de áreas: identificar perdas precoces e desuniformidade após falta de chuva ou granizo.
Gestão de risco: priorizar decisões técnicas para reduzir impacto em produtividade, conforme a evolução do ciclo.
A estimativa atual aponta cultivo em 2,2 milhões de hectares no Estado, com produção projetada de 11,1 milhões de toneladas. Os números refletem a relevância do milho segunda safra na economia regional e no abastecimento da cadeia de grãos, ao mesmo tempo em que evidenciam como a variabilidade climática pode influenciar os resultados em escala estadual.
Área estimada 2,2 milhões de hectares Produção projetada 11,1 milhões de toneladas
Com a maior parte das lavouras ainda em boas condições, o desempenho do milho safrinha 2025/2026 em Mato Grosso do Sul segue promissor. No entanto, a combinação de estiagem, geadas e eventos extremos, como granizo, mantém o setor em estado de atenção. A evolução das próximas semanas deve ser decisiva para confirmar — ou reduzir — o potencial produtivo observado até aqui.
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